Repelente natural é nova 'arma' contra doença que ataca os laranjais

Molécula retirada da folha de goiabeira pode repelir o psilídeo, inseto transmite a greening

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Da reportagem
16% dos pomares do Estado foram atingidos pela greening no último ano

 

Um repelente natural retirado da folha da goiabeira pode ser a solução para diminuir os prejuízos causados pelo greening, a pior doença da citricultura. Desenvolvido através de uma parceria da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), o produto vai começar a ser testado no campo.

Segundo os últimos dados do Fundecitrus 16,73% dos pomares do estado de São Paulo foram atingidos pela doença no último ano, com cerca de 32 milhões de árvores infectadas.

O greening é causado por uma bactéria que é transmitida por um inseto, o psilídeo. Ele é muito pequeno e entra facilmente nos pomares. Se a planta for infectada, tem que ser eliminada.
Por isso, uma das saídas é impedir que o inseto transmissor chegue ao laranjal. “Eliminando essas plantas que estão nas áreas adjacentes, nas áreas vizinhas, ordenando as pulverizações para que todos os pomares daquela microrregião pulverizem ao mesmo tempo, sempre com o intuito de abaixar a população desse inseto”, disse o agrônomo do Fundecitrus Bruno Daniel.

Reprodução EPTV
Pesquisadores estudam componente presente na folha de goiabeira como repelente natural

 

Repelente natural
Mas mesmo assim, ainda não existe uma saída 100% eficaz para fazer com que o inseto fique longe dos pomares.

Por isso, os pesquisadores da UFSCar e do Fundecitrus começaram a investigar inseticidas naturais capazes de repelir o psilídeo e atraí-lo para outra área, sem prejudicar o meio ambiente e a saúde humana.

Eles descobriram uma molécula na folha da goiabeira que tem essa propriedade. “As nossas pesquisas buscam compostos voláteis naturais, são os odores. A nossa estratégia é usar esses compostos para repelir o inseto do pomar para outra área, onde poderemos aplicar pesticidas de maneira mais racional e também evitando a contaminação do ambiente”, explicou o pesquisador científico do Fundecitrus Rodrigo Facchini Magnani.

A pesquisa em laboratório já foi concluída e agora os pesquisadores vão testar a eficácia do produto no campo. “Verificar se ela realmente funciona como repelente e em seguida incorporar ao manejo do greening”, disse Magnani.


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