Em meio às denúncias de que o vereador Emanoel Sponton (Progressistas) operava um esquema de rachadinha em seu gabinete, um grupo de seis parlamentares protocolou um pedido para afastar Filipa Brunelli (PT) do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Araraquara, sob o argumento de que ela fez um “pré-julgamento de culpa” do suspeito.
O documento, assinado por Balda (Novo), Cristiano da Silva (PL), Enfermeiro Delmiran (PL), Dr. Lelo (Republicanos), Geani Trevisóli (PL) e Marcelinho (Progressistas), foi protocolado no fim da tarde da última sexta-feira (28), às vésperas do grupo de trabalho iniciar as oitivas das denunciantes do caso. Os depoimentos estão previstos para esta segunda-feira (31).
Na visão dos autores do pedido, três postagens nas redes sociais da vereadora e o discurso proferido por ela durante o Pequeno Expediente na última sessão colocaram em dúvida sua imparcialidade e impessoalidade para atuar no órgão responsável pela investigação.
“Com isso, a vereadora Filipa demonstrou não ter a necessária e devida imparcialidade para julgar o caso em questão, já que, antes mesmo da apuração dos fatos, da oitiva de testemunhas e depoimentos dos envolvidos, manifestou publicamente um juízo de culpabilidade do investigado já consolidado”, diz trecho do requerimento.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é formado por acordo entre o colégio de líderes da Câmara Municipal. Após intensas discussões nos bastidores, o grupo de trabalho para o biênio 2025-2026 ficou composto por Aluísio Boi (MDB) – presidente –, Alcindo Sabino (PT), Coronel Prado (Novo), Filipa Brunelli e Michel Kary (PL).
Procurada para comentar o pedido, a parlamentar emitiu uma nota pública alegando que não afirmou “culpa ou inocência” do vereador investigado. Segundo ela, o Conselho de Ética é composto por parlamentares de diferentes visões ideológicas, “o que garante um trabalho sério, técnico e sem interferência político-partidária nas decisões”.
Filipa Brunelli classificou a tentativa de retirá-la do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar como “uma tentativa orquestrada de perseguição” à sua atuação na Câmara. Para ela, a medida seria uma “cortina de fumaça para desviar o foco da real questão”.
“Esses vereadores alegam uma suposta parcialidade da minha parte, mas se calam diante de fatos realmente graves: o vereador investigado permanece na mesa diretora como vice-presidente da Câmara, e o atual presidente já declarou publicamente ser amigo íntimo do investigado, além de afirmar que acredita em sua inocência antes mesmo da conclusão das apurações. Isso sim é parcialidade. Isso sim compromete a credibilidade do processo”, introduziu.
“Sigo muito tranquila. Tenho plena consciência da minha ética, do meu compromisso com a verdade e, acima de tudo, do meu propósito enquanto vereadora eleita pelo povo. Não estou na Câmara para fazer amizades políticas ou agradar os poderosos. Estou aqui para representar a população de Araraquara e defender a democracia, doa a quem doer”, completou.
Filipa Brunelli, vereadora, em nota
Diante do protocolo, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar deverá se reunir nesta segunda-feira (31), às 14h, para definir os primeiros passos em relação à investigação contra o vereador Emanoel Sponton. Após o encontro, serão realizadas as primeiras oitivas.
DENÚNCIAS SEGUEM REPERCUTINDO
As denúncias contra Sponton vêm repercutindo há uma semana, após o Jornal da EP, da rádio EPFM, revelar três depoimentos de ex-assessoras sobre um acordo verbal firmado antes da nomeação para o cargo para repassar um percentual de seus salários para a mãe do parlamentar.
Em sua defesa, Emanoel Sponton publicou nota em que nega as acusações e declara que “não há qualquer procedimento investigativo instaurado pela Justiça” sobre sua conduta. Ainda em nota, o progressista classificou a denúncia como “revanchista” e “distorcida”.
