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Economia

Indústrias araraquarenses enfrentam falta de matéria-prima

A falta de matéria-prima para a linha de produção é mais grave entre as empresas de pequeno porte

| ACidadeON/Araraquara

Indústria enfrenta problemas para encontrar matéria-prima (Foto: Reprodução)
 
O setor industrial araraquarense enfrenta severos desafios de produção em razão da baixa oferta de matéria-prima no mercado. Tudo em razão da pandemia do novo coronavírus. Cobre, zinco, alumínio, aço, aço-inox, plásticos e até papel são alguns dos itens que estão com carência de oferta, prejudicando as linhas de produção e colocando em risco o emprego de trabalhadores.

A realidade de empresas consultadas pela reportagem da CBN Araraquara não se destoa do padrão nacional. Recente pesquisa divulgada pela Confederação Nacional das Indústrias revela que 68% das empresas nacionais estão com dificuldade para comprar matérias-primas. Dentre as empresas que utilizam insumos importados regularmente, 56% relataram dificuldade.

O diretor industrial do ramo de alumínio, Arcângelo Nigro, diz que além de enfrentar a falta de matéria-prima o atraso dos fornecedores é constante. Segundo ele, há desabastecimento e encarecimento de produtos.

"Estamos com atraso de matéria prima e também atraso de entrega. Está complicado encontrar alumínio, por exemplo, por conta da demanda. No começo da pandemia estava tudo parado e agora estão retomando, mas houve um desabastecimento do mercado", explica Nigro.

ESCASSEZ
A situação é a mesma enfrentada por uma indústria do ramo odontológico em Araraquara. A empresa, que exporta para dezenas de países, sofre com a escassez de plásticos para a montagem de peças e outros minérios, como explica o diretor comercial da marca, Carlos Eduardo Rannucolli.

"Falta plástico, latão, cobre, aço inox, tudo subiu o preço e tem em escassez no mercado. Uma situação muito complexa porque estamos sem prazos", diz ele.

Rannucolli aposta que haja especulação de alguns setores produtivos, como forma de se aproveitar da crise e vender matéria-prima com preço mais alto. De acordo com ele, só o setor de plásticos teve alta de 80% nos últimos meses.

As consequências dessa cadeia de dificuldades vão desembocar no produto final de cada segmento. Para Nigro, com a produção longe da ideal e com os estoques em baixa, não há como segurar preços.  

Outra consequência negativa são as demissões. Rannucolli vislumbra um cenário difícil para o trabalhador.
 
"Não sabemos se haverá uma avalanche de demissões porque o que adianta manter funcionário se não tem matéria prima para produção", diz ele.  

A expectativa dos empresários é que 2021 traga bons negócios com a retomada plena das atividades econômicas. Até lá, Arcangelo Nigro espera enfrentar falta de matérias e alta de preços.
 
"Acredito que a normalidade volte em janeiro do ano que vem. Este ano ainda vamos passar por problemas", diz Nigro.

A crise de fornecimento também afeta empresas têxteis de Araraquara. De acordo com a pesquisa da CNI, a falta de matéria-prima para a linha de produção é mais grave entre as empresas de pequeno porte. Nesse segmento, 70% foram afetadas pela falta de insumos, ante 66% nas grandes.



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