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Morre o diretor, bailarino e ator araraquarense Paulo Afonso Perez

Apaixonado pelos palcos, foi ícone de uma geração e inspiração para novos artistas

| ACidadeON/Araraquara

Paulo Afonso Perez morreu no final da noite de terça-feira (05), em São Paulo. (Foto: Arquivo Pessoal)
 
(Por Willian Oliveira)  

Morreu no final da noite de terça-feira (0, o bailarino e ator araraquarense, Paulo Afonso Perez, de 57 anos. Ele estava internado há uma semana no Hospital Artur Ribeiro de Saboya, que fica no Jabaquara, em São Paulo.

Vítima de uma pneumonia, agravada pelos problemas no fígado e pâncreas, que ele havia descoberto recentemente, o artista era uma referência no teatro e também na dança. Seu corpo será velado no teatro Ruth Escobar, na capital até às 19h30 desta quarta-feira (06) e depois virá para Araraquara onde também será velado (local e horário não definidos) e sepultado no cemitério São Bento, ao lado do pai.

"O teatro e Araraquara perdem um grande homem. Um artista completo, que amou o muito sua profissão. Ele era tão querido que os artistas em São Paulo não deixaram a gente trazer ele pra cá antes de ele ser velado em um teatro lá. Nós, como família, entendemos que a vida dele foi dedicada aos palcos e essa é uma justa homenagem a ele", disse o irmão, Humberto Perez, bastante emocionado.

A vida do artista

Paulo Perez nasceu em Araraquara, era o caçula da família e tinha cinco irmãos. Fez Tiro de Guerra e deixou a cidade aos 20 anos para cursar jornalismo em São Paulo.  

Na capital ele foi assistir um espetáculo de dança e teatro chamado "Paixão", dirigido pelo coreógrafo espanhol Victor Navarro. "Eu fiquei apaixonado, assisti dois dias e fiquei chorando lembrando daquilo e pensando que era aquilo que queria fazer", disse Paulo Perez, há alguns anos, em uma entrevista ao apresentador de TV, Surrey Youssef.  

Nascia aí um amor pelos palcos que se estenderia até o último dia de sua vida. Paulo largou a faculdade e, escondido dos pais e irmãos, entrou em uma escola de dança. "Imagina, era uma família de seis homens, ia apanhar bastante se fizesse isso (contasse sobre a dança), disse ele.

Os pais e irmãos só descobriram o que o artista fazia na capital quando foram chamados para assistirem a uma apresentação dele no Teatro Municipal da São Paulo. "Aí eles gostaram", lembrou Paulo Perez na entrevista.

Enquanto ensaiava em uma escola de dança, seu ídolo, Victor Navarro retornava de Barcelona para remontar sua peça de maior sucesso por aqui: "Paixão". O coreógrafo viu Paulo Perez dançar em um ensaio e o convidou para participar do espetáculo.

O araraquarense ficou dois anos na Companhia do artista espanhol. Ao se apresentar no Teatro Disco Voador, no Rio de Janeiro ele conheceu a atriz Lucinha Lins e ao lado de outros grandes artistas começou a encenar e dançar em outros musicais.

A partir daí sua carreira deslanchou. Fez musicais infantis e adultos como ator e bailarino, começou a coreografar teatro infantil, adulto, passou a dirigir espetáculos e recebeu dezenas de prêmios ao longo da carreira.

Participou de grandes montagens como "Estrela DAlva", com Marília Pêra, "The Fantopera da Asma", com Lucinha Lins, "Super Mãe", que comemorou os 50 anos de Eva Todor, Laços Eternos e Amor Venceu, esta última ficou em cartaz por 13 anos.

Entre os musicais infantis se destacam as produções de Peter Pan, Cinderela, Alice no País das Maravilhas, entre outros. Foram quase duas décadas dedicadas a encantar crianças no teatro Paiol.  

Os espetáculos para crianças aconteciam todos os dias, sem folga, quatro vezes ao dia. Paulo Perez dirigia, administrava, fazia a iluminação e quando artistas faltavam ou se machucavam ele também atuava. "Eu tinha que saber todos os papéis", lembrou ele.

Comoção

A morte de Paulo Afonso Perez comoveu o meio artístico, mas também os amigos. Nas redes sociais é grande o número de manifestações. São pessoas lembrando dos momentos felizes que passaram ao lado do bailarino, das dificuldades do início da carreira e do quanto ele inspirou as novas gerações.

Fabrício Cavalcanti escreveu: "O grande palhaço mesmo sem lona, o grande ator mesmo sem grana, o grande artista! Muitos aplaudem com lagrimas e dor, hoje foi o dia, a cortina fechou, último ato de uma peça fantástica desse átomo de vida, desse personagem, Paulo que tanto foi Pedro, foi Carlos, que por tantas vezes foi Solias. Soluços por emoções que engasgam, aranhando lembranças, perturbando tantos nomes por consecução e sobrenome, dilapidando portento o bailarino que bailou e desafiou como poucos tantos ritmos profusos de compassos mais que perfeitos".

Ana Curi lembrou da importância de prestar a última homenagem ao amigo no teatro: "Sim ele será velado aonde ele passou a maior parte dessa vida, no teatro. Luz amigo querido".

Já André Colin destacou a generosidade do artista com os colegas de palco: "Meu primeiro diretor, a primeira pessoa que me abriu portas no teatro em SP. Uma generosidade e um coração enorme! Tive o prazer de te conhecer, ser dirigido e atuar com você. Muito obrigado, descansa "Véi"!

Éder Marçal também se despediu do amigo com uma mensagem no perfil de Paulo Perez. "Queria ter ao menos 5 % do talento desse cara que se transformava a cada cena, a cada espetáculo. Paulo era ator, diretor, cenógrafo, figurinista e amigo. Fazia tudo com muito amor, com muita propriedade, um cara iluminado que DEUS colocou no meu caminho e agora parte nos deixando orfãos da sua arte, da sua presença. Descanse em paz meu querido Paulo Afonso Perez".

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