- Publicidade -
CampinasBairros'São Bernardo de cima' X 'São Bernardo de baixo': conheça os dois lados e a antiga ‘treta’ do bairro

‘São Bernardo de cima’ X ‘São Bernardo de baixo’: conheça os dois lados e a antiga ‘treta’ do bairro

Divisão do bairro tradicional ajuda a contar a história, de amor e famílias inteiras; veja o que fazer no local

- Publicidade -

Localizado entre a Rodovia Anhanguera e o córrego do Piçarrão, o bairro São Bernardo é um dos mais antigos de Campinas. Oficialmente aprovado em 1948, segundo registros da Camada Loteamentos do GIS Municipal, o bairro surgiu com o próprio desenvolvimento da metrópole. Com a expansão urbana após a chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, houve a necessidade de construir moradias para os operários que migravam à região, desencadeando o surgimento de bairros próximos ao centro do município. 

Popularmente, a região é dividida por “São Bernardo de cima” e “São Bernardo de baixo”, separados pela Avenida das Amoreiras e envolvidos em uma rixa antiga. É o que conta Rogério Sambotti Agulhari, morador do lado de cima do bairro há mais de 50 anos.

- Publicidade -

“Era uma verdadeira rivalidade, existia até brigas com isso e a Amoreiras que dividia tudo isso, então algumas coisas que tinham lá embaixo para gente conseguir ir lá era muito difícil, e eles a mesma coisa. Tinham as turmas de cima e de baixo e depois acabamos ficando amigos e hoje é um bairro que se une”, relembra o morador.

Copia de Foto 2025 10 24T085257.987 2025 10 24 11 56 40
Rogério Sambotti Agulhari é morador do São Bernardo de cima há 52 anos. (Foto: Igor Val)

Rogério nasceu e cresceu no São Bernardo e mesmo depois de casar não quis sair. Quem chegou ao bairro foram seus avós paternos que moravam na Avenida Rio de Janeiro, junto com os três filhos. Foi em 1975 que os pais de Rogério construíram a casa em que cresceu junto de suas três irmãs.  

“O meu pai, José Agulhari, morava numa casa que era no fundo da casa dos meus avós, aí ele comprou dois terrenos aqui em cima e vendeu um e no outro acabou construindo uma casa. Eu vim morar na Rua Mato Grosso, 566, com os meus pais e minhas três irmãs. Lá crescemos e fomos criados, né? ”, conta o morador. 

Rogério é também assíduo na comunidade. Ele participa do Arraiá da Imaculada, tradicional festa junina do bairro, realizada na Paróquia da Imaculada. “Isso é uma coisa que começou de família, né? Um dia eu fui convidado para começar a participar dessa festa para fazer parte dos lanches de pernil. Eu acabei me dedicando, foram-se passando os anos. Aí há 2 anos acabou entrando na rota do Arraial, o que acabou aumentando o marketing, acabou atraindo mais pessoas, acabou virando uma disputa também do que cada festa [de Campinas] fazia” 

Copia de Foto 2025 10 24T085422.175 2025 10 24 11 57 22
Paróquia da Imaculada é uma importante Igreja do bairro e onde acontece a tradicional quermesse (Foto: Igor Val)

Luciana Paulino, por outro lado, nasceu e cresceu no São Bernardo de baixo, passou sua infância e grande parte de sua vida deste lado do bairro. A moradora conta que ambos os lados são muito familiares, e que, apesar de hoje viver no lado de cima, suas raízes são de baixo

“O São Bernardo de baixo é a minha raiz porque eu cresci na rua. Quando eu era pequenininha, tinha uma escola de samba que era Princesa d’Oeste, que era bem famosa. Antigamente existia nos anos 80, existiam ainda os desfiles na Avenida Francisco Glicério. Então, a gente participava dos ensaios, era uma comunidade, era muito bacana. O que me remete, assim, lembranças muito boas do São Bernardo de baixo são os vizinhos, era uma tranquilidade, a gente brincava na rua, não tinha aquela coisa de perigo”, relembra Luciana. 

- Publicidade -

Existem diferenças entre os dois lados. Luciana explica que no seu ponto de vista o lado de cima tem uma população mais idosa, com famílias antigas na região, mas que também se tornou um bairro com bastante comércio.

“Tudo que você precisa tem perto, tem a farmácia ali, tem o bar aqui para comprar uma comidinha, tem a padaria, tem a pizzaria, tem agora uma loja de massas artesanais. Então tem bastante coisa, tudo que você precisa você encontra aqui no de cima”.

E não é porque existia rivalidade entre São Bernardo de cima e de baixo que não exista amor. Rogério e Luciana são casados desde 2004 e juntos construíram sua família no bairro. “Eu não mudaria daqui para lugar nenhum, eu continuaria aqui para o resto da minha vida” fala Luciana. 

Copia de Foto 2025 10 24T085326.968 2025 10 24 11 57 57
Luciana Paulino cresceu no “São Bernardo de baixo” e diz que suas raízes são de lá (Foto: Igor Val)

Não é só a população antiga que é apaixonada pelo bairro, mas a população jovem também. José Fernando, de 21 anos, nasceu no bairro e não pretende sair. 

“Minha família toda é daqui. A gente frequenta a igreja bem tradicional do bairro, já estudei na escola ao lado e não pretendo sair tão cedo do São Bernardo porque minhas raízes foram feitas aqui”.

Curiosidade

Uma curiosidade do bairro São Bernardo são os condomínios com nomes de planetas. Criados nos 1960, o primeiro condomínio entregue foi o Vênus, que segundo o síndico do condomínio Júpiter, Maurício Santos Santiciolli, a inauguração teve até presença do governador do estado de São Paulo da época. 

- Publicidade -

“Em 1970 e no decorrer dos anos, vieram os outros condôminos totalizando 8 condomínios com os nomes de planetas. “Na época a região desses condomínios, era do bairro São Bernardo, depois passou a se chamar Vila Sartunina, em referência aos nomes dos planetas, e hoje o bairro se chama Fundação da Casa Popular”, conta o síndico desde 2022.

Maurício conta que os curiosos nomes de planetas são feitos “pelas construtoras ou incorporadoras para criar uma identidade única, atrativa e memorável para o condomínio”. 

Próximo aos condomínios está a Penitenciária Feminina de Campinas, entregue em 1974, inicialmente como uma penitenciária masculina. Segundo Maurício, quando a Penitenciária foi entregue, os moradores reagiram com alguma hostilidade, mas aos pouco o espaço passou a fazer parte do convívio.

“Com o decorrer dos anos e a mudança de masculino para penitenciária feminina, o aceite ficou melhor e muito mais tranquilo para se conviver com esse órgão na região”, comenta o síndico sobre a relação da população com a penitenciária.

O que fazer no bairro?

Quando o assunto é lazer, esporte e cultura, o São Bernardo também traz bastante variedade. Segundo a Prefeitura de Campinas, o bairro oferece uma infraestrutura completa de lazer e esportes para os moradores.

Entre os principais espaços está a Praça de Esportes Argemiro Roque, uma das mais tradicionais da cidade. O local é palco de importantes campeonatos de futebol amador e conta ainda com pista de atletismo, utilizada em projetos sociais, além da Academia da Melhor Idade, que recebe moradores diariamente para atividades físicas. No mesmo espaço está o Ginásio de Esportes Rogê Ferreira que abriga jogos oficiais de futsal.

Outra opção é a Praça Felipe Tracchio, que oferece pista de skate, pista de caminhada, área para ciclismo e até eventos culturais, como exposição de carros antigos. Além disso, o bairro possui diversas praças arborizadas com estrutura de academia ao ar livre, parquinhos infantis, bancos, pista de caminhada e iluminação, como a Praça Chanceler Konrad Adenauer, na Rua Alagoas; Praça Professor Paulo José Otaviano, na Rua Elias Lobo e a Praça José Roberto de Paula na Rua Campos do Jordão.  Já na área de serviços, o Centro de Saúde São Bernardo atende a comunidade local.

Comércio

Copia de Foto 2025 10 24T085518.089 2025 10 24 11 59 46
O Bar do Fumagalli foi vice-campeão do prêmio Comida di Buteco em 2018 (Foto: Giovanna Laranjo)

O Bar do Fumagalli é um tradicional e famoso “ponto de encontro” do bairro de São Bernardo. Engana-se quem pensa que o bar é exclusivo para torcedores do Guarani, já que o nome vem da semelhança na aparência de seu dono Emerson de Aguiar, com o ex-jogador de futebol Fumagalli.

“Na verdade meu nome é Emerson, não tem nada a ver com o nome do bar. Quando cheguei em Campinas há 25 anos atrás, trabalhei em um bar no Nóbrega, eu estava trabalhando e chegou uma pessoa para mim e disse ‘Olha o Fumagalli trabalhando atrás do balcão’, a pessoa não me conhecia, colocou o apelido naquele momento e ficou. Trabalhei mais três anos como empregado, depois que fui montar meu bar, e aí coloquei o nome como ‘Bar do Fumagalli’. “Não tem nada a ver com meu nome, sobrenome, família, apenas a minha semelhança com o ex-jogador do Guarani”, contou Emerson.

O proprietário conta ainda que inicialmente torcedores da Ponte Preta não frequentavam o bar, por acreditarem que fosse um exclusivo para bugrinos, mas com as redes sociais e postagens explicando a origem do nome, os pontepretanos também viraram frequentadores. 

Emerson é original de Santa Catarina e chegou em Campinas aos 16 anos de idade, desde muito novo teve uma trajetória trabalhando em bares da região, até que finalmente conseguiu abrir seu próprio bar em fevereiro de 2011, junto de sua esposa. Começaram pequenas, mas em 2018, foram vice-campeões no prêmio “Comida di Buteco”, premiação que elege os melhores pratos vendidos pelos bares do Brasil, com um lanche de costela. 

“Já existia o bar aqui no bairro, antigamente era apenas uma venda, que se tornou um barzinho, onde o proprietário havia ficado por 5 ou 6 anos. Em 2011 foi quando eu e minha esposa assumimos, fomos arrumando, agregando, deixando do nosso jeito. Até que em 2017 recebemos o primeiro convite para o prêmio ‘Comida di Buteco’, e fomos vice-campeões em 2018, com o lanche de costela, que está no nosso cardápio até hoje”, finaliza. 

Vozes da Nossa Gente Campinas

O projeto multimídia “Vozes da Nossa Gente Campinas” é um projeto multimídia de conteúdo, desenvolvido pela redação do acidade on e pela Faculdade de Jornalismo e curso de Mídias Digitais da PUC-Campinas. A parceria de jornalismo hiperlocal contará a história de dez bairros da metrópole em reportagens, imagens e vídeos

Esta matéria foi feita pelos alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas: Pietra Mesquita, Igor Souza Ribeiro do Val, Victor Provasi Sancho, Henrick Lauro Borba Silva, Giovanna Martignago Laranjo e Leonardo Crivelaro Marcello, para o componente de Projeto Integrador VIII, sob supervisão da professora Amanda Artioli e edição de Leandro Las Casas.

- Publicidade -
Mídias Digitais
Mídias Digitaishttps://www.acidadeon.com/
A nossa equipe de mídias digitais leva aos usuários uma gama de perspectivas, experiências e habilidades únicas para criar conteúdo impactante., com criatividade, empatia e um compromisso com a ética e credibilidade.

veja mais

- Publicidade -

- Publicidade -

Notícias Relacionadas
- Publicidade -