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O síndico

As aventuras de uma campineira com raiz votuporanguense pelas ruas da terrinha

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Eu saia e ele chegava.  

Magro, cabelos brancos, estatura média a la tuga, simpático a la zuca, chuto seus cinquenta e poucos anos.

Bom dia!
Bom dia!
Quer ajuda, diz ele?
Opa, agradeço.

Ah, ele é o síndico.  

Eu estava descendo a escada, são apenas seis degraus, longos seis degraus, com um carrinho trambolho ah lá século XXI, com 10kg de Francisco dentro.   
Resultado disso é a visita na Dra. Maria João dizendo que estou "estragada".

Pois.
Digo para ele que precisa ser feito algo na entrada do prédio que seja acessível para todos.
Ele concorda e explica que já foi dito em ata de reunião de condomínio.

Papo vai... e vem.
Cara, ele é mesmo simpático. E tuga. E síndico.

Ele me explicou sobre as leis, estruturas, valores e o que geralmente acontece.
Resultado, a saída custa em média uns 15 mil euricos, que são aqueles elevadores que colocam no corrimão.
Nesta prosa ele conta sobre outros prédios que ele é síndico também.
Existem idosos que não saem do prédio por 5 ou 6 meses por não ter acessibilidade.
Quando saem é com ajuda dos Bombeiros vindo tirar pela janela.
Só acredito pois já vi.

Loucura?!
Não, vida real.

Agora escuta essa.
Ele conta que num dos prédios teve votação para colocar um elevador e, alguns moradores não quiseram investir.
Pois. Colocaram.
E sabe o que acontece? Quem não pagou não pode andar.

Fiquei ali quieta imaginando o que seria isso.
Ele percebe e repete.
Sim, eles não podem andar, diz ele, nem as visitas.

Intrigada pergunto como ele sabe quem anda ou não?
E ele diz: Pois, semana passada mesmo me ligaram dizendo "Olha, a fulana usou elevador".
E eu? Tenho que ir lá ficar bravo com ela.

Eu ali, com cara de quem viu Pedro Álvares Cabral pela 1° vez, devolvendo todo nosso ouro.

E ele termina.
Ah, e se um dia resolverem vender o apartamento, quem comprar também não pode usar.
Está tudo na ata de reunião.

E você ainda pergunta, o que eu tô fazendo aqui?
Cara, isso aqui é o paraíso.