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Política

100 dias na Câmara foram marcados por polarização política

Diferente da última legislatura, vereadores tem marcado posição sobre temas nacionais

| ACidadeON/Araraquara

Devido à pandemia da covid-19, Câmara teve que adotar plenário vazio e sessões online em 2021
 

Os primeiros 100 dias dos vereadores da Câmara Municipal de Araraquara foram marcados pela polarização política com a discussão de temas locais e nacionais. 

Na comparação com a legislatura anterior, tida como "morna" por muitos, pela disputa política tímida nos microfones das sessões, em 2021 os vereadores marcaram posição na Tribuna. 

Temas como ditadura militar, democracia, tratamento precoce, vacinação contra a covid-19 e até mesmo avaliação sobre o Governo Federal foram os assuntos mais abordados. 

Na análise do cientista político e colunista do ACidade ON, Bruno Silva, essa é uma característica importante do legislativo de Araraquara. 

"As definições de certos posicionamentos mais contundentes sobre a condução da pandemia, cuja maioria dos projetos e ações definidas pelo Legislativo giram em torno dessa temática, é responsável por captar todas as nossas atenções desde o início de 2020", explica. 

"Não teria como ser diferente, uma vez que as ações de enfrentamento e combate à pandemia ocupam em absoluto a agenda do Executivo, a qual é debatida e votada semanalmente no Legislativo. É importante não deixar de considerar que os municípios são responsáveis diretamente pela coordenação das ações na área da saúde, as decisões sobre restrições de serviços e atividades locais", completa.  

Legislatura também é marcada devido a renovação política ocorrida em 2020 (Foto: Reprodução)

Sobre a polarização política entre vereadores da base de governo e os de oposição, Silva considera que ficam expressos, em especial, nas falas de simpatizantes e críticos do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e sua condução de ações contra a pandemia. 

"Em relação às linhas políticas observáveis no parlamento, essa polarização elencada anteriormente contribui diretamente para entender o comportamento dos vereadores. Regra geral, a coalizão de apoio ao prefeito Edinho Silva procura atuar de maneira coesa defendendo as pautas apresentadas pelo Executivo, sem grandes contrastes internos", diz. 

Ao mesmo tempo, desde o início da Legislatura uma parcela dos vereadores buscam articular um movimento de oposição à Prefeitura e para isso foi formado o G7, que reúne os vereadores Rafael de Angeli (PSDB), Luna Meyer (PDT), João Clemente (PSDB), Carlão do Joia (Patriota), Lineu WL (Podemos), Marcos Garrido (Patriota) e Marchese da Rádio (Patriota).   

"O grupo é marcado por contrastes internos em relação aos posicionamentos políticos divergentes de seus membros sobre algumas pautas, sobretudo em relação aos posicionamentos ideológicos individuais que tem se sobressaído em relação a defesa das ações do presidente Bolsonaro por parte de alguns e, por parte de outros, contundente crítica", analisa Bruno Silva.  

Sete vereadores foram o bloco de oposição na Câmara (Fotos: Divulgação e ACidade ON)

Nestes primeiros 100 dias de mandato, foram analisados pelos vereadores 93 projetos de lei ordinária, dos quais 72 foram de autoria do Executivo (77,4%) e 21 foram de iniciativa do Legislativo (22,6%), o que na avaliação de Bruno Silva é natural.

"Percentuais esperados dentro de uma condição institucional na qual o Executivo controla a agenda das decisões no legislativo por conta poderes que possui. Aliás, considerando os projetos de iniciativa do Executivo, salta aos olhos a alta taxa de aprovação na câmara até o momento: foram 60 projetos aprovados, o que aponta para a habilidade política do prefeito na coordenação da sua base de governo", afirma.  

Ao todo, os vereadores também apresentaram 294 requerimentos (3% a mais, pois foram 261 requerimentos na legislatura anterior, no ano de 2017) e 1.537 indicações (cerca de 6% menos que os primeiros meses da legislatura anterior, que teve 1.633 pedidos).  

Vereadores de Araraquara após cerimônia de posse, em 1º de janeiro de 2021 (Foto: Divulgação/Câmara)

RENOVAÇÃO POLÍTICA
Outro ponto que marcou o início dessa Legislatura foi a ampla renovação política ocorrida na Casa de Leis, com a saída de lideranças políticas tradicionais como, por exemplo, Elias Chediek, Juliana Damus e José Carlos Porsani.

Ao mesmo tempo chegaram Luna Meyer (PDT), Guilherme Bianco (PC do B), João Clemente (PSDB), Carlão do Joia (Patriota), Marcos Garrido (Patriota), Lineu WL (Podemos), Marchese da Rádio (Patriota), Fabi Virgílio (PT), Filipa Brunelli (PT), Emanoel Sponton (Progressista) e pastor Hugo (Republicanos).

"Tamanha renovação veio acompanhada de um sentimento dos eleitores por mudanças de rumo na condução dos trabalhos do Legislativo municipal, uma vez que a legislatura anterior havia sido marcada por uma atividade do parlamento em constante "banho maria". Por sinal, a segunda característica importante que a câmara araraquarense vem apresentando nesses primeiros meses de trabalho desdobra dessa primeira", finaliza.





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