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Política

Câmara analisa pedido de cassação de mandato de cinco vereadores

Representação é contra Filipa Brunelli, Fabi Virgílio, Thainara Faria, Luna Meyer e Guilherme Bianco por falas consideradas ofensivas durante o uso da tribuna

| ACidadeON/Araraquara

Documento protocolado pede cassação de vereadores (Foto: Reprodução)


Os vereadores Marchese da Rádio e Carlão do Joia (Patriota), Hugo Adorno (Republicanos) e Lineu WL (Podemos) assinam um pedido de cassação do mandato de cinco parlamentares por suposta quebra de decoro. O documento foi protocolado na Câmara, na última terça-feira (27). 

A representação é contra as vereadoras Filipa Brunelli, Fabi Virgílio e Thainara Faria (PT), Luna Meyer (PDT), além do vereador Guilherme Bianco (PCdoB), por falas consideradas ofensivas durante o uso da tribuna, "extrapolando-se as prerrogativas" e ofendendo "diretamente a dignidade desta Casa de Leis", dizem trechos do texto. 

O pedido que tem 23 páginas enumera falas acaloradas durante a sessão em que foi votada a moção de repúdio ao projeto que tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), e que proíbe pessoas e famílias homoafetivas em campanhas publicitárias em todo estado. O texto foi barrado por 11 votos, no último dia 20 de abril.   

Representação foi feita por um grupo de vereadores (Foto: Reprodução)


No pedido de cassação, os quatro vereadores afirmam que sofreram ataques, ao serem acusados de compactuar com a homofobia e agressão a comunidade LGBTQIA+, favorecer a prostituição de travestis, além serem fascistas e lgbtfóbicos.  

O presidente da Câmara, Aluísio Braz, o Boi (MDB), confirma que houve o pedido, mas antecipa que a medida é exagerada.   

"Tem sim no pedido a cassação, mas a cassação é um caso gravíssimo. O caminho, eu penso que é conversar e colocar água na fogueira. Vamos conversar e ponderar as posições, sabemos que por ser um legislatura nova e aos poucos tudo vai se aprimorando", diz o presidente da Câmara.
 
Ainda segundo Boi, a Câmara vai trabalhar para garantir a harmonia entre os pares. O pedido será analisado e encaminhado, se necessário, individualmente ao Conselho de Ética, que é presidida por Emanoel Sponton (PP). 

"Neste momento estamos conversando e quando tiver clareza de todo o conteúdo vamos encaminhar para o conselho de ética para que avalie as falas e aí sim vai se conversar com os vereadores", diz o presidente da Câmara.

Os vereadores que assinam o pedido foram procurados pela reportagem, mas até o momento não se manifestaram. 

Por meio de mensagem, a vereadora Thainara Faria disse que não haverá pronunciamento da bancada petista, enquanto "a comissão de ética não nos chamar formalmente". 

A vereadora Luna Meyer seguiu a mesma linha e disse que ainda não foi citada.  

O vereador Guilherme Bianco afirmou que se trata de perseguição política. "Eu nunca ofendi nenhum outro vereador, nem o farei, pois acredito no debate de ideias. Por outro lado, fica claro a tentativa de colocar uma mordaça naqueles que defendem os direitos humanos e sociais, ainda mais quando o pedido parta justamente do setor da extrema direita. Não vão calar o que as urnas decidiram. Não vão nos silenciar. Seguirei na luta em defesa da comunidade LGBTQIA+, dos direitos humanos e da Democracia", afirma o parlamentar.


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