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Transferir pontos para a CNH de terceiros pode dar cadeia

Em 2021, Detran identificou 300 suspeitas de fraude: punição pode incluir cassação da Carteira Nacional de Habilitação e multa

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Transferência fraudulenta de pontos é crime
Aprovada em outubro do ano passado, a Lei 1407/20 que alterou o CTB Código de Trânsito Brasileiro começou a vigorar no dia 12 de abril deste ano. Entre as alterações, está o limite de pontuação, que foi ampliado. Porém, a velha prática de repassar de forma fraudulenta pontos resultantes das infrações de trânsito para terceiros, continua sendo crime previsto no artigo 299 do Código Penal.  

O advogado Rafael Maluf explica que a prática se enquadra no crime de falsidade ideológica e prevê uma pena de 1 a 5 anos de reclusão e multa. "Além de processo criminal, quem transfere pontos para terceiros de forma fraudulenta pode responder a processo administrativo, ter a pontuação retornada ao seu prontuário e a CNH suspensa ou cassada por até dois anos", afirma. 

Segundo Maluf,  quando o Detran - Departamento Estadual de Trânsito  identifica indícios de fraude, comunica à Polícia Civil ou ao Ministério Público, que investiga o fato. O cerco a essa prática aumentou desde 2019, quando o Detran criou um núcleo especializado para identificar os chamados "hospedeiros" de pontos.  

Segundo o Detran, em seis meses de 2019, o Núcleo de Indicação de Condutores localizou 250 CNHs com suspeita de fraudes. De acordo com o órgão, desde a paralisação de prazos de serviços de trânsito estabelecida pelo Contran no ano passado, 300 processos foram instaurados. Deste total, 100 estão em fase final de análise e serão encaminhados à Polícia Civil para investigação.  
 
Rafael Maluf, advogado
"São pessoas que têm milhares de pontos na CNH ou multas de trânsito registradas em diferentes veículos. Uma prática relativamente comum a motoristas que tentam escapar da suspensão da carteira por exceder o limite de pontos permitido por lei é transferir para outras pessoas a autoria da infração, mas isso é crime de falsidade ideológica, mesmo que nenhum valor tenha sido pago para o terceiro assumir a responsabilidade", reforça o advogado.  

A grande quantidade de pontos acende o alerta no Detran, que avalia o prontuário levando em consideração os veículos usados, os locais e o intervalo de tempo entre as infrações.  

"É importante reforçar que tanto quem transfere os pontos quanto quem recebe podem ser processados criminalmente", observa Maluf.  

Denúncias sobre a existência de hospedeiros ou de serviços que oferecem a transferência de pontos podem ser feitas diretamente à Ouvidoria do Detran.SP por meio do site www.detran.sp.gov.br.