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Cachorra é atropelada, motorista nega ajuda, mas protetora a salva

Campinas tem cerca de 15 mil animais abandonados; Lua é um exemplo do que ocorre todos os dias na cidade

| Especial para ACidade ON

Lua já medicada

Abandono, fome, frio, atropelamento e/ ou muita, muita dor. Esse é o resumo do que os cerca de 15 mil cachorros abandonados nas ruas de Campinas -  uma das cidades mais ricas no País - passam todos os dias. E a escala de maus-tratos,  que poderia e deveria ser evitada, segue sem a devida punição e remédio.   

Exemplo disso é a cachorrinha Lua, que estava sentada no meio de uma rua, na sexta-feira (28), embaixo de chuva, quando foi atropelada por uma motorista que não prestou socorro.  

Está internada na Clínica S.o.S MerkVet, no Jardim Leonor, e precisa de ajuda pra sobreviver.  
 

Animal chegou à clínica em estado de choque  
Foi resgatada por uma protetora, que, segundos antes, havia desviado o carro justamente para não atropelar o animal. Era por volta das 23h e chovia na Rua Marines Carichio Boseli, no Jardim Esmeraldina, região Sul de Campinas, naquele momento.  

"Eu gritei: - você atropelou o cachorro. A mulher parou o carro, eu pedi pra ela levar ao veterinário, mas ela disse que não. E simplesmente foi embora", afirma a aposentada Marynes Silva, quem fez o resgate. "Agora, me fala: custa alguém frear ou desviar o carro pra não passar por cima de um cachorro? Custa? Olha toda a dor e sofrimento que essa mulher causou. E pra quê? Por quê?".   
 
Apelo por consciência

"As pessoas precisam se conscientizar de que se trata de uma vida, e que esse simples ato de irresponsabilidade gera no mínimo muita dor e muito trabalho pros outros. Além disso, uma pessoa que atropela um cachorro teria cuidado pra desviar de uma criança? E se esse cachorro atropelado causasse outro acidente e a morte de alguém? Que mundo é esse em que estamos vivendo?", declara, indignada. 
 
Protetora tirou o próprio casaco pra salvar a cachorrinha 
Gente que faz

Marynes fundou e mantém o Abrigo Adorável Vira-Lata Proteção e Amor, que cuida atualmente de 33 animais. O faz com recursos da própria aposentadoria. "Eu não tinha a mínima condição de fazer esse resgate. Mas, como eu poderia virar as costas pra esse animal, gritando de dor?". 

A protetora ligou para a veterinária Ingrid Silverio, proprietária da S.o.S MerkVet, que prontamente abriu a clínica para socorrer a cachorrinha.  

Lua "deu entrada em choque, com as pupilas dilatadas, com hipotermia e dor aguda. Foi estabilizada, entramos com medicações anti-inflamatória e analgésicas, restabelecemos a temperatura. Fizemos alguns exames para avaliar a pelve e as articulações corpo-femural, e, na segunda-feira, serão realizados outros exames pra fechar o diagnóstico", declara a médica.  
Este, entretanto, não é o primeiro caso que a veterinária auxilia Marynes. Sempre salva e trata dos animais da protetora com honorários assistenciais.   
 
Lua estava com tanta dor que precisou de mordaça
Sem fim 

Embora os protetores se ajudem, a sensação que eles têm é de que estão enxugando gelo.  

"O duro é que a gente tá tratando um cachorro e já aparece outro caso. E os custos vão acumulando. Você vai acumulando dívida atrás de dívida. Você nunca consegue terminar um cão pra começar a tratar outro. Eu tava focada na Pit, mas me apareceu a Lua. E você acha que eu a deixaria ali pra morrer? Não, né?", desabafa Marynes.  

A Pit - à quem a protetora se refere - é uma pibull, que foi abandada perto do presídio em Hortolândia. Passou por exames, mas precisa de testes específicos porque tem alguma disfunção que os gerais não são passíveis de identificar. Tem dificuldade pra comer e está superdebilitada.  

"Fomos aconselhados a levá-la a um endócrino e a um dentista, mas não temos as mínimas condições financeiras pra isso. Se cada um fizer um pouquinho não fica pesado pra ninguém. Cada um pode ajudar à sua maneira, e toda ajuda é muito bem-vinda", declara Marynes.  
 

Pit precisa de consulta com especialistas
Como ajudar
 
Marynes precisa constantemente de ração, medicamentos, antipulgas, latinhas de AD e recursos para consultas e tratamentos veterinários.  
 
Quem quiser ajudar, deve entrar em contato pelo WhatsApp (19) 9-9270-5779.




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