'É como se tivesse perdido um parente', diz funcionário demitido da Tamoio

Usina Tamoio anunciou o encerramento das atividades na manhã desta segunda-feira (13)

    • ACidadeON/Araraquara
    • Fernanda Manécolo
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Bruno Barone foi um dos demitidos da Tamoio: "tristeza, muita tristeza"

 

“Nosso sentimento é de perda, me sinto como se tivesse perdido um parente”, diz o eletricista Bruno Gomiero Barone, de 30 anos. Ele foi um dos 250 demitidos na manhã desta segunda-feira (13), na Usina Tamoio, em Araraquara.

Muitos funcionários, como o Bruno foram até a sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação, para buscar mais informações sobre o fechamento na empresa. “A verdade é que ninguém acredita no que está acontecendo. A situação é muito triste”, diz ele.

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Carlos Donizete Françoso, 52, trabalhava há 23 anos na empresa como operador de tratamento de caldo. “Chegamos para trabalhar e fomos chamados para uma reunião. O nosso gerente disse que tinha uma notícia ruim, mas ninguém imagina que a empresa iria fechar. É muito triste. Foram anos dentro da mesma empresa e a notícia que tínhamos recentemente era de investimentos e não que fecharia”, diz ele.

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Usina Tamoio fecha em Araraquara (Foto: Felipe Lazarotto)

 

A usina Tamoio pertence ao grupo Raízen. Em Araraquara, o grupo mantém ainda a usina Zanin e em Ibaté, a usina da Serra. Na região fazem parte do grupo a unidade de Bonfim, em Guariba e outras unidades em Dois Córregos, Barra Bonita e Jaú.

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Os trabalhadores ressaltam que a unidade da Tamoio era uma das mais produtivas da região e no ano passado chegou a moer 30% a mais do que o esperado.

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José Miguel trabalhou por 23 anos na usina Tamoio

 

José Miguel da Costa, 54, era operador de caldeira. Ele diz que sente muito pelo emprego dele e todos os colegas. “Trabalhamos muito tempo junto com várias pessoas, formamos uma família dentro da empresa e o fim é muito triste. Quanto ao emprego, a grande lamentação é saber que o mercado de trabalho está muito difícil, principalmente no setor de usinagem. Há muitos trabalhadores com filhos pequenos, como estas famílias serão sustentadas”, reforça.

Sindicato
Antônio Gonçalves Filho, presidente do Sindicato, diz que a notícia realmente pegou a todos de surpresa e significa uma ‘tragédia’ para o mercado de trabalho. “Infelizmente em um momento difícil da economia, muitos trabalhadores perdem o emprego”, diz.

Gonçalves ressalta que conversou com a empresa e ficou acordado que as homologações serão feitas no sindicato (já que com a Reforma Trabalhista isso não é mais obrigatório) e os trabalhadores devem receber por seis meses benefícios como plano de saúde e vale alimentação.

Usina
Em nota, a usina explicou que o fechamento da unidade se deve à falta de matéria prima na região. “A paralisação se dará devido a um cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar nesta região e otimização logística e de produção da Raízen. A cana-de-açúcar destinada à unidade Tamoio será redirecionada a outras unidades da empresa não havendo redução da moagem total do Grupo Raízen. A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da Raízen não será impactada", diz o texto.

A usina Tamoio era a única do grupo na região que produzia apenas açúcar. Apesar de estar cercada de cana, as plantações que abasteciam a unidade vinham de cidades como Ribeirão Bonito, Gavião Peixoto e Bocaina.

A atividade canavieira é muito tradicional na região de Araraquara. Para se ter uma ideia, somente o grupo Raízen, mantinha três unidades no raio de 30 quilômetro (Tamoio, Zanin e Serra). Tem também a usina Santa Cruz, em Américo Brasiliense, que divide a matéria prima da região, mas pertence ao grupo São Martinho.

Líder
Até então, a Raízen tinha 24 usinas de açúcar e etanol no Brasil. Com capacidade para moer mais de 70 milhões de toneladas por safra, sendo a maior empresa do setor sucroalcooleiro.

História
Ressaltando que a usina Tamoio foi a primeira usina de Araraquara. Com a queda da produção de café, por volta de 1910, a usina Tamoio foi fundada por Pedro Morganti. Durante muito tempo a empresa foi a maior e mais importante da cidade e em torno da indústria se criaram várias vilas de trabalhadores. Depois disso, a empresa passou por vários donos, até foi comprada pela Raízen.

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