Nesta segunda-feira (5), a Prefeitura de Araraquara oficializou a exoneração do coronel Adalberto José Ferreira da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana. Nos Atos Oficiais publicados pelo Executivo, a gestão também nomeou o novo comando da pasta: o coronel da Polícia Militar Robson Douglas de Souza.
- Participe do nosso grupo no WhatsApp (Clique aqui)
- Participe do nosso Canal no Whatsapp (Clique aqui)
- Participe da nossa comunidade no Telegram (Clique aqui)
Oficialmente fora da pasta, em entrevista ao acidade on, o coronel Adalberto falou sobre possíveis desafios que o seu sucessor deve enfrentar, além de atritos com vereadores do seu partido e da base governista enquanto estava no comando da secretaria.
Desafios e Herança ao sucessor
O coronel elencou alguns principais desafios da pasta:
“Na questão de segurança, a polêmica de armar ou não a Guarda Municipal, para ter uma segurança pública armada institucionalmente. Na questão de mobilidade, muitas obras, dependendo do que for investimento orçamentário para esta pauta, a nossa malha viária é muito antiga, estreita e complicada em relação aos números dos veículos que estão aumentando. (…) Na questão da fiscalização, que quanto mais se fiscaliza, mais se autua e isso não agrada a população. (…) São alguns desafios, e como ele não vem da área política, logicamente terá que se adequar as questões políticas, muitas vezes o que é técnico não é agradável para muitas pessoas, às vezes não agrada o governo, ou o Legislativo, ou a população em geral.”
Referente à segurança pública, Adalberto acredita que a mudança do foco de atuação da GCM foi uma das principais conquistas na sua gestão. “Tiramos o freio da GCM. Hoje estão mais próximos da atividade policial do que patrimonial.”
Em relação à mobilidade urbana, ele acredita que mudanças no trânsito e intervenções viárias diminuíram os números de acidentes em diversos pontos críticos da cidade.
Críticas a colegas da base e de partido
Adalberto também alegou que teve dificuldade de diálogo com vereadores que são colegas de partido, o Progressistas (PP). Originalmente filiado ao PL, ele migrou ao PP a pedido do secretário de Governo, Leandro Guidolin.
O acordo político foi feito para que o Progressistas, que queria uma cadeira em alguma secretaria, pudesse compor a base governista. Segundo Adalberto, o entendimento entre as partes foi prejudicado após cassação do mandato do ex-vereador Emanoel Sponton.
“A partir do momento que ele saiu, nós passamos a ter dificuldades [de diálogo], um pouco com o vereador João Clemente, mas muito com o vereador Marcelinho Gurgel.”
De acordo com o ex-comandante da pasta, a postura do parlamentar era de querer “interferir demais na secretaria”.
“Pedidos de coisas muito próximas a particulares. Fazíamos tudo de forma técnica aqui, inclusive com tom de arrogância, que para mim não dá certo. Faltou diálogo por parte do vereador”
Adalberto disse que o vereador chegou a pedir sua exoneração em troca de votos a favor de projetos do governo. “Acho que é um tipo de chantagem.”
O coronel, que já teve passagens pelo Republicanos e PL, pediu a desfiliação do partido do Progressistas. “Foi um erro. É um grupo que não me acrescentou em nada, só me trouxe problemas”, disse o ex-secretário, que não pretende retornar à carreira política tão cedo e voltou a atuar na iniciativa privada.
Sem pretensão de retorno ao PL, partido do prefeito, ele disse que sai sem mágoas e ressentimento e torce pelo Governo. “Agradeço por toda essa experiência que passei e à minha equipe, governo, legislativo e MP (Ministério Público).”
Progressistas rebate alegações de Adalberto
Em nota, o Progressistas afirmou que “como todo parlamentar em início de trajetória, Marcelinho encontra-se em um processo natural de amadurecimento político, o que pode gerar, pontualmente, excessos de atuação.”
Disse também que as situações envolvendo a secretaria e o parlamentar foram levadas à Executiva do Partido e que “o vereador foi prontamente convocado, orientado e advertido quanto à melhor forma de condução política e institucional. Todas essas situações foram tratadas internamente, de maneira responsável, dialogada e, à época, consideradas devidamente pacificadas.”
Motivos da saída
Em outra entrevista ao acidade on, Adalberto explicou que a proposta inicial era contribuir com o governo municipal na primeira fase, promovendo melhorias na pasta. No entanto, intercorrências pessoais e profissionais pesaram na decisão de deixar o cargo.
“Houve desgastes ao longo do ano, inclusive com a instauração de uma CEI na Câmara Municipal. Foram turbulências em um momento delicado da minha vida pessoal, com a doença e o falecimento do meu pai. Optei por sair, mas com sentimento de satisfação pelo trabalho realizado e pelo aprendizado”, destacou.
