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Prefeito da região diz que aguarda verba após recusar propina

José Manoel de Souza, de Boa Esperança do Sul, afirmou que o ministério da Educação não liberou recursos para o município

| ACidadeON/Araraquara -

 

Milton Ribeiro e Manoel do Vitorinho (PP) durante encontro (Foto: Reprodução/Facebook)

O prefeito de Boa Esperança do Sul, José Manoel de Souza (PP), conhecido como Manoel do Vitorinho, disse que há mais de um ano espera a liberação de verbas do ministério da Educação para ampliação de uma escola infantil e compra de ônibus escolar. 

Em março deste ano, o chefe do Executivo disse que recusou pedido de propina de R$ 40 mil de um pastor ligado ao ministério. A solicitação teria sido feita em março do ano passado pelo pastor Arilton Moura. 

"Até hoje Boa Esperança do Sul não foi contemplada com nenhum recurso do MEC. Inclusive na semana passada a gente recebeu um e-mail, onde a gente teve que responder se o município tinha recebido algum recurso ou não", disse o prefeito ao g1.  

 
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"Essa também é nossa indignação, o MEC não tem um sistema que consiga ver os municípios que foram contemplados? Porém a gente segue à disposição para falar a verdade", completou.  

PEDIDO DE PROPINA

No dia em que fez os pedidos de verbas, após a reunião, o prefeito afirmou que o pastor Arilton fez a proposta de propina em um restaurante de hotel.  

"Depois de protocolar, ele convidou para almoçar no restaurante do hotel e disse é que lá vai estar o pastor Arilton e o pastor Gilmar, eles vão falar um pouquinho sobre as demandas que vão liberar para os municípios. Pegamos um táxi e fomos", disse o prefeito à EPTV, em março deste ano. 

"Ele [Arilton] falou: 'prefeito, você sabe como as coisas funcionam, não dá pra ajudar todas as cidades, mas eu posso ajudar seu município'. Perguntei como e ele [Arilton] disse que era com uma escola profissionalizante. Respondi que isso não era uma necessidade do município e ele disse: olha prefeito, eu consigo fazer um papel, um ofício agora, te libero a escola, mas em contrapartida você precisa depositar R$ 40 mil na conta da igreja evangélica'. Eu levantei, bati no ombro dele e falei muito obrigado, pastor. Pra mim, dessa forma, não serve!", contou na ocasião.  

O prefeito já prestou depoimento sobre o caso na Controladoria-Geral da União (CGU) e no Senado. 

PRISÃO DA POLÍCIA FEDERAL 

Arilton é um dos investigados pela Polícia Federal na operação que prendeu, nesta quarta-feira (22), Milton Ribeiro. O ex-ministro da Educação é suspeito de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência por suposto envolvimento em esquema para liberação de verbas do ministério. 

O prefeito de Boa Esperança do Sul comentou a prisão do ex-ministro. "Realmente concretiza tudo aquilo que a gente denunciou, para que realmente fosse cumprido mandado de prisão é porque realmente tem provas documentais. Agora, se isso vai acabar com a corrupção, acho uma pergunta meio difícil de te responder", afirmou. 

A prisão do ex-ministro foi determinada pela Justiça por causa de um suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas. A investigação envolve um áudio no qual ele dizia liberar verbas da pasta por indicação de dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido de Bolsonaro. 

Em nota divulgada em março, Milton Ribeiro negou favorecimento a pastores e também que a prática ocorresse a pedido do presidente. 

 
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