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Andreia Rosa fala de superação dentro e fora das quatro linhas

A paixão pelo futebol era tão grande, que até cabeça de boneca virava bola

| ACidadeON/Araraquara

Zagueira Andreia Rosa é uma das atletas que estão de volta a Ferroviária. (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
"Minha avó estava internada quando viajei para jogar a final do Campeonato Brasileiro contra o Corinthians. O título foi disputado nos pênaltis, eu fiz o gol e dediquei para ela. Minha irmã falou para minha avó que havia feito o gol que ela havia pedido e mostrou o vídeo do lance. Ela ficou feliz e minha irmã gravou um vídeo dela agradecendo. A final foi no dia 29 de setembro, levei a medalha no hospital para ela ver nossa conquista e ela acabou falecendo no dia 8 de outubro". 

Foi assim, um misto de alegria pela conquista do campeonato e a tristeza de perder sua fiel torcedora, que a zagueira Andréia Rosa, de 35 anos, fala sobre um dos momentos mais emocionantes de sua vida.   
 
Avó de Andreia agradece o gol - Imagem Instagram Andreia Rosa 
 
A avó, assim como toda a família, sempre acompanhou a jogadora a cada novo passo. Seja na arquibancada da Arena da Fonte ou assistindo pela tevê, ela voar nos gramados da Noruega ou vestindo a camisa da seleção brasileira.  

"Meu pai era goleiro de um clube da cidade e sempre gostou muito de futebol. Eles já tinham a minha irmã, quando minha mãe ficou gravida novamente. Meu pai falava que desta vez seria um menino e seria um jogador de futebol. Não veio o tão sonhado menino, mas, ele tem uma jogadora de futebol", destaca. 

Andreia nasceu na pequena São Pedro do Turvo (SP) e aos quatro anos de idade veio com os pais para Araraquara. Apaixonada por futebol desde bebê, ela só queria saber de brincar com a bola. Ela conta que até ganhava bonecas de presente, mas tudo acaba se virando para o futebol. "Quando alguém me dava boneca de presente, eu já arrancava a cabeça e jogava futebol com ela. Sempre foi minha brincadeira preferida. Brincava em casa, na rua e no Clube onde meu pai trabalha e atuava como goleiro", destaca.  

Primeiros passos
A jogadora deu seus primeiros passos para a profissionalização em 1997. Aos 13 anos ela passou a treinar no Play Soccer, onde aprendeu as regras do esporte. Aos 17 anos, ela descobriu que era isso mesmo que queria para o resto de sua vida e começou a atuar profissionalmente pelo time da Prefeitura de Araraquara em 2001. A equipe passou a ser patrocinada por um hipermercado, disputou diversas partidas e se profissionalizou. Não demorou muito e o time recebeu o nome e o peso da camisa grená.   

Zagueira Andreia Rosa está de volta as Guerreiras Grenás. (Foto: Reprodução/AFE TV)
Preconceito e desvalorização
Mas a vida de jogadora nem sempre foi fácil. Na escola, Andreia conta que tinha vergonha, pois foi muito xingada e o tempo todo ouvia palavras preconceituosas. "Mas eu sabia que era isso que eu queria e não desisti. Acordava de madrugada para ver os jogos da Copa do Mundo e Olimpíadas, sempre pensando que um dia chegaria lá". 

A desvalorização do futebol feminino quase fez Andreia desistir de seus sonhos, mas a vontade de jogar era maior. "As pessoas falavam para eu procurar um emprego, que futebol não dava futuro. Mas eu sabia que era isso que eu queria, esse era meu trabalho e foi ele que me deu tudo que tenho hoje. Sou muito agradecida por tudo que o esporte tem me proporcionado", ressalta.  

Em sua experiência na Noruega, Andreia conta que no país o esporte é incentivado desde a infância e o futebol feminino é uma opção presente nas escolas. "Era comum ver nos campinhos mais meninas jogando que meninos, mas financeiramente, elas ainda lutam pela equiparação. Na seleção eles conseguiram isso, mas nos clubes ainda há dificuldade. Aqui percebemos que o nosso futebol vem sendo valorizado e acho muito legal essa conquista de títulos, para incentivar outras meninas a seguirem seus sonhos".  
A atleta destaca ainda que o reconhecimento que as atletas grenás vêm tendo em Araraquara é indescritível. Nas ruas, as frases parabéns e tira uma foto tornaram-se frequentes para as Guerreiras, que se enchem de orgulho a cada nova conquista.  

Guerreiras Grenás fazem novo duelo na busca pelo Bi Brasileiro. (Foto: Divulgação/Jonatan Dutra/AFE)
Títulos
Andreia é tetracampeã paulista, pentacampeã dos jogos regionais, campeã da Copa do Brasil com o Saad, vice com o Botucatu e Palmeiras, além de conquistar a medalha de prata nas Olimpíadas de Pequim, no ano de 2008.  

Na Noruega foi campeã da Copa da Noruega e campeonato norueguês. De volta ao Brasil, conquistou o Campeonato Brasileiro e o vice da Libertadores. 

"A gente treina seis dias por semana, entre campo e academia. Sou muito competitiva e por isso, apesar de todos os títulos serem importantes, ser campeã da Libertadores do próximo ano virou questão de honra para mim", finaliza Andreia que treina hoje, mas de olho em 2020.

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