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Atleta conta como foi sua caminhada até coleção de títulos e medalhas

Maratonista veio com a família para Araraquara em busca de um vida melhor e realizou seu maior sonho, o de estudar

| ACidadeON/Araraquara

O esporte ajudou Noeme Pereira a conquistar seus sonhos (Divulgação)
"O atletismo me escolheu e hoje ele é meu trabalho, minha profissão, minha paixão, minha diversão, meu lazer. É meu mundo". É com o peito cheio de orgulho e medalhas que a maratonista Noeme Maria Pereira, de 43 anos, conta como o esporte mudou sua vida por completo.  

Nascida em Porteirinha (MG), Noeme veio com a família para Araraquara no início da década de 90. Sem estudo e com uma mão na frente e outra atrás, seu pai, sua mãe e os seis filhos passaram a morar de favor na casa de familiares e viver de doações.  

"Eu sou de uma família muito pobre, não tinha nem o que comer, muito menos onde morar. Lá nossa situação era muito precária e, como meu pai tinha parentes que moravam em Araraquara, viemos para cá em busca de uma vida melhor. Quando chegamos, vivíamos de doações. Meu pai começou a trabalhar como pedreiro e eu, ainda adolescente, fui babá e empregada", conta.    

Noeme ganhou bolsa de estudou na faculdade, realizou o sonho de estudar e descobriu sua paixão: a corrida (Foto: Redes Sociais)
SONHO
Noeme trabalhava pesado, mas tudo em busca de um único sonho: estudar. Para ela, era somente através dos estudos que a situação financeira da família iria melhorar.
"Eu sabia que não seria fácil, mas queria estudar e fazer uma faculdade.Naquela época, as faculdades não contavam com bolsas ou qualquer outro tipo de financiamento, por isso, eu tinha que passar em uma escola pública. Meu sonho era ser advogada, então eu trabalhava durante o dia e cursinho pré-vestibular do Cuca a noite", ressalta. 

A atleta foi reprovada no vestibular por três vezes, mas nunca desistiu. E foi em um acaso que sua vida acabou tomando um novo caminho, bem longe dos tribunais.
Durante uma de suas caminhadas no Jardim Botânico, em abril de 2000, que um técnico viu Noeme e decidiu convidá-la para um teste.  

"Ele me parou e falou que sempre me via andando por lá, falou que tinha porte de corredora e me convidou para ir ao ginásio da pista fazer um teste. Para mim foi uma surpresa, pois já tinha 23 anos e não tinha característica nenhuma ao meu ver. Mas, achei importante agarrar essa oportunidade e fui no teste". 

Foi durante o teste que ela descobriu que por meio do esporte poderia realizar o sonho de estudar, já que poderia ganhar bolsa sendo atleta. A partir daí, agarrou a oportunidade e acreditou. Passou a se dedicar 100% em ser atleta e decidiu que queria chegar longe.

"Fiz tudo com muito prazer, paixão e vontade. Não foi fácil, eu caia, levantava e mesmo assim, continuei treinando muito. Eu descobri que não precisa ser superdotada, basta você querer e se dedicar, ter disciplina e perseverança naquilo que está fazendo. Foi então que alguns resultados começaram a aparecer por meio do esporte. Consegui uma bolsa de estudos para o curso de Educação Física. Inicialmente, ela não era minha primeira opção, mas logo no segundo semestre me apaixonei loucamente pelo curso e foi a melhor escolha que poderia ter feito. Fiz a faculdade, pós graduação e fui me especializando. Prestei concurso para a Prefeitura e hoje ensino atletismo para crianças e adolescentes", conta Noeme.   

Atleta conta como foi sua caminhada até coleção de títulos e medalhas (Foto: Redes Sociais)
24 HORAS
A maratonista conta que vive o esporte 24 horas por dia e foi essa dedicação que permitiu que Noeme alcançasse diversas conquistas. Entre as maiores de sua carreira está a quarta colocação no maior torneio de pista do Brasil. "Fui a quarta colocada nos 10 mil metros. além disso, tenho dez títulos de 10 km nos jogos regionais e já fui vice-campeã da SP City Maraton 2016 e 2017, perdendo para atletas do Kenya. Todas as conquistas tem mérito, pois a gente se dedica em cada uma delas, mas minha maior conquista foi mesmo ter agarrado a oportunidade de ser uma corredora. Isso mudou minha vida, tanto na área intelectual, como na profissional e econômico", completa Noeme, que hoje treina forte, visando as maratonas.  

Nem mesmo a quarentena foi capaz de desanimar a atleta, que logo reduziu as corridas, feitas geralmente em estrada de terra, para focar em outros treinos complementares, como fortalecimento, flexibilidade e mobilidade, o que dá para fazer em casa. "Não deixei de correr, só mantive um pouco para manter a condição aeróbia. Além disso, não há prova prevista até outubro, por isso não tem porque fazer altas quilometragens de treino", destaca.  

APOIO
Quando começou no esporte, a jovem atleta não recebeu o apoio de seus pais, já que, segundo ela, ser atleta no Brasil nem sempre é visto como uma profissão regulamentada. "Não tinha apoio no começo, depois de quase uma década eles acabaram se acostumando com a ideia e hoje me apoiam, gostam e torcem por mim".
Noeme segue sonhando e se dedicando ao esporte, levando o nome de Araraquara para todos os cantos do país.

"O que posso dizer aos jovens e adolescente de hoje é que nunca desistam de seus sonhos. É importante sonhar, seja qual for ele, mas o maior sonho deve ser estudar e adquirir conhecimento. Isso é importantíssimo", finaliza.

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