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Feridão antecipa abandonos de animais no Fim de Ano

Moradores da Região Metropolitana de Campinas (RMC) vão viajar e soltam os bichos na rua, ou os deixam sozinhos à mingua em casa

| Especial para ACidade ON

  
Mili foi resgatada neste feriado e está para adoção 

O abandono de cães e gatos no Fim de Ano, que gira em torno de 30% na Região Metropolitana de Campinas (RMC), começou mais cedo este ano com o feriadão prolongado.   

Foram seis dias de emendas, entre o feriado da Proclamação da República (no dia 15 de novembro) ao da Consciência Negra (no dia 20); e, sem poderem levar os animais para viajar, ou sem dinheiro para deixá-los em hoteizinhos, moradores da região simplesmente colocam os bichos na rua, ou os deixam presos em casa, à míngua.  

Esse é o caso, por exemplo, de uma filhotinha que foi abandonada em um condomínio de Valinhos. O pedido de resgate chegou pelas redes sociais ao protetor Guilherme Ferrari, do Abrigo Adorável Vira-Lata, Proteção e Amor, que a resgatou no sábado (17).

Em dois dias de feriadão (de sexta a sábado), Ferrari já tinha recebido 18 pedidos de ajuda, mas, com o abrigo lotado e com dívidas em clínicas veterinárias, só conseguiu resgatar a filhote.

"É frustrante. São muitos casos, e os protetores todos fazendo das tripas o coração. Não temos dinheiro, nem emocional para toda essa carga", afirma.

A cachorrinha ganhou o nome de Mili, e está disponível para adoção. Está em um lar temporário e ainda tem dentes de leite. Foi abandonada ainda sem desmame. "Abandonar animais é crime. Mas quem cumpre a lei? Não há fiscalização, e o animal abandonado, que é, pela legislação responsabilidade do Estado, fica jogado na rua, sofrendo até morrer agonizando", complementa o protetor.

Ferrari se refere ao artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (de Crimes Ambientais) que prevê prisão (de 3 meses a 1 ano) e multa, e também ao artigo 164 do Código Penal, cuja pena prevista é prisão de 15 dias a 6 meses, ou multa.

Só em Campinas, estima-se que haja hoje cerca de 15 mil animais abandonados nas ruas.  

Já o Adorável Vira-Lata está atualmente com 30 resgatados. Não conta com nenhuma ajuda governamental, é custeado por Guilherme e pela família dele, e depende de ajuda de doações. Só pra se ter uma ideia, de ração, por mês, são necessários R$ 900,00 (13 sacos de 50 quilos).  Isso sem falar de medicamentos e honorários veterinários.   
 
Quem se interessar por Mili, ou quiser ajudar o abrigo, deve entrar em contato com Ferrari pelo WhatsApp (19) 9-9534-5336. Toda ajuda é bem-vinda.