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Fonte Luminosa completa 70 anos da inauguração em Araraquara

Construído em 100 dias sem nem arquibancadas, local se tornou referência no interior de SP

| ACidadeON/Araraquara

Estádio Doutor Adhemar Pereira de Barros, a Fonte Luminosa. (Foto: Arquivo Tetê Viviani)
 

Palco de jogos marcantes e celeiro para revelação de atletas que marcaram o futebol brasileiro, o estádio doutor Adhemar Pereira de Barros, conhecido como Fonte Luminosa, completa sete décadas de sua inauguração, nesta quinta-feira (10). 

O local também é símbolo de Araraquara e orgulho de todo torcedor da Ferroviária. Afinal, é na Vila Ferroviária onde o araraquarense coleciona bons momentos, como títulos do masculino e feminino, torcida por grandes craques e, claro, período não tão bom, como do rebaixamento da Série A3 para a B1. 

Há 70 anos, o templo do futebol araraquarense era inaugurado com a partida entre Vasco da Gama e Ferroviária. O resultado em campo foi amargo, 5 a 0, mas pouco importou, como explica o responsável pelo Museu do Futebol e Esportes de Araraquara, Gustavo Ferreira Luiz. 

"Era o melhor time do Brasil na época, base da brasileira que tinha sido vice-campeã mundial na Copa de 1950 e o Vasco venceu, mas o resultado foi o que menos importou na época, o estádio ficou lotado, era uma grande novidade para a cidade ter o melhor time do Brasil jogando contra a Ferroviária recém-fundada", diz à EPTV Central.  

Guerreiras foram campeãs brasileiras na Fonte Luminosa (Foto: Matheus Biasiolo/Divulgação)

A Fonte Luminosa, como foi batizada posteriormente passou por duas reformulações, em 1970 e a mais significativa em 2008, quando foi rebatizada de Arena da Fonte. Neste período o estádio também deixa de pertencer ao clube e passou a ser propriedade da Prefeitura Municipal de Araraquara. 

Mas além dessas, há histórias de reformas guardadas na memória dos filhos de ferroviários. Segundo o relato, após o primeiro acesso da Locomotiva Grená, na década de 1960, a Federação Paulista de Futebol exigiu a ampliação da capacidade e não havia recursos para realizar uma grande obra. 

"Ficou resolvido que os filhos de ferroviários levariam marmitas de quatro andares nas oficinas, eles almoçavam, lavavam as marmitas, as enchia de porcas e parafusos para serem colocados na nova arquibancada de madeira para fazer o estádio ficar em condições para disputar o campeonato", relata o radialista Wilson Silveira Luiz.  

Ferroviária (de amarelo) e Ituano fizeram o jogo de abertura da Fonte Luminosa, já como Arena. (Foto: Arquivo Tetê Viviani)

Nos gramados da Fonte Luminosa, craques do futebol brasileiro, como o Rei Pelé encantaram os torcedores. Jovens talentos também iniciaram sua trajetória no futebol dando os primeiros passes na Fonte Luminosa, como os zagueiros Dama e Marcão. 

"Tenho uma recordação muito boa da primeira partida que fiz no profissional, em 1982 contra o Santo André. O seu Brida, do profissional, conversando com o Bazani, que era o técnico do júnior, falou que os zagueiros estavam machucados e ele disse: leva o Marcão. Fui, treinei muito bem, entrei e fiz o gol da vitória. Isso foi o início de tudo", relata Marcão. 

"Jogamos com o América de Rio Preto, estava perdendo de 1 a 0 e a torcida gritando com a gente, xingando e o Américo fez o gol e empatou. Ele saiu correndo foi festejar na Boca do Lixo, só que na época era alambrado, ele pisou na mão do torcedor e xingava o rapaz", relembra Dama.  

Arena da Fonte Luminosa é um dos símbolos de Araraquara (Foto: Reprodução / TV Ferroviária)

A Boca do Lixo não existe mais, deu espaço para as cadeiras grenás das arquibancadas. Mas muitos torcedores conhecem histórias das cobranças que eram feitas aos jogadores quando saíam do gramado e iam em direção aos vestiários do clube. 

"Uns eram xingados, outros aplaudidos, e os que eram xingados, naquele tempo era comum levar bananas, mexerica no estádio e as pessoas jogavam muitas coisas nos jogadores e árbitros. Então esse foi um apelido que pegou", resgata Gustavo Ferreira Luiz. 

A nova Fonte Luminosa foi palco, em 2014, do primeiro título Brasileiro das Guerreiras Grenás, conquistado de forma invicta. No ano seguinte também teve fim um ciclo indigesto ao torcedor, com o título da Série A 2 e acesso à elite paulista depois de 19 anos, com invasão dos torcedores ao gramado após empate com o Guarani. 

Apesar de hoje ser referência em arena multiuso no interior de São Paulo, há marcas da antiga Fonte Luminosa, presentes nos refletores desde a década de 1960 e as escadas que dão acesso as arquibancadas, que são muito mais do que simples barras de ferro. 

"A Ferroviária havia sido fundada pela Estrada de Ferro Araraquara (EFA), então o terreno, os operários que trabalharam, material, veio tudo da estrada ferro. O que ficou daquela época são as escadas que dão acesso ao ferrão de entrada, pois a estrutura que suporta são trilhos do trem", explica o responsável pelo Museu. 

A Ferroviária é o time que mais vezes pisou no gramado, enquanto Palmeiras e Corinthians foram os grandes clubes paulistas que mais atuaram na Arena da Fonte.  Em dezembro de 2019, o local recebeu um amistoso internacional com mando da seleção brasileira feminina. Na oportunidade, o Brasil goleou o México, por 4 a 0.

O maior goleador da história da Locomotiva também está eternizado no estádio, com um busto no portão de entrada principal. Olivério Bazzani Filho, o Bazani foi o maior artilheiro da equipe, com 244 gols. Ao todo, o Rabi, como era conhecido, vestiu o manto grená 758 vezes, entre os anos de 1954 a 1976.

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