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Política

Sismar denuncia ao MPT trabalho precário na UPA de Araraquara

Dirigente fala que local não oferece segurança aos trabalhadores em meio a pandemia da covid-19; prefeito nega

| ACidadeON/Araraquara

Denúncia é de que UPA Central não possui EPIs (Foto: Amanda Rocha)
 

Falta de máscaras, roupas adequadas, sabonete de baixa qualidade, ausência de saboneteiras e toalhas com risco de contaminação são alguns dos pontos relatados pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar) ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em denúncia de trabalho precário na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central.  

Após ouvir as demandas dos trabalhadores, a dirigente da entidade Isabel Dias afirma que o relato é de omissão do Poder Público em relação a equipamentos de segurança em meio a pandemia do novo coronavírus. Segundo ela, falta o básico para que não tenha propagação do vírus na própria unidade de Saúde. 

"A queixa é de que está faltando material na UPA, pois o controle para liberação de máscara é rígido e o funcionário precisa usar no atendimento e trocar a cada duas horas, ou quando está úmida. Quando precisa trocar, é um verdadeiro Deus nos acuda para conseguir uma nova. Outra coisa que notamos é que não tem capote ou roupa correta para que eles trabalhem. O município deveria oferecer avental descartável, mas não tem", explica. 

Outro ponto abordado por Isabel Dias está relacionado ao uso de toalhas e ausência de saboneteiras, o que dificultaria na higienização. Os trabalhadores, segundo ela, também não conseguem tomar banho no local de trabalho ou até mesmo uma lavanderia para lavar as roupas, o que pode fazer com que carregue o vírus para os lugares que circula. 

"Não tem roupa adequada, coisa que o município deveria oferecer e uma lavanderia caso seja oferecida roupa para que o funcionário não saia de lá com a roupa impregnada pelo vírus. Não só a roupa, mas o cabelo, pois não tem touca e sabemos que o vírus pega no cabelo, braço e outras partes do corpo. O trabalhador sai dali, pega um ônibus e vai levar isso com ele", diz. 

A dirigente do Sismar alerta também para que a Prefeitura mude o modo como os pacientes aguardam atendimento. A sugestão é para que a área externa possa ser usada, já que em dias de superlotação pode causar a transmissão de doenças entre os próprios pacientes que estão esperando para passar pelo médico. 

"Estive lá ontem e vi aquela recepção lotada, um paciente sentado ao lado do outro, com acompanhantes, a Prefeitura precisava montar uma tenda lá fora, se for o caso, colocar cadeiras lá fora e ficar ao ar livre, para não ficarem naquela troca de vírus, bactérias, com um tossindo em cima do outro", sugere. 

Após a visita na UPA Central o Sismar encaminhou denúncia ao Ministério Público do Trabalho pedindo uma intervenção urgente. "Isso não pode esperar, porque é grave e quando isso se transformar em epidemia não vai ter quem segura. Queremos providências urgentes. Sabemos que não dá pra resolver tudo, mas dentro do que estamos vivendo, algumas coisas terão que ser deixadas de lado para prestar atenção na saúde, que é a prioridade", finaliza. 

Fala, Prefeitura!
Durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, o prefeito Edinho Silva (PT) negou que tenha falta de equipamentos de segurança aos funcionários que atuam na Saúde da cidade. Segundo ele, os trabalhadores estão orientados quanto ao momento que devem utilizar, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.  

"A orientação é que use a máscara quem está contagiado. A máscara não é um EPI de prevenção. Isso pode perguntar para qualquer profissional de saúde. A máscara é para quem já está contagiado. Agora nós estamos tomando todas às providencias, estamos suprindo todas as carências, pois é natural que a gente tenha um aumento de demanda, uma pressão maior, por causa da divulgação do coronavírus, mas a rede está preparada. Nossa rede de saúde está preparada para enfrentar", afirma. 

Ainda de acordo com o prefeito, não há uma orientação dos órgãos de saúde sobre a necessidade de utilização da máscara e isso cria apenas pânico nas pessoas. "O que se orienta é que quem já foi contagiado pelo vírus, que essa pessoa use máscara para que não transmita para outras pessoas. A prevenção é higienização, distância e evitar circulação", finaliza.

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