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Política

Comissão de Educação da Câmara prega respeito aos professores

Posicionamento ocorre após fala de vereador durante sessão ordinária; Carlão afirma que fala foi distorcida

| ACidadeON/Araraquara

Documento é assinado pela Comissão de Educação da Câmara de Araraquara (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
 

A comissão de Educação da Câmara de Araraquara pregou respeito aos professores, nesta quinta-feira (8), após repercussão de uma fala do vereador Carlão do Joia (Patriota) durante o Pequeno Expediente, da última sessão. 

O documento, assinado pelos vereadores Gerson da Farmácia (MDB), Luna Meyer (PDT) e João Clemente (PSDB), manifesta "respeito, admiração e solidariedade aos profissionais da educação, em especial os professores". 

"As palavras desrespeitosas dirigidas aos professores, taxando-os de "professores de História maconheiros", proferidas pelo vereador Carlão do Jóia, na Sessão Ordinária desta Câmara Municipal, na data de 6 de abril, não representam a opinião desta comissão", diz trecho da nota.  

REVEJA A FALA DO VEREADOR DURANTE A SESSÃO DA CÂMARA:



"Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. As pessoas mudam o mundo, disse Paulo Freire. E a peça central dessa mudança é a figura do professor. Como mediador do conhecimento, cabe a ele, educador, estimular a dúvida, a crítica, a curiosidade e a busca pelo saber. Esta reflexão, sim, representa o pensamento desta comissão", completa.  

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O documento ressalta ainda que sem alguém para ensinar e incentivar a pesquisa, não há tratamento de saúde, vacinas, políticas públicas, leis, artes, nem Estado.

"O professor merece respeito sim, pois, sem ele seria impossível formar cidadãos, passarmos adiante nossa história, aprendermos com os erros do passado e existirmos enquanto sociedade livre e autônoma", conclui. 

Fala de Carlão do Joia ocorreu durante sessão à distância da Câmara (Foto: Reprodução)


OUTROS POSICIONAMENTOS
Além da comissão de Educação, o vereador Rafael de Angeli (PSDB), líder do grupo de oposição na Casa de Leis, emitiu nota de apoio aos professores.

"Ao longo da minha carreira na política, estive lado a lado com os servidores públicos, lutando pela valorização dos professores e pelos demais profissionais da educação. Eles merecem todo o respeito e dignidade", diz trecho do documento.

De Angeli também ressaltou que apesar da união dos sete vereadores, cada mandato mantém sua autonomia e que falas individuais de cada parlamentar durante o Pequeno Expediente, bem como os projetos apresentados individualmente, não refletem necessariamente a opinião do grupo.

O MDB, partido do presidente da Câmara, Aluísio Boi, também emitiu nota de solidariedade aos professores. O documento classifica o ocorrido como "ataque sem escrúpulos", que atinge toda uma categoria abnegada e dedicada.

"O partido não compactua com atos dessa natureza, que agridem e ofendem quaisquer segmentos da sociedade, ainda mais de professores e profissionais de Educação, que são o alicerce e parte fundamental para formação de uma sociedade justa e igualitária", diz a nota. 

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também repudiou a fala do parlamentar de Araraquara. A nota da entidade afirma que Carlão "pregou ódio não apenas contra professores, mas todo magistério". 

"Esse vereador revela, assim, seu desprezo pela democracia e pela educação, fazendo o elogio do autoritarismo e da ignorância. Mas, ao contrário do que ele fala, foi graças, sim, aos professores de História e tantos outros educadores que
o Brasil pode conhecer a verdadeira realidade da ditadura, superá-la e, hoje, estar muito melhor preparado para defender a democracia".

O QUE DIZ CARLÃO DO JOIA?
Procurado, Carlão do Joia disse à reportagem que seu discurso durante a última sessão foi distorcida quando falava sobre a ditadura militar no Brasil.

"O que falei naquele dia é que não apoio ditadura nenhuma, inclusive essa da China, onde você não tem o direito de ir e vir, de trabalhar, aí fala que estou defendendo a ditadura. Disse também que não houve ditadura no Brasil, mas uma intervenção militar para salvar o Brasil do comunismo", afirma.

"Quem me conhece sabe da minha idoneidade e respeito. Não falei mal de professor, todos têm meu respeito e minha admiração. Agora, a esquerda distorceu minhas palavras e generalizou todo professor, como sempre tendenciosa. Tenho minha consciência limpa e todo professor tem meu respeito e admiração", finaliza.


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