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Araraquarense nada 53 km e completa travessia do Canal da Mancha

Mário Pinto é o 29º brasileiro a completar trajeto entre a França e a Inglaterra, considerado o mais perigoso do mundo

| ACidadeON/Araraquara

 

O Monte Everest das águas. Assim muitos nadadores definem a travessia do Canal da Mancha. O percurso, em linha reta, tem 34 quilômetros de largura e separa o norte da França do sul da Inglaterra. O araraquarense Mário Pinto, de 52 anos, é o 29º brasileiro a nadar esse trajeto que é considerado o mais perigoso do mundo. Devido a forte correnteza e a força da maré, Mário nadou incríveis 53 quilômetros para concluir a prova. Ele entra agora para o seleto grupo dos 12% que tentam e conseguem concluir o percurso.

Com o objetivo de vencer todos os limites do corpo e da mente o atleta levou dois anos se preparando para o desafio que completou no último dia 5 de julho. "Cheguei uma semana antes para treinar, me acostumar com a água, porque é um frio absurdo. Não consegui nadar na segunda-feira, na terça também não, por causa das situações adversas. Eu só soube quando ia nadar seis horas antes do início da prova", lembra o nadador.  

Mário nadou 53 quilômetros para conseguir concluir a travessia do Canal da Mancha
Mário largou em Dover, na Inglaterra, por volta das 3h30 da madrugada e chegou a Calais, no norte francês, as 15h35, concluindo a prova em 12 horas e 5 minutos. Calcula-se que sejam necessárias mais de 36 mil braçadas para concluir uma prova como essa.

"Nesses dois anos de preparação especifica para o Canal eu treinei muito na água, mas também me preparei muito mentalmente. Eu pensava em algo que meu treinador sempre me dizia, que eu tinha que começar e terminar. Então eu pensava em tudo que eu tinha passado, que eu tinha treinado, o cansaço, mas nadei com muita alegria, realizando meu sonho", contou Pinto.

Além da correnteza, que o tirou do caminho várias vezes, das cortinas de águas-vivas e das dores, a água gelada foi outro obstáculo a superar. Ao longo da prova, a temperatura do mar variou entre 12 e 15 graus. Para se proteger e evitar a hipotermia ele usou no corpo uma espécie de creme feito com uma mistura de vasilina e lanolina.

A primeira pessoa a nadar os 34 quilômetros sem colete salva-vidas foi o capitão da marinha mercante britânica Matthew Webb, em agosto de 1875. Ele levou 21 horas e 45 minutos e percorreu 61 quilômetros.

Em agosto de 1988, a nadadora paulista Renata Agondi, de 25 anos, morreu ao tentar completar a travessia. A dificuldade e o medo em enfrentar o desafio não tirou do nadador araraquarense a oportunidade de curtir aquele momento único em sua vida. "O fato de estar ali, na água, era a coisa mais legal que eu conseguia imaginar naquela hora", lembra Mário Pinto.

Na região, apenas 13 barcos estão autorizados a acompanhar atletas no Canal da Mancha. Cada um leva, no máximo, quatro nadadores, que são acompanhados por equipe especializada e seus treinadores. Devido as condições climáticas, que nem sempre são favoráveis, a travessia não ocorre todas as semanas.

A mulher de Mário, Geórgia Affonso, estava na embarcação que o acompanhou pelo canal. Ela foi a responsável pelos registros fotográficos, mas principalmente por todo apoio que o atleta precisava para alcançar seu objetivo. "Geórgia foi imprescindível. Desde o primeiro dia ela me apoiou, integralmente", reforça Mário.
A chegada foi marcada por muita emoção e torcida do treinador, dos amigos, e claro, da esposa. "Passa muita coisa na cabeça quando você chega. A emoção é enorme. É preciso sair da água, pisar na areia, ficar em pé e levantar o braço. Enquanto você não faz isso a travessia não é concluída. Eu tentei duas vezes e não consegui. Só na terceira vez eu consegui ficar de pé. Foi uma alegria muito grande", recorda Pinto.

Com o tempo oficial de 12h05, Mário Pinto conseguiu superar o tempo do primeiro brasileiro a atravessar o Canal da Mancha. Abílio Couto, em 1958, quebrou o recorde mundial ao concluir a travessia em 12 horas e 45 minutos.
"É uma sensação de dever cumprido, de meta conquistada, de estar com meu nome na história das maratonas aquáticas mundiais nesta que é considerada a travessia mais difícil do mundo", concluiu o atleta.  

Mário e a mulher Geórgia

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