Aguarde...

Política

Redes sociais se tornam alternativa para pré-candidatos

Pré-candidatos tentam driblar dificuldade de encontrar eleitor, por causa da pandemia da covid-19

| ACidadeON/Araraquara

Candidatos usam as redes sociais já mirando nas eleições de 15 de novembro (Foto: F.L. Piton/Arquivo/ACidade)
 
ON ELEIÇÕES 2020 - ESPECIAL

Restando menos de quatro meses para as eleições municipais - previstas para ocorrer em 15 de novembro -, tem sido cada vez mais comum se deparar com pré-candidatos invadindo as redes sociais com publicações relacionadas a problemas da cidade e oferecendo soluções para eles. 

Em meio à pré-campanha e sem poder ir às ruas por causa da pandemia do novo coronavírus, a saída para muitos têm sido usar e abusar das ferramentas digitais para chegar até o eleitor. Facebook, Instagram, WhatsApp e até mesmo plataformas como Meets e Zoom ganham a cena pré-eleitoral e são os novos queridinhos dos políticos. 

A campanha eleitoral é permitida somente após 26 de setembro e a realização das convenções partidárias, porém, até lá o pré-candidato pode apresentar seu desejo de se candidatar a Prefeitura ou uma das 18 vagas na Câmara Municipal. Este é o primeiro elemento que justifica a presença dos postulantes nas redes. Outra é a possibilidade de links patrocinados para pré-candidaturas. 

O QUE PODE E NÃO NAS REDES?
Mas, se engana quem pensa que tudo é permitido na pré-campanha e também durante o período eleitoral. O advogado especialista em direito eleitoral, Kaleo Dornaika Guaraty, explica que é permitido fazer propaganda pela internet através de blogs, redes sociais e aplicativos, desde que o conteúdo tenha sido gerado por candidatos ou coligações. 

"Principalmente o que é permitido pela Lei é o uso de blogs, redes sociais e também mensagens instantâneas. Os partidos, as coligações e os próprios candidatos podem fazer propaganda por meio dessas ferramentas. O que é imposto é que eles sempre informem qualquer que seja feita a campanha na internet, o número do CNPJ ou do CPF do responsável, incluindo se é o partido ou o candidato que está pagando, além da expressão propaganda", afirma. 

O especialista em direito eleitoral relata que há diferentes proibições relacionadas a veiculação de propaganda eleitoral na internet, como por exemplo, o anonimato (fakes) ou a atribuição de propaganda a terceiro, inclusive candidato, partido ou coligação; contratação de militância virtual, "robôs" ou fakes, para emissão de ofensas ou para denegrir a imagem de candidato, partido ou coligação; a veiculação de propaganda eleitoral em páginas de pessoas jurídicas ou em sites oficiais ou hospedados por órgãos ou por entidades da administração pública direta ou indireta. 

Há ainda proibição do envio de mensagens em massa (spam), telemarketing ou, a compra de banco de dados de cadastros de endereços eletrônicos, telefones ou perfis pessoais para o envio de propaganda eleitoral e são vedadas às pessoas jurídicas e às relacionadas no art. 24 da Lei nº 9.504/1997 a utilização, doação ou cessão de cadastro eletrônico de seus clientes, em favor de candidatos, de partidos políticos ou de coligações.  

"A partir das eleições de 2018 tornou-se lícito impulsionar publicações contanto que a aplicação do orçamento seja feita pelo candidato, partido ou coligação, vedando-se a contratação por meio de pessoa natural ou intermediado por um terceiro. Ou seja, a contratação do impulsionamento deve ser feita diretamente pela candidata, partido ou coligação, e o provedor (Facebook, Instagram, etc.). Eleitores não podem impulsionar o conteúdo de seus candidatos. A polêmica gira em torno da natureza do dinheiro utilizado para financiar os impulsionamentos", finaliza Kaleo. 

DIFERENCIAL NA PANDEMIA?
A internet é sempre apresentada como uma boa solução para as campanhas eleitorais no Brasil, porém, apostar somente nela não é uma estratégia eficiente. Ao menos é o que aponta o consultor em marketing político e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Caio Manhanelli. Na análise do especialista, a televisão segue tendo grande repercussão nas campanhas. 

"Todo ano se diz que a internet vai ser um diferencial ou ter muita presença e no final das contas a gente acaba vendo o que aconteceu em 2018, em que o índice de audiência do horário eleitoral gratuito acabou aumentando em relação as outras eleições e registrando recorde em relação a toda a programação normal das emissoras, entre novelas e jornais. O horário eleitoral segue sendo o veículo ou canal onde as pessoas se informam sobre as eleições. Isso não quer dizer que o que se faz na televisão é tomado pela população do jeito que se entrega", defende. 

Questionado se o uso da internet pode ser potencializado por causa do período de distanciamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, Caio Manhanelli, ressalta que essa estratégia pode dar certo e resultado eleitoral apenas para os postulantes que já tinham um trabalho estabelecido nas diferentes plataformas. 

"A internet não é um veículo de massa e não é um veículo de propaganda. Ele está muito mais ligado a comunicação e integração, então depende de um processo um pouco mais largo, mais extenso para construir-se o canal de comunicação política", afirma. 

Para o especialista em marketing eleitoral, o pré-candidato que está estabelecido na internet deve levar vantagem sobre os demais, uma vez que a construção de redes - não apenas na internet, mas presencial -, é importante para uma disputa eleitoral, já que ainda é muito válido o boca a boca. 

"A lógica da internet, inclusive para venda comercial, quer dizer, as pessoas têm como principais influenciadores para tomarem decisões os seus conhecidos. Não são mais jornalistas, meios de comunicação pesados, o formador de opinião hoje é o amigo, então todo esse efeito rede já era muito utilizado em campanha eleitoral e a internet apenas potencializa isso", destaca. 

Por fim, o especialista da Abcop alerta para o bom uso das ferramentas na internet. "Se for bem usada e não pensada como veículo de massa, ela pode ser um diferencial em uma campanha. Mas, se for mal usada e imaginar a internet como uma emissora de TV ou como veículo só de uma mão, a internet será um fracasso para aquele candidato", finaliza.

Mais do ACidade ON