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Política

Vereadores rejeitam acabar com a pulverização aérea de agrotóxicos em Araraquara

Maioria dos parlamentares entendeu que proibição seria uma medida drástica e que poderia gerar mais desemprego

| ACidadeON/Araraquara

Representantes favoráveis e contrários ao projeto foram à Câmara (Amanda Rocha/ACidadeON)
 

A pulverização de agrotóxicos com o uso de aviões foi tema de um debate bastante acalorado e polêmico na sessão da Câmara de Araraquara. Um projeto de lei, de autoria de Édio Lopes (PT), pretendia proibir completamente a prática, muito utilizada nas plantações de laranja e cana-de-açúcar na área rural da cidade, mas foi rejeitado por 10 votos a 6.  

De um lado dessa discussão ficaram os produtores familiares. Muitos deles argumentam que a deriva [toda aplicação que não atinge o local correto] das substâncias acaba afetando as suas produções e, por isso, eles não conseguem a certificação completa de produtos orgânicos. O vereador petista apresentou ainda dados e pesquisas reforçando a sua tese: de que é necessário o fim dessa prática.  

Na Tribuna Popular, o servidor técnico da Unesp de Araraquara, Caio Humberto Perego, defendeu os pequenos produtores e apontou dados demonstrando que a produção orgânica ganha força no País. Em entrevista ao ACidadeON, ele reafirmou a preocupação com o alcance que esses produtos químicos têm. "Não há um dado seguro sobre. Sempre é pouco que atinge o alvo e o resto vai parar nos cursos dágua. Uma pesquisa muito embasada da Unicamp mostrou que as águas de Araraquara estão contaminadas", disse.  

Do outro lado da discussão ficaram os representantes de entidades ligadas ao agronegócio regional, em especial aos setores da laranja e cana-de-açúcar. Várias federações e órgãos da agroindústria se posicionaram contra a proibição.  

Para esses representantes, não é possível, hoje, utilizar outros mecanismos de pulverização. Eles apontam que a aprovação da medida poderia gerar mais desemprego para a região e ocasionar uma cadeia de prejuízo que afetaria todo o País, já que a região de Araraquara tem uma indústria agro muito grande.  

Juliano Ayres, gerente geral do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), acredita que o resultado da votação foi uma vitória. "Todos os setores estavam angustiados e o bom senso prevaleceu. É uma ferramenta que a agricultura não consegue viver sem. É impensável. Ficamos muito felizes que se teve a melhor atitude e é possível perfeitamente compatibilizar a agricultura convencional - com o uso de pesticida e a orgânica", afirmou.  

No entanto, Ayres reconheceu que é preciso melhorar a gestão e fiscalização dessa ferramenta, exatamente para evitar a contaminação de mananciais, matas e rios, mas argumentou que a proibição é uma medida drástica. "O que nós recomendamos é que se fiscalize e se oriente. A proibição seria um grande retrocesso. Existem muitos pontos a serem aprimorados", pontuou.   


Entre os vereadores
O tema causou bastante discórdia entre os vereadores. Edio Lopes defendeu seu projeto e apresentou dados alarmantes. Já os contrários ao projeto apresentaram dados bem mais amenos sobre os efeitos dessa prática. Também houve uma discussão forte a respeito da constitucionalidade do projeto de lei e se o município teria ou não o poder de legislar sobre esse tema.  

Por fim, a maioria dos parlamentares foi na linha de que a proibição seria uma medida drástica demais. Votaram contrários ao projeto Rafael de Angeli, Elton Negrini e José Carlos Porsani (PSDB), Elias Chediek, Magal Verri, Tenente Santana e Gerson da Farmácia (MDB), além de Lucas Grecco (PSB) e Edson Hel (PPS).
Votaram a favor do texto Edio Lopes, Paulo Landim, Toninho do Mel e Thainara Faria (PT), além de Zé Luis (PPS) e Pastor Raimundo (PRB).

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