Em uma mudança de estratégia, o Sismar (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) não colocou a proposta apresentada pelo prefeito Dr. Lapena (PL) em votação na manhã desta sexta-feira (23). Diferente do previsto, a categoria permanecerá mobilizada em frente à prefeitura, aguardando por uma nova rodada de negociação.
Na prática, a nova postura foi adotada para manter os grevistas unidos diante da proposta, que aumenta o piso do funcionalismo para parte dos servidores da prefeitura, mas concede apenas um reajuste com base na inflação para os demais.
“A estratégia é não desunir a categoria, é primar pela união e não pela divisão. Nós vamos passar o dia inteiro em manifesto. Às 16h, a gente tem uma reunião já agendada. Nós não vamos deixar que ninguém, nem a administração, jamais, separe um do outro“, disse a secretária-geral do Sismar, Andreia Berto.
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Em coletiva de imprensa na última quinta-feira (22), Dr. Lapena apresentou uma proposta que eleva para R$ 2,3 mil o piso salarial de 35% dos servidores da prefeitura, 28% do DAAE (Departamento Autônomo de Água e Esgotos) e 10% da FunGota, além de um reajuste de 5,53%, com base na inflação, para o restante da categoria.
O Executivo propôs ainda um aumento no vale-alimentação para R$ 950 — sendo R$ 540 fixo e R$ 410 variável, de acordo com a assiduidade — e o fim do pagamento do abono pecuniário.

Para a merendeira do CER Maria Pradelli Malara, Vera Lúcia Vieira da Silva, a proposta dividiu a categoria. “Estou ganhando com esse salário, é a minha classe. Só que eu estava aqui lutando por todas as classes, e não só pela minha. Não quero que tire deles e dê para nós; quero que ele dê um salário justo para todo mundo“, afirmou.
Com um caixão de papelão em mãos, a professora do CE Fundecitrus, Ana Patrícia Ferreira da Silva, disse que é a “morte da gestão pública, do respeito ao servidor como um todo, ter colocado em conflito uma categoria contra a outra.” Para ela, foi uma proposta de desavença entre os servidores.
“Qual é a estratégia? Você mascara qual é a real discussão, não valoriza ninguém e coloca algumas categorias contra outras. A desculpa é que não tem verba para isso, mas cadê a prestação de contas? Cadê os orçamentos?”, questionou.
A professora disse ainda que se sente machucada e desvalorizada. “Daí você começa a pensar nos próximos anos: ‘O que vou fazer da vida? Continuo nessa condição de não ser respeitada?’. É uma desvalorização moral. Você está aqui para servir ao público e, ao mesmo tempo, não é nem ouvido”, afirmou.
A proposta do Executivo deveria ser analisada pelos trabalhadores durante assembleia geral nesta manhã, o que não ocorreu. A expectativa é por um novo encontro entre prefeito e servidores, marcado para as 16h.
PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DOS TRABALHADORES
1 – Reposição da inflação referente ao período de maio de 2024 a abril de 2025, acrescida de 10% de aumento real;
2 – Aumento do valor do vale-alimentação para R$ 1.200,00, tendo como base o custo da cesta básica, que já ultrapassa os R$ 1.000,00;
3 – Desvinculação das faltas abonadas ao vale-alimentação, garantindo que o servidor adoecido não perca o benefício;
4 – Majoração do abono pecuniário para R$ 250,00;
5 – Implantação de subsídio ao plano de saúde dos servidores da Fungota, nos mesmos moldes concedidos aos servidores da Prefeitura e do DAAE, conforme aprovado na data-base de 2024;
6 – Estabelecimento de um cronograma de reposição das perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos cinco anos;
7 – Evolução salarial proporcional ao tempo de serviço, com base no piso instituído para o funcionalismo público municipal de Araraquara;
8 – Criação de licença sem vencimentos e concessão de faltas abonadas aos funcionários da Fungota, nos mesmos moldes dos servidores da Prefeitura;
9 – Alteração na forma de aplicação do subsídio.
