O anúncio da Prefeitura de Araraquara de que o pagamento das horas extras dos servidores públicos municipais foi adiado e não irá ocorrer na próxima sexta-feira (5) pegou o sindicato que representa a categoria de surpresa. A informação foi divulgada à imprensa no início da tarde da última quarta-feira (3).
“Ou seja, os servidores souberam pela imprensa que terão seus salários reduzidos no mês do Natal, sem qualquer debate ou aviso prévio. A reação não poderia ser outra: revolta na categoria. O Sindicato não aceita essa situação. Trabalhou, tem que receber”, afirmou o Sismar (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) por meio de comunicado.
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Segundo a Prefeitura de Araraquara, a medida foi adotada diante da situação financeira do município e será revista assim que houver disponibilidade orçamentária. Além do adiamento do pagamento de horas extras da categoria, os salários do prefeito, Dr. Lapena (PL), da vice, Meire Laurindo (Republicanos), e dos secretários municipais também foram suspensos.
“A administração está avaliando alternativas para garantir esse pagamento da forma mais rápida e adequada possível, preservando os demais compromissos da folha e evitando prejuízos aos servidores“, informou por meio de nota oficial.
Nas redes sociais, o prefeito de Araraquara justificou que a medida foi adotada diante da situação “caótica das finanças”, que exigiu “medidas duras” para garantir a folha de pagamento de novembro, dezembro e a segunda parcela do 13º salário.

“Precisamos tomar algumas medidas duras para poder, na sexta-feira, pagar os salários dos servidores. Todos sabem da situação caótica das finanças do município, uma dívida impagável, dívidas com fornecedores de anos, e temos que ter responsabilidade para que o servidor receba o seu salário em dia. […] Então, nós continuamos trabalhando para tentar algum recurso para que possamos, o mais breve possível, fazer a complementação das horas extras dos salários que não estão sendo pagos agora”, disse.
O líder da oposição na Câmara, Alcindo Sabino (PT), criticou a postura de Dr. Lapena em atribuir à gestão do ex-prefeito Edinho Silva (PT) a responsabilidade pela crise econômica do município, classificando a situação como “inadmissível”.
“Basta de desculpas, de narrativas, de histórias mal contadas, de empurrar a culpa para os outros. O povo de Araraquara não merece isso. Já estamos em dezembro; são 12 meses de governo que precisa, de fato, começar a governar […] Ressuscitam com força a velha narrativa, a dívida, para justificar o que está claro para toda a população: falta de gestão, de comando, de responsabilidade ou, simplesmente, incompetência administrativa“, afirmou em vídeo compartilhado nas redes sociais.
Diante dessa situação, o Sismar recomendou que os “servidores não façam horas extras até que seja garantido o pagamento”.
O ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, se posicionou sobre as acusações da atual gestão. Confira a nota na íntegra:
“A assessoria do ex-prefeito Edinho repudia a tentativa do atual governo de transferir seus erros administrativos para a gestão anterior, após 12 meses de mandato. Desafios todas as Prefeituras enfrentam. Edinho também assumiu Araraquara em situação difícil, mas trabalhou, pagou dívidas trabalhistas, precatórios e débitos de INSS deixados pelo governo anterior e nunca atrasou salários, nunca deixou faltar medicamentos, nunca precarizou merenda ou políticas sociais. Edinho entregou a Prefeitura com R$ 137 milhões em caixa, superávit de R$ 16,4 milhões, ou seja, gastou menos do que arrecadou, deixou R$ 6 milhões de IPTU 2025 em caixa e todo o salário de janeiro dos servidores garantido. Deixou ainda 98 obras com recursos assegurados, especialmente junto ao governo federal. A gestão Edinho se solidariza com os servidores e reafirma: o atual governo precisa trabalhar, sem desculpas. Precisa cuidar do povo de Araraquara.”
