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economia

Motofretistas relatam desvalorização e setor cobra reajuste

Com aumento da inflação, categoria se reuniu em Araraquara para denunciar abuso e estudar proposta de aumento de repasse

| ACidadeON/Araraquara -

  

 

Categoria de entregadores denuncia abuso e estuda formas de aumento de repasse em Araraquara (Foto: Divulgação) 

 

 

 

 O setor de motofrete cresceu nos últimos anos, principalmente, durante a pandemia. Faça sol ou chuva, esses trabalhadores estão pelas ruas da cidade. Mas a categoria alega que tem sido cada vez mais desvalorizada e por isso está se mobilizando. 

Em Araraquara, a falta de regulamentações e concordância entre os estabelecimentos comerciais e os motofretistas, está causando revolta na categoria.  

Quem não é vinculado a aplicativos, não se sente assegurado, e os gastos não param de subir. Mas o valor das diárias e dos fretes não acompanham o aumento. 

Além do combustível, esses trabalhadores arcam com a moto, o seguro, equipamentos de proteção, bag para carregar os produtos, e todo restante da manutenção. 

Romolo Augusto, 29 anos, é presidente de uma cooperativa de motofrete da cidade e conta que os trabalhadores se sentem desvalorizados. 

"Se muitos lugares não fecharam as suas portas foi porque nós permanecemos nas ruas mas precisamos de valorização , o estabelecimento precisa ter mais responsabilidade", aponta.  

 

SEM AUTONOMIA

Segundo Romolo, não há autonomia para que os motoqueiros coloquem um preço justo pelo trabalho. "A gente não tem autonomia de nada, os estabelecimentos que impõe regras, valore e taxas", aponta.

Tales Ednan Gonçalves,  22 anos, também trabalha com motofrete e reforça essa questão do baixo repasse das casas. 

"A taxa das casas não cumprem a nossa demanda, o que necessitamos. Ou eles colocam o preço da taxa de casa lá em cima ou fazem o contrário, colocam a preço da taxa de entrega mais caro e diminui o preço da taxa de entrega isso dificulta muito para gente. O combustível está alto, os preços das coisas só estão subindo. O lanche e a pizzas sobem de preço mas nossas taxas não", avalia.   

REUNIÃO

No último sábado (21), a categoria se reuniu, contando com a presença de motoristas de aplicativos e também do vereador Guilherme Bianco (PC do B). O parlamentar conta que os relatos também trazem denúncias de abusos por parte dos contratantes.

"Há uma série de abusos do setor patronal, cobranças desde de usar internet, para carregar celular, usar o banheiro", reforça. 

Além da questão financeira, os trabalhadores da classe se sentem inseguros quanto a sua proteção. Na profissão, o tempo acaba sendo literalmente dinheiro. Assim, o risco de acidentes no trânsito aumenta, como explica o vereador.

"Isso tem gerado muitos problemas sociais, como é o aumento de multas que eles trabalhadores tem tomado e a violência no transito por acidentes e batidas. Cada minuto que perde, ele perde dinheiro e passa a não respeitar o sinal vermelho, entrar na contramão, não porque ele quer, porque também coloca a própria vida em risco, mas porque precisa fazer isso para ganhar dinheiro", frisa.   

DESCARTÁVEL

Tales afirma que em caso de acidentes, nenhum apoio é prestado.  Ele desabafa que se sente descartável pelos empregadores. 

"Os estabelecimentos nos usam como material descartável, prestou o serviço, usou e descarta. Se acontece alguma acidente ou alguma coisa vai ter outro lá no outro dia fazendo o serviço. Não temos nenhum prestação de apoio, nada do tipo", desabafou.

Por toda esta demanda, a categoria acordou no ultimo sábado (21) a realização de uma nova reunião, para discutir propostas que unam o poder público em favor dos trabalhadores. 

A categoria acredita que seja possível realizar futuros acordos com os estabelecimentos que utilizam os serviços de motofrete em Araraquara, para estabelecer diárias, valores e melhores condições de trabalho.



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