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Emprego para jovens tem queda de 11,6% desde 2010 na RMC

Estudo diz que salários pagos pela Indústria estão menores e vê risco de vulnerabilidade social para toda uma geração

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Cristiano Monteiro, economista da PUC-Campinas (Foto: Divulgação) 

A abertura de vagas formais de emprego na Indústria, Comércio e Serviços para jovens entre 18 e 24 anos caiu 11,6% nas cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) nos últimos oito anos. Em 2010, os setores empregaram 171.638 pessoas nessa faixa etária. Em 2018, foram 151.582.

Os dados são de um estudo divulgado nesta semana pelo Observatório PUC-Campinas, com base em informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais). A maior queda foi na Indústria. Foram 53,4 mil jovens empregados no setor em 2010 e 35,1 mil no passado (redução de 34%.

A queda das vagas para os jovens, segundo o Observatório, é uma condição inédita para a região, até então marcada pela alta empregabilidade no setor. Para o economista e professor da PUC-Campinas Cristiano Monteiro, a situação impacta negativamente a ascensão profissional e o poder aquisitivo dessa geração.

"A indústria é um setor que costuma remunerar mais, dar uma vida social mais apropriada para as pessoas. Como estes jovens estão ficando longe das atividades de maior valor, há um notório comprometimento de sua reprodução social, tendo consequências, a médio e a longo prazo, no consumo e no acesso aos serviços", destacou.

SALÁRIOS MAIS BAIXOS

Um fator preocupante mostrado no levantamento é que, mesmo nas ocasiões em que os jovens preencheram as vagas de trabalho, a remuneração paga pela Indústria da RMC foi mais baixa. Em 2002, a faixa entre 3 e 4 salários mínimos correspondia a 18,2% dos empregos do setor; a de 4 a 5 salários ficava próxima de 10%. Em 2017, as mesmas faixas representaram em torno de 8,8% e 2,9%, respectivamente.

"Portanto, os empregos de jovens na Indústria instalada na RMC estão remunerando menos do que se via lá no passado, em termos nominais, levando-se em conta apenas a referência do salário mínimo", complementou Monteiro.

O contexto ruim de renda e trabalho, aliado aos resultados insatisfatórios do desenvolvimento de capital humano põe os jovens da região em estado de vulnerabilidade social.

O acesso ao sistema educacional, indicador usado para analisar a dimensão do capital humano, apresentou números alarmantes: em 2017, segundo dados da Agemcamp, dos 215,7 mil jovens entre 15 e 19 anos, só 117,2 mil estavam matriculados no Ensino Médio.

Em relação à população de jovens de 20 a 24 anos, público em idade escolar demandante das matrículas no Ensino Superior, a realidade é a mesma. De 245,4 mil pessoas nesta faixa etária, apenas 118,8 mil encontravam-se matriculados em graduações presenciais em 2016.

"O desenvolvimento social da população jovem depende muito de suas relações com o sistema educacional. Será por meio de planos de educação coerentes e qualificados que os jovens poderão assumir uma postura reflexiva e crítica capaz de transformar a realidade", finalizou o economista.

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