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CampinasBairrosConhece o Vila Nova? Bairro nasceu entre os trilhos e mantém tradições em Campinas

Conhece o Vila Nova? Bairro nasceu entre os trilhos e mantém tradições em Campinas

Entre a antiga ferrovia Funilense, a feira livre aos sábados e a tradição da Panificadora Bambini, o local se destaca pelo comércio e pela cultura

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O bairro Vila Nova, em Campinas, foi fundado em 1960, acompanhando a expansão urbana e industrial da cidade, e teve origem próxima à antiga Estrada de Ferro Funilense, que ligava a região campineira à Usina Ester, em Cosmópolis.

“O bairro surgiu na esteira da antiga Estrada de Ferro Funilense, que teve papel fundamental na ocupação daquela área”, explica o arquiteto e urbanista João Verde. Segundo ele, os trilhos da ferrovia passavam próximos à atual Avenida Barão de Itapura e foram determinantes para o surgimento de bairros como Guanabara e, posteriormente, a própria Vila Nova.

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O local foi formado, em grande parte, por famílias de imigrantes italianos que migraram do campo para a cidade durante a crise agrícola nos anos 1950 e 1960. O bairro se consolidou com perfil operário, abrigando pequenas indústrias, tecelagens e oficinas artesanais.

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Localização do Complexo Ferroviário da antiga Companhia Mogiana, em Campinas (SP) (foto: reprodução/Prefeitura de Campinas).

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o bairro tinha 4.008 habitantes em 2010 e chegou a 4.593 moradores em 2022, um aumento de 14,6% no período.

Para Vanda Galise, moradora há mais de 50 anos, e Edna Aleixo, que vive no bairro há 25, a região mudou muito desde que chegaram. “Cresceu bastante. Antes tinha só mercadinhos pequenos, agora tem tudo”, conta Vanda. “Aqui é bom porque você sai para qualquer lugar de Campinas fácil. A única coisa que precisa melhorar são algumas ruas estreitas, [e os motoristas] estacionam dos dois lados e fica difícil passar”, complementa Edna.

Mesmo com as transformações, as duas afirmam que não pensam em sair do bairro. “Meu apartamento é grande, moro sozinha, mas não saio daqui”, diz Vanda. 

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Para Edna e Vanda, o bairro ainda preserva laços de amizade e vizinhança. “A gente se conhece há 30 anos, desde quando dava aula de artesanato”, conta Edna. “Nos encontramos por aqui, viramos amigas e estamos juntos até hoje”, completa Vanda.

Lazer e cultura

A feira livre de Vila Nova, realizada aos sábados, é um dos principais pontos de encontro do bairro. Com barracas de frutas, legumes, pastéis e caldo de cana, o local é frequentado por moradores de todas as idades e se tornou uma referência de convivência e tradição na região.

Solange Matiko vende pastéis na feira há oito anos. Além dos clientes comprarem o pastel de carne — o sabor preferido de quem frequenta a feira da Vila Nova —, a vendedora explica que a feira da Rua Sylvio Baratelli é mais que um ponto comercial: é um local de encontro e confraternização dos clientes

“É um ponto de encontro de clientes, que já vem com a família inteira, né? Vem o pai primeiro, vai segurando uma mesa [na barraca do pastel], aí vem o filho. Eles ficam até aguardando sentadinho na mesa, aguardando”, diz Solange.

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Solange Matiko vende pastéis na feira do Vila Nova há oito anos (foto: Isabela Reis/PUC-Campinas)

Joselino Lima Farias vende plantas e utensílios para jardinagem há seis anos. O feirante relata que por se tratar de uma feira tradicional, com cerca de 40 anos de história, a relação de comerciante e cliente se torna amizade.

“Geralmente é um público que fixo que vem. Um ou outro vem visitar, porque às vezes vem de fora ou são parentes [de moradores], mas a feira tem um público fixo. A gente faz amizade. Além de ser cliente, passa a ser amizade, porque tá aqui todo sábado, né?”, diz o vendedor.

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Joselino Lima Farias vende plantas e produtos de jardinagem na feira do Vila Nova há seis anos (foto: Isabela Reis/PUC-Campinas)

A família de Rafael Shimizu vende leguminosas na feira da Vila Nova há vinte anos. A barraca começou com o avô, 45 anos atrás, e agora, é gerenciada por Rafael e o seu pai. O feirante relata que, fora as “esquecidas”, ele consegue chamar os clientes pelo nome.

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“Chamo eles pelo nome. Às vezes dá uma esquecida, e você olha e fala assim: ‘Ah, qual que é o seu nome mesmo?’ Esquece de vez em quando, mas tem hora que mais pelo nome, né?”, diz.

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A família de Rafael Shimizu vende leguminosas na feira da Vila Nova há vinte anos (foto: Isabela Reis/PUC-Campinas)

Marco Britto mantém uma barraca de queijos e embutidos. A banca foi do pai por mais de trinta anos até que Marco precisou assumir os negócios da família. Hoje, trabalha com a mãe e o irmão, mantendo o mesmo fornecedor e os produtos artesanais.

Lá, Marco diz que o ambiente é quase uma extensão de casa. Os fregueses se conhecem, se encontram aos sábados e fazem parte da rotina uns dos outros. “Aqui o pessoal se encontra, conversa, come um pastel. É quase todo sábado assim”, ele conta, sorrindo.

Para ele, as feiras são uma tradição que resiste, mas está ameaçada. Com o passar dos anos, muitas bancas fecharam e poucos filhos seguem no ofício. Marco acredita que um dia elas vão desaparecer: “Vai chegar uma hora que vai acabar. A turma vai envelhecendo, e os jovens preferem o mercado.”

Vozes da Nossa Gente Campinas

O projeto multimídia “Vozes da Nossa Gente Campinas” é um projeto multimídia de conteúdo, desenvolvido pela redação do acidade on e pela Faculdade de Jornalismo e curso de Mídias Digitais da PUC-Campinas. A parceria de jornalismo hiperlocal contará a história de dez bairros da metrópole em reportagens, imagens e vídeos.

Esta matéria foi feita pelos alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas: Giovana Laís Silveira Pupo, Isabela Reis Galvão, Julia Garcia de Lucena e Rafaela Senatore Costa, para o componente de Projeto Integrador VIII, sob supervisão da professora Maria Lúcia e edição de Leandro Las Casas.

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