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Economia

Serviços e comércio concentram demissões durante pandemia

Em Araraquara estes dois setores foram os que mais demitiram segundo números do Governo Federal

| ACidadeON/Araraquara

Serviços e comércio concentram o maior número de demissões em Araraquara (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
 
O setor de serviços foi o que mais demitiu durante os primeiros três meses da pandemia do coronavírus, em Araraquara. Entre março e maio, foram fechados 1,7 postos de trabalho, 54% do total de demissões registradas neste período, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. 

Abril foi o mês com maior saldo negativo com 1193 postos de trabalho a menos. Entre eles, o da Mariana Reis Joaquim, de 25 anos. 

Mariana trabalhava na contabilidade de uma empresa de eventos e a noite era recepcionista em festas. Como o segmento foi um dos mais afetados, veio a demissão. 

"Logo que saiu o decreto, fiquei 15 dias em casa. Ai quando prorrogou, que parou tudo sem previsão de volta, eu fui demitida", explica.  

O ramo de alimentação e eventos foi um dos mais atingidos. O fechamento de bares e restaurantes durante a pandemia puxou o setor para o topo da lista. 

O presidente do Sindicato dos Bares Hotéis e Restaurantes (Sinhores), Fernando Pachiaroti, destaca que com o fim da redução de jornada e a suspensão temporária de contrato, a situação pode se agravar. 

"Se alguém tivesse nos avisasse em março que precisaríamos ficar até julho fechado, a situação seria diferente. Mas ninguém acreditava nisso, pensávamos que teríamos uma ou duas prorrogações, que ficaríamos parados 15, 30 ou 40 dias. Mas o tempo foi passando, demos férias para os funcionários, fizemos suspensão de contrato e agora esse funcionário voltou, não tem mais férias para cumprir, não dá mais para suspender os contratos e então os funcionários voltaram, mas sem funcionar", diz ele.  
 
COMÉRCIO
Atrás do setor de serviços aparece o comércio, com o fechamento de 720 postos de trabalho. Número que representa 23% das demissões. 

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomércio), Antonio Deliza Neto, afirma que os dados do Caged não surpreendem. 

"Tendo em vista que mais de 85% da atividade comercial foi impedida de trabalhar. Esse é um reflexo natural, esperado mesmo com a flexibilização e podendo fazer os afastamentos permitidos, mas a questão de sobrevivência financeira das empresas é, infelizmente, a demissão", destaca.  

A indústria também demitiu. Entre março e maio foram 546 demissões. Na sequência , aparece a construção civil com 219 postos de trabalho a menos. 

A agropecuária foi a única atividade com saldo positivo neste período, com a abertura de 12 novos postos de trabalho.
Para o economista Eduardo Rois Morales Alves, os pequenos negócios foram os mais atingidos. 

"Os pequenos empreendedores não estão suportando ou não suportaram tanto tempo sem receita e a permanência de alguns custos fixos, seja aluguel ou de energia, custos inerentes mesmo com as portas fechadas. O setor de serviços entra numa gama de estagnação que não deve se resolver em 2020, que talvez aponte para um cenário de melhorias a partir de 2021, porque, efetivamente, não se tem ainda por parte do governo uma política de retomada, de auxílio. O auxilio que foi disponibilizado não chegou, ele era importante em termos de valores absolutos R$ 70 bilhões são cifras muito significativas. Esses pequenos negócios, em regra, precisam de muito menos, quer dizer, eles precisam de pequenos empréstimos, coisa de R$ 20 mill ou R$ 30 mil, que não saíram. Os empregos agora estão caracterizado e essas linhas, para esses pequenos comerciantes são absolutamente inúteis. Ainda que se facilitasse o acesso a elas, já não teria efeito, devido ao índice de endividamento já não suporta mais", analisa Alves.

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