Edinho é citado em delação de diretor da JBS

Segundo delator, prefeito sabia que dinheiro de propina seria enviado a Michel Temer; Edinho diz ter agido dentro da legalidade

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    • Da reportagem
ACidade ON - Araraquara
 

 

O prefeito de Araraquara Edinho Silva (PT) foi citado no depoimento de Roberto Saud, diretor da JBS, ao Ministério Público Federal. Edinho foi o coordenador de campanha da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014.

O delator afirmou que o presidente Michel Temer (PMDB) teria recebido R$ 15 milhões do Partido dos Trabalhadores para financiar sua campanha à vice-presidência, em 2014.

O dinheiro teria saído de uma conta que a JBS mantinha com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a campanha da chapa Dilma-Temer em 2014. Segundo o delator, essa conta tinha R$ 300 milhões para serem distribuídos em forma de propina.

Saud afirmou que se reuniu com Edinho em agosto de 2014 e que teria avisado o atual prefeito de Araraquara que Temer estava cobrando os R$ 15 milhões. Nesse momento, Edinho teria dito que seriam enviados R$ 5 milhões a Temer. No entanto, depois veio a ordem para que fossem enviados os R$ 15 milhões ao atual presidente.

Edinho responde

Por meio de sua assessoria de imprensa, Edinho afirma que esteve por diversas vezes com o empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, solicitando doações para a campanha de Dilma-Temer, já que essa era sua função, "mas todas ocorreram de forma lícita, seguindo rigorosamente a legislação eleitoral. Todas as doações estão declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral".

Dinheiro repartido

Segundo o delator Roberto Saud, esses R$ 15 milhões foram repartidos, sendo R$ 9 milhões pagos em cinco parcelas ao PMDB nacional como ‘propina dissimulada em forma de doação oficial' e outros R$ 3 milhões teriam sido entregues a um intermediário do ex-deputado Eduardo Cunha em um posto de gasolina no Rio de Janeiro.

Os outros R$ 2 milhões teriam sido repassados a Duda Mendonça como parte do pagamento pela campanha de Paulo Skaf ao governo paulista. Ainda de acordo com o delator, o pagamento a Duda Mendonça foi feito como se ele tivesse prestado serviço a empresas do Grupo JBS.

Depois que havia se reunido com Edinho, Saud disse que teve mais um encontro com Temer onde o atual presidente teria definido como gastaria os R$ 15 milhões. E, para sua surpresa, havia decidido ‘guardar’ para ele mesmo R$ 1 milhão, investindo os outros R$ 14 milhões na campanha.

O R$ 1 milhão Temer teria entregado na sede da empresa Argeplan Arquitetura e Engenharia, na Vila Madalena, em São Paulo, que pertence a um amigo do atual presidente.

Tudo está detalhado em um vídeo de 23 minutos que faz parte do material divulgado à imprensa nesta sexta (19) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

 


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