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Política

Vereador diz que golpe em 1964 foi 'contragolpe ao comunismo'

Parlamentar também chama professor de história de "maconheiro" no discurso

| ACidadeON/Araraquara

Fala de Carlão do Joia ocorreu durante sessão à distância da Câmara (Foto: Reprodução)

Caiu como bomba a fala do vereador Carlão do Joia (Patriota) durante o Pequeno Expediente - fala livre dos parlamentares - na sessão da última terça-feira (6). 

Defensor do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o parlamentar iniciou o discurso falando sobre democracia e disse que a mídia mente. 

"Quero falar sobre democracia, palavra tão usada nessa Casa, porém, com sentido diferente. Democracia é a vontade da maioria e ela elegeu Jair Messias Bolsonaro. Os que falam tanto em democracia precisa usá-la no dia a dia. Além de não aceitar a vontade do povo jogam contra o País com mentiras", defendeu. 

Na avaliação do vereador, o Brasil é um dos países que mais vacina contra covid-19. Ao todo, segundo ele, são mais de 13 milhões de doses e 500 milhões estão garantidas até o fim do ano. 

"Duas doses para os brasileiros e ainda vai sobrar. Para ter uma ideia, a Alemanha tem 80 milhões de habitantes, é a quinta parte do Brasil e vai terminar sua vacinação em março de 2022", disse. 

Ainda durante sua fala, o vereador defendeu o golpe militar de 1964. "Para deixar claro para quem não viveu a história e só ouviu aquele professor maconheiro de história contar, dia 31 de março não comemoramos um golpe, mas contragolpe, pois o comunismo estava sendo instalado no País e os militares responderam um chamado da população e interviu", concluiu. 

'EXTREMO DESPREPARO'
Na avaliação do colunista do ACidade ON e cientista político Bruno Silva, a fala de Carlão do Joia mostra um "extremo despreparo, desconhecimento profundo da história brasileira, além de ter ofendido os professores". 

"O que temos visto na Câmara de Araraquara e em tantos outros lugares são a mais completa desqualificação do debate político, além de ataques pessoais em relação às pessoas, pois se sou professor de história me sentiria extremamente incomodado de ser chamado de maconheiro", classificou. 

"Vamos dizer algumas verdades? Foi ditadura sim. Existe uma Comissão Nacional da Verdade que mostrou relatório que entre 1964 e 1985 foi o período que tivemos mais de 400 mortes, 20 mil pessoas torturadas, além de centenas delas desaparecidas do Brasil. Quer defender a posição dos militares? Pode fazer, mas não queira recontar ou desvirtuar a história para poder adequar ao seu argumento, ou visão de vida", concluiu. 

Segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade, entre 434 pessoas desapareceram ou morreram vítimas da ditadura militar no Brasil. O documento aponta que uma das vítimas, Luisa Augusta Garlippe, é nascida em Araraquara.


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