A arte de dar vida nova à 'coisa velha'

Restauradores transformam objetos e veículos 'detonados' em peças de 'encher os olhos'; valorização pode passar de 1000%

    • ACidadeON/Araraquara
    • Tom Oliveira
Amanda Rocha/ACidadeON
Manah restaura Lambretas e Vespas há 30 anos (Amanda Rocha/ACidadeON) 


Se é velho ou retrô é o ponto de vista de cada um. A questão é que é a coisa mais linda de se ver. Uma motocicleta ou um móvel antigo inteiramente restaurado é o sonho de consumo de muita gente, que não economiza na hora de levar para a casa. Mas como é feito esse trabalho de restauração que pode fazer uma coisa ‘velha’ com pouco valor de venda em algo ‘novinho em folha’ com preços acima dos R$ 10 mil?

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Quem faz isso é o restaurador. Uma profissão não muito conhecida e por vezes confundida com mecânico ou técnico de manutenção. Sim há muito de mecânica e técnica, mas também não falta arte nesse trabalho.

Um desses mestres da restauração em Araraquara é Nelson Antônio Maria, de 64 anos, que trabalha como mecânico e restaurador há três décadas. Manah, como é conhecido, é especialista na reforma e restauração de Lambretas e Vespas, pequenas motocicletas produzidas a partir de 1946.

Maná conta que há dois tipos de restauração. A primeira é mais visual, mas com peças e motores mais modernos e a segunda com o máximo possível de originalidade. Quanto mais original, maior o valor da moto, que pode chegar a R$ 15 mil.

“As peças vêm geralmente da Índia. A maioria das peças de motos antigas vem de lá”, comenta, explicando que uma restauração de moto dura meses. “A princípio, quando as motos chegam, estão em estado deteriorado, mas depois adquirem um bom valor de mercado.”

Ainda em Araraquara, Deives Sartori, 52, é mais um que usa técnicas de marcenaria, mecânica, funilaria, pintura e muita arte para fazer as suas criações. Ele restaura móveis usados, com especialidade para geladeiras. Cada uma delas é única, diz ele, reafirmando buscar sempre inovar e dar uma cara original às ‘meninas’.

 

Amanda Rocha/ACidadeON
Deives restaura geladeira e gosta de dar seu toque pessoal na personalização (Amanda Rocha/ACidadeON)

 

Sartori tem 35 anos de profissão e agora está investindo na comunicação por meio da internet para vender o seu trabalho, que pode ser apenas uma reforma ou uma restauração completa. Cada móvel ou eletrodoméstico tem um grau de trabalho, mas a restauração, normalmente, consiste em desmontá-los por completo.

“Eu tenho algumas geladeiras que estão quase prontas, mas só vão ficar 100% quando eu encontrar um comprador. Só assim, é possível customizar do jeito que o cliente quiser”, explica.

Há compradores em Araraquara?
Não dá para dizer que compradores de motocicletas e móveis antigos não existam em Araraquara, mas ambos os restauradores confirmam que grande parte de seu público consumidor está fora daqui, principalmente em cidades maiores, como a cidade de São Paulo.
“Lá fora tem gente que conhece o nosso trabalho e acaba valorizando mais o produto final, mas isso é muito relativo”, cita Sartori.

Tudo é lucro?
Normalmente as motocicletas e os móveis chegam em estado bastante deteriorado, o que reduz muito o valor daquele produto. Uma geladeira pode chegar custando R$ 200 e sair no valor de R$ 5 mil. Com as motos, mesma coisa.

É inegável que o valor dispara, mas calma lá. Segundo os profissionais, isso tudo não é lucro, afinal, as peças que são usadas nessas restaurações não são nada baratas e muitas vezes são importadas. Além disso, uma restauração completa dura meses para terminar.

“É um trabalho cansativo, mas muito gratificante. É bacana ver os olhos de quem trouxe algo velho para restaurar brilharem quando olham o produto pronto”, cita Sartori, enquanto mostra uma geladeira da década de 70. “Ela está funcionando direitinho.”


 


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