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Política

Apesar de maioria entre eleitores, mulheres vivem abismo com a politica

Araraquara possui 88.683 eleitoras, porém, 11,1% de representação no Legislativo; nunca uma mulher governou a Morada do Sol

| ACidadeON/Araraquara

Em cima: Deodata do Amaral, Gabriela Palombo, Edna Martins, Olinda Montanari e Márcia Lia; embaixo: Juliana Damus, Helenita Turci, Geani Trevisóli, Vera Botta e Thainara Faria. (Foto: Memorial Câmara)


As mulheres representam a maioria dos eleitores em Araraquara - ao todo são 88.683, ou seja, 53,2%. Porém, este número diminui quando o assunto é participação nos espaços de decisão da política. Na atual legislatura da Câmara, por exemplo, são apenas duas representantes frente a 16 homens.  

O abismo aumenta quando se olha para um levantamento feito pelo Memorial do Legislativo de Araraquara em que indica a participação feminina nos 186 anos da Casa de Leis - fato é que o direito a voto foi conquistado somente em 1932 -, mas ao todo foram dez araraquarenses (veja foto) que chegaram ao principal espaço de decisão da política em nossa cidade.  

A primeira mulher a assumir um posto no Legislativo foi Olinda Montanari, que exerceu o mandato como suplente de vereadora convocada para assumir entre 1956 e 1960 a posse foi em 8 de setembro de 1956. Os registros do Memorial ainda trazem Rosa Furlan Alves, como a primeira mulher convocada para assumir em 1937, porém, ela renunciou ao cargo alegando motivos pessoais.  

Já no Executivo de Araraquara nunca uma mulher foi eleita, nem como vice, para ocupar os cargos mais importantes a partir do voto popular. Duas tentaram chegar ao 6º andar da Prefeitura, Edna Martins, em 2008 e 2016; e Márcia Lia, em 2012; porém, não alcançaram o número de votos suficientes e ficaram em segundo lugar.  

Realidade nacional
A realidade do distanciamento da mulher dos espaços de decisão da política não é uma exclusividade de Araraquara, como explica a doutora em sociologia Mirlene Simões. Para ela, se comparado com demais países da América Latina, o Brasil é um dos que tem menos representação feminina.  

"Independente do lugar, pode ser no Parlamento ou no Executivo, isso é agravado por causa das questões relacionadas a própria história do machismo em nossa sociedade que é extremamente forte. Às vezes pensamos que mulher vota em mulher, mas não é bem assim, pois se fosse já teríamos representações maiores do que em qualquer outro País, como por exemplo, a Argentina", afirma.  

Para a socióloga o machismo, apesar de aparentar estar distante da realidade das pessoas, é muito presente na sociedade, em especial na política. "A mulher que tem autonomia e opinião própria, a sociedade coloca que isso não está certo. O 8 de Março serve para isso, dizer que os espaços da política também são nossos, para que possamos superar essa cultura que persiste no nosso meio", explica.  

Uma das formas elencadas por Mirlene Simões para reverter o quadro de ausência feminina na política é usar a educação. Para ela, é preciso demonstrar desde a infância que os espaços da sociedade devem ser ocupados de forma igualitária.
"O lugar da mulher não é dentro de casa. É em qualquer lugar. Onde haja o respeito mútuo entre homens e mulheres", finaliza.

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