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Economia

Indústrias da região dão sinais de retomada em meio à pandemia

Segundo a Fiesp, exportações aumentaram 40,4% no primeiro semestre deste ano

| ACidadeON/Araraquara

Indústria de Araraquara e região dão sinais de recuperação em meio à pandemia
Em um momento em que o Banco Central projeta retração superior a 6% no Produto Interno Bruto Brasileiro, não demitir já é um bom sinal. Gerar postos de trabalho, então, é visto como recuperação.

Em uma indústria de alumínios de Araraquara, foi exatamente isso que aconteceu. Em meio à crise, 16 postos de trabalho foram gerados.

O diretor industrial da Nigro Alumínio, Arcângelo Nigro Neto, explica que mesmo otimista, o setor se mostra bastante cauteloso.

"O nosso quadro de início de pandemia até hoje permanece o mesmo, mais esses 16. Nós não demitimos ninguém, nós não tiramos ninguém. Estamos cautelosos, mesmo porque somos parte de uma cadeia. Faço parte da cadeia do papelão, alumínio, baquelite e uma série de outras, onde todo esse mercado tem que estar abastecido para nos atender. Então este mercado tem que girar, é como uma engrenagem, todos os dentes tem que estar ligados, girando, para que a economia como um todo gire. Essa é a nossa preocupação, não adianta nada só o nosso segmento estar aquecido, se outros mercados não estiverem", relata Nigro Neto.

No ano passado, a indústria brasileira representou 11% do PIB e nos últimos meses tem dado sinais positivos de retomada.

Após dois meses no vermelho, em março e abril, o setor voltou a subir. Levantamento de conjuntura, divulgado pela Fiesp e pela Ciesp, indica recuperação da atividade industrial.

As vendas reais, segundo levantamento, cresceram mais de 12% em junho, em relação a maio e as horas trabalhadas na produção também aumentaram, 4,3%.   

Na região de Araraquara, que engloba 18 cidades, a Ciesp aponta um crescimento de 40,4% nas exportações no primeiro semestre deste ano no comparativo com o ano passado. 

Países baixos, Estados Unidos e China estão entre os maiores compradores. Abril foi o mês mais complicado para uma indústria de tintas, em Matão. Pior, inclusive, que a crise gerada pela greve dos caminhoneiros em 2018.  

Mas o quadro começou a mudar nos meses seguintes. A diretora financeira da Brasilux, Kelly Cristina Bicalho, atribui o crescimento às estratégias adotadas pela empresa para enfrentar a pandemia.  

"Nós tivemos um abril muito ruim, caiu muito nosso faturamento, mas a gente também não abriu mão do nosso planejamento estratégico, das decisões que a gente tinha tomado para crescimento e ampliação de mercado neste ano e continuamos a trabalhar para alcançar metas que a gente tinha estipulado no começo do ano. Fizemos algumas promoções, de alguns produtos nessas linhas que estavam vendendo mais, contratamos pessoas estratégicas de cargo de diretoria para ampliar o mercado e trazer uma nova visão para a empresa e um novo jeito de trabalhar. É isso, se reinventar na crise. Em maio a gente já sentiu uma recuperação, junho e julho já foram muito bons", analisa Bicalho.  

Na empresa, não houve cortes e existe a expectativa de geração de postos de trabalho até o fim do ano com a diversificação do portfólio de produtos. 

"A gente tem a expectativa de que vai crescer sim, por exemplo, a nossa produção de tinta em pó, a tendência é abrir um outro turno na empresa para esse tipo de tinta, apresentando um crescimento. Nós também vamos lançar um outro tipo de produto, então a gente tem a expectativa de crescimento e aumento de emprego. Estamos indo conforme o mercado está se movimentando, com cautela, sem arriscar, tomando decisões mais frequentes, com tempos mais curtos para errar o menos possível", afirma.

Na avaliação do economista Eduardo Rois Morales Alves, o setor industrial é estratégico para a retomada da economia, pós pandemia.  

"Precisamos muito que a indústria cresça, mas de forma perene e seja vista através de uma política industrial, de uma política pública de valorização da indústria, de reinserção da indústria no mundo moderno. Temos aí o advento da indústria 4.0, novas formas de gestão de processo de produção que precisam mais do que nunca serem popularizados para pequenas indústrias, pequenos negócios porque eles estão perdendo participação e sempre foram fundamentais para o nosso desenvolvimento. O governo precisa e deve formular políticas que proporcione competitividade, redução de custos, aumento da produção sem aumentar custo como forma de superar essa crise", analisa. 

O diretor industrial da Nigro Alumínio, Arcângelo Nigro Neto, segue a mesma linha de pensamento e acredita que a indústria dá sinais de retomada, mas é preciso incentivo por parte do governo.  

"A economia começa a girar, o mercado começa a retomar, as empresas brasileiras vão saindo da estagnação e usando os recursos que o governo tem para as indústrias. Mas, esses recursos teriam que estar disponibilizados, pois nem sempre as indústrias estão conseguindo pegar esse recurso para sobreviver esse período. Ou se chega, é um valor menor do que a pessoa precisa, pois já usou redução de horas e precisa de mais um dinheiro para sobreviver até isso tudo passe. O governo precisa ficar mais atento a isso, hoje a indústria está totalmente dependente do dinheiro dos empréstimos do governo", finaliza.



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