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Política

Faro fino: Com caixa apertado, Prefeitura prepara pacotão para vender áreas esportivas

Venda de imóveis é estratégia para tentar custear a máquina pública que patina na crise financeira

| ACidadeON/Araraquara

 
Saldão  

Se pesa no histórico de Edinho Silva vendas da gestão passada como o Estádio Municipal e uma rua para a Cutrale, senta que vem mais. A Prefeitura de Araraquara deve ampliar sua política que deixaria qualquer corretor com inveja, ou seja, promete vender imóveis para conseguir engordar um pouco os cofres públicos e enfrentar a crise financeira. A ideia é colocar a disposição do mercado áreas que já tem autorização da Câmara para alienação. Para isso, precisa somente dos votos dos vereadores para que outras sejam comercializadas.  

Não é o primeiro  

Quem acompanha o tema sabe bem que essa política não é nova na gestão Edinho. Em sua primeira passagem pelo sexto andar da Prefeitura, ele enfrentou batalhas e questionamentos semelhantes ao propor e conseguir vender um trecho de aproximadamente 300 metros da rua Deputado Emílio Carlos, no Melhado. O espaço foi comprado pela Cutrale, que usou a área para ampliar sua indústria de suco. Depois, foi o responsável pela venda dos Hotéis Eldorado (hoje Morada do Sol) e Municipal e, por último, o Estádio Municipal, acabou nas mãos da iniciativa privada, no caso o Clube Araraquarense.  

Campo da Atlética Ferroviária  

O mais novo alvo na mira do município é o campo onde hoje atua a Associação Atlética Ferroviária. O espaço, avaliado informalmente em R$ 3 milhões, é da Prefeitura, mas é usado, administrado e cuidado há mais de 80 anos pelo futebol amador. A projeto que prevê a alienação (leia-se venda mesmo) deveria entrar em discussão na sessão da Câmara desta terça-feira (26), entretanto, o município ainda não conseguiu convencer a maioria dos parlamentares. E cá entre nós, ao menos, por ora, parece improvável.  

Nem a pau!  

A proposta tem recebido inúmeras críticas da população e principalmente dos entusiastas do futebol. Corre nos bastidores esportivos que um grupo organiza um abaixo-assinado para tentar barrar essa iniciativa comercial (que já teria investidor bem interessado no espaço). "Nós temos que propor esse debate com a Câmara e com a população e vamos continuar fazendo isso porque nós entendemos que é importante. Com certeza com esse dinheiro podemos dar um salto de qualidade em outros espaços da cidade", defendeu o secretário de Esportes, Everson Miguel Inforsato, o Dicão, em entrevista ao Jornal Regional, uma co-produção entre ACidadeON e Jovem Pan.

Clube Estrela  

Sobre a Atlética, a Associação já avisou que vai tentar colocar o projeto no banco de reservas. E afirma: a venda é um gol contra da Prefeitura. Muita gente também acredita que um motivo seria a ligação da área com o MDB, partido oposição do PT. Dicão afirma que a informação não procede. E você leitor, achou ruim isso tudo? Calma, tem mais! O Clube Estrela também entrou no radar da Prefeitura e o projeto para sua venda está nas mãos dos vereadores, todavia, sem data para ser votado. Nesse caso o principal interessado e provável comprador é conhecido: o Departamento Autônomo de Água e Esgotos (Daae). Que, até então, tinha perdido o poder de investimento para outras áreas. Agora, parece ter dinheiro para aumentar sua área administrativa em uma área considerada nobre.  

Água doce, preço salgado  

O preço estimado para a aquisição do imóvel é de R$ 7 milhões. A autarquia quer ampliar sua sede administrativa e também as instalações operacionais. Questionado, o superintendente do Daae, Marcos Isidoro, garantiu que há dinheiro em caixa para a compra, contudo admitiu que o orçamento precisaria sofrer alterações. "Qualquer valor que é retirado do orçamento, você precisa fazer essa revisão. Ela é necessária e fundamental. Entendemos que existe essa margem de manejo no orçamento do Daae para atender a essa demanda", afirma.  

Campo do Palmeirinhas  

Comprado pela administração de Marcelo Barbieri com a promessa de que seria mais uma área de lazer para os moradores, o espaço quase foi vendido no final de 2016, só que faltou compradores. Agora, a Prefeitura deve oferecê-la novamente para a iniciativa privada. Embora esteja em uma área histórica da Vila Xavier, seu espaço não é tão grande o que dificulta a construção de edifícios, principal interesse dos investidores naquela região.  

Pasto  

O Campo do Palmeirinhas está abandonado. Tem até pé de mamão plantado no lugar do gramado. Moradores relatam que até um burro constantemente pasta pelo local. Aliás, o animal é o único que tem cuidado do mato por ali. Mato este que incomoda os moradores que torcem para que alguém adquira a área e faça logo algo mais útil do que cercado para engorda de animais.  

Antigo Hospital Psiquiátrico  

O antigo Hospital Psiquiátrico, localizado na Vila Xavier, teve muitas chances de ser recuperado e transformado em um espaço público, mas as ideias nunca saíram do papel. Hoje, literalmente abandonado e caindo aos pedaços, ele também deve entrar na "queima de estoque" porque os vereadores da legislatura anterior já autorizaram sua alienação.  

Prédio da CTA  

Localizado no coração da Fonte Luminosa, o prédio da antiga CTA faz brilhar os olhos de muitos investidores. Interlocutores de Edinho Silva afirmam que o espaço também deve ser vendido, porém, primeiro é preciso sanar pendências judiciais que complicam e impedem a alienação. O Daae também está de olho nesse espaço.  

Prefeitura quer vender campo da Atlética

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