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Política

Vereadores com mais de 20 anos na Câmara de Araraquara não se reelegem

José Carlos Porsani (PSDB), Elias Chediek (MDB) e Juliana Damus (PP) estão fora do próximo mandato no legislativo

| ACidadeON/Araraquara

José Carlos Porsani, Elias Chediek e Juliana Damus deixam a Câmara depois de duas décadas (Foto: Reprodução)
 
Três vereadores de Araraquara, que estiveram no Legislativo por mais de 20 anos, não foram reeleitos para o próximo mandato na Câmara Municipal: José Carlos Porsani (PSDB), Elias Chediek (MDB) e Juliana Damus (Progressista).   
 
Entre os três, Porsani é o que por mais tempo esteve na Câmara, 28 anos, sendo eleito pela primeira vez em 1988, com 1.568 votos. Foi reeleito em 1992, 1996, 2004, 2008 e 2012. Em 2016, foi reeleito para sua sétima legislatura, com 1.068 votos.  

Entre 1997 e 2000, assumiu a secretaria Municipal de Assistência Social no governo de Waldemar De Santi, quando fundou o Centro de Capacitação do Adolescente e o Centro de Capacitação do Adulto. Em 2009, assumiu a secretaria de Assistência Social também no mandato do prefeito Marcelo Barbieri. 
 
Já Elias Chediek entrou na Câmara em 2000. Foi reeleito em 2004, 2008, 2012 e, novamente, em 2016, com 974 votos. Segundo a Câmara, entre os projetos de sua autoria, destacam-se: urbanização da área central da ferrovia, revisão e consolidação das leis municipais, cadastramento e regulamentação de bicicletas, duplicação da Rua José Barbieri Neto, preservação do Aquífero Guarani, IPTU Verde, solução para o lixo, prevenção de queimadas urbanas, projeto de transporte coletivo por meio de integração entre os ônibus e projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).  

Juliana Damus venceu sua primeira eleição em 2000. Em sua segunda legislatura foi a vereadora mais votada em Araraquara e hoje é a mulher que mais tempo ocupou uma cadeira na Casa de Leis. Segundo a Câmara, entre os projetos de sua autoria destacam-se a criação do Programa Momento Mulher; reserva de vagas para idosos nos estacionamentos de utilização publica; obrigatoriedade da realização de triagem auditiva neonatal nas maternidades e estabelecimentos hospitalares; lei que obriga as agências bancárias a colocarem biombos translúcidos onde ocorrem operações financeiras dos clientes para dificultar a visualização por pessoas interessadas em práticas de crimes, regulamentação do transporte de carroças e proteção aos animais tracionados e de correção ambiental, além de participação na elaboração do Protocolo de Atendimento aos Animais. 

Nas eleições deste ano, Porsani teve 457 votos; Juliana Damus, 497 e Chediek, 816. Ambos ficaram como suplentes de seus partidos, mas não terão mandato em 2021.  

O QUE LEVOU A NÃO REELEIÇÃO? 
O cientista político João Túbero acredita que a renovação na Câmara se deu por fenômenos distintos. "O primeiro deles, é uma recusa do sistema político e da política tradicional como um todo, uma tendência que já se revelou nas eleições municipais 2016 e que se fortaleceu no pleito de 2018, gerando uma recusa, por parte dos eleitores, dos partidos e políticos tradicionais, o que conduz à uma renovação dos quadros eleitos, tanto à direita, como à esquerda do espectro ideológico. Desse modo, figuras que estavam na Câmara Municipal há 20 anos acabam sofrendo com essa reformulação política", diz. 

Túbero também fala da composição das chapas destes candidatos que ficaram de fora não os favoreceram. "Existe uma dimensão importante que se relaciona com a composição das chapas para a disputa do Executivo em Araraquara. Partidos tradicionais como MDB e PSDB, de Chediek e Porsani, respectivamente, não lançaram candidaturas próprias para a disputa da prefeitura, o que costuma alavancar a votação da chapa de vereadores. Ao mesmo tempo, Coca Ferraz, do PSL, o candidato apoiado por esses dois partidos, acabou não tendo uma votação expressiva, o que pode ter enfraquecido ainda mais as candidaturas desses dois candidatos". 

Por fim, Túbero diz que o grande número de abstenções também deve ser levado em conta. "O crescimento das abstenções não pode ser menosprezado. Em 2016, quase 39 mil araraquarenses não foram votar, enquanto em 2020 mais de 55 mil eleitores não compareçam às urnas. Parte do aumento das abstenções se dá pela recusa à política tradicional como um todo, o que já impactaria essas três candidaturas em específico. Entretanto, podemos imaginar também que parte dessas abstenções tenham acontecido porque algumas pessoas desistiram de votar, ou por conta da pandemia (nesse caso, principalmente idosos e pessoas do grupo de risco), ou porque tiveram dificuldades com uso do E-título e, com isso, não tenham conseguido descobrir qual o seu local de votação. Assim, parte dos eleitores de Chediek, Juliana Damus e Porsani podem não ter desistido de comparar às urnas", reforça.  

Porsani em sessão da Câmara de Araraquara (Foto: Amanda Rocha)

JOSÉ CARLOS PORSANI  
Durante a sessão da Câmara da última terça-feira (18), todos os vereadores tiveram a palavra e aproveitaram o momento para falar sobre as eleições municipais. 

Muito emocionado, Porsani declarou: "não é fácil ficar dentro desta casa legislando, muitas vezes votando contrário a prefeito, enfim, cada um tem seu destino". 

"Agradeço a Deus por estes 28 anos de vida publica, 12 anos na secretaria de assistência e desenvolvimento social e agora vou descansar e ficar com a minha família", afirma.   

Elias Chediek durante votação na Câmara de Araraquara (Foto: Amanda Rocha/ACidade ON)

ELIAS CHEDIEK  
Elias Chediek agradeceu aos araraquarenses pela oportunidade de ter estado na Câmara durante 20 anos. Ele reforça que ainda não é uma despedida, já que ainda há pelo menos três sessões até o fim do mandato. 

"Quero agradecer pelos 816 votos e acredito que durante 20 anos de trabalho exerci meu trabalho com honestidade e compromisso".   

Juliana Damus na Câmara de Araraquara (Foto: Amanda Rocha/ACidade ON)

JULIANA DAMUS 
Juliana Damus, em seu discurso na sessão, ressalta sua trajetória na política de Araraquara. Ela que quando foi eleita pela primeira vez tinha 29 anos e foi a mulher mais jovem a ocupar o parlamento. Damus diz ainda que procurou seguir adiante o legado de seu pai, ex-vereador Elias Damus, sempre cobrando muito o poder Executivo e trabalhando por melhorias em Araraquara. 

"A democracia é um sistema legitimo e é natural que as pessoas queiram mudanças. Tivemos um ano difícil, por conta de uma pandemia, as eleições foram atípicas e eu encerro com a cabeça erguida e deixo meu legado nesta cidade", diz ela.


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