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Apesar do crescente número de vagas, PAT não consegue fechar contratações

Levantamento mostra que apenas 40% das vagas disponibilizadas foram aproveitadas; explicação está na falta de mão de obra qualificada

| ACidadeON/Araraquara -

Falta de qualificação dificulta contratações (Divulgação/Prefeitura de Jaguariúna)
Falta mão de obra qualificada para preencher as oportunidades oferecidas pelo Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Araraquara. No último mês, apenas 40% das vagas disponibilizadas foram aproveitadas. 

Levantamento do PAT, realizado entre a segunda quinzena de julho e a primeira de agosto, revela que das 233 oportunidades disponibilizadas, apenas 93 foram ocupadas.
A gerente de Economia Criativa e Solidária de Araraquara, Ana Patrícia Ferreira da Silva, explica que encontrar mão de obra com experiência tem sido o maior desafio neste momento de retomada da economia.  

"A quantidade de vagas pedindo experiência ainda é grande, justamente porque são vagas permanentes e não temporárias. As empresas anunciam a vaga no PAT, mas não fazem o anuncio apenas por aqui, mas também em outros meios. Ou seja, ela recebe os currículos que encaminhamos, mas também recebem de outros lugares".  

O economista e colunista da CBN, Eduardo Rois Morales Alves, afirma que a falta de qualificação do trabalhador brasileiro médio é uma característica e um problema da "nossa economia há muitos anos".  

"Uma economia que não consegue repor mão de obra é uma cidade que tende a perder empresas. Então, são necessárias políticas públicas para sanar isso. Entendo que é um esforço que deve ocorrer no ponto de vista das empresas, abrindo programas de estágio, incentivando seus empregados e os filhos de seus empregados a se qualificarem dentro de sua área de interesse e também ao governo municipal, estadual e federal com políticas de qualificação, incentivar o retorno desses jovens ao ensino formal, é o caminho mais eficaz em médio prazo", explica.  

Para a consultora de Recursos Humanos, Luciana Ferreira, o país vive um "apagão" de mão de obra qualificada. Se por um lado, o nível de desemprego está elevado, por outro, tem empresas tentando contratar, principalmente, no setor da tecnologia da informação.  

"O importante é que o profissional desenvolva uma mentalidade dinâmica, multidisciplinar e flexível, pois, tanto quanto o conhecimento técnico, as capacidades são cada vez mais valorizadas no mercado. E nada que um bom planejamento e organização na busca de emprego ao falar sobre si e demonstrar para onde quer ir - é possível você alcançar seu objetivo de recolocação e passar a se dedicar a uma atividade que te traga um verdadeiro sentimento de realização", afirma.

Na contramão deste cenário, cresceu o número de empresas buscando mão de obra qualificada pelo PAT. Na primeira quinzena de julho, eram quatro. No mesmo período de agosto, 22 ou seja, crescimento de 450%.
A gerente de Economia Criativa e Solidária de Araraquara, Ana Patrícia Ferreira da Silva, lembra que, em alguns casos, uma empresa oferece mais de uma oportunidade. Segundo ela, a tendência é de mais geração de empregos daqui para frente, inclusive, com trabalhadores temporários para o final do ano. 

" Dentre essas [empresas] que eu tenho aqui, algumas oferecem mais de uma vaga, são alguns postos na mesma empresa. A tendência é aumentar porque vai ter um reflexo muito grande na quantidade de pessoas vacinadas, tanto de empresas contratando, quanto de procura de pessoas por novos postos, novas recolocações".  

Até julho, de acordo com o CAGED, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do ministério da Economia, Araraquara gerou 2.226 postos de trabalho.  

O setor de serviços foi o que mais contratou (972). Na sequência, aparecem Indústria (731), Construção (635) e Agropecuária (55).  

Os dados mais recentes do PAT revelam que o setor de serviços voltados a cuidados pessoais tem representado a maior fatia do bolo das contratações. Somente na última semana de agosto, foram 94 oportunidades 83% do total. 

Ana Patrícia Ferreira da Silva diz que este momento reflete as flexibilizações das atividades econômicas. 

"Cabelereiro, manicure, a área de cuidados em geral tem crescido bastante. As empresas tem reaberto o atendimento ao público, um atendimento que é mais próximo do público e, por isso, ficou fechado por um tempo muito grande e agora vem com força", finaliza.

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