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Ansiedade da separação gera pânico em cães; veja o que fazer

Na quarentena, tutores e animais tiveram contato intensificado; volta à rotina pode trazer transtornos, mas especialista ensina o que fazer

| Especial para ACidade ON

Roer osso é um dos passatempos preferidos de Cacau
 Cacau é uma cachorrinha de quatro anos de idade que está amando a quarentena.  

Vive em um apartamento em Campinas com os tutores, e o contato entre eles se intensificou muito devido ao home office.  

Mas, esse 'grude' terá que ser desfeito quando o advogado e a psicóloga voltarem a trabalhar fora de casa -  o que gera preocupação no casal.  

"A Cau passou a demonstrar ansiedade nos breves momentos em que nós deixamos o apartamento", afirma Marcio Ramos.  
"Nas poucas vezes que ela ficou sozinha durante o isolamento, se mostrou mais ansiosa. Estamos preocupados com a volta à normalidade. Entendo que vai demorar pra acontecer, mas já há uma preocupação com isso", acrescenta o bacharel.  

Assim como Cacau, milhares de animais têm experimentado no mundo inteiro o que os especialistas em comportamento chamam de "ansiedade da separação" - explica o adestrador David Peçanhuk, da Good Dog Training School (GDTS).  

"A ciência já descobriu que o sofrimento de um cachorro quando a família sai pode ser comparado à síndrome do pânico (em um humano). Os níveis de cortisol sobem muito, e ele fica extremamente ansioso, e estressado, ao estar sozinho. Isso realmente faz o cachorro sofrer. Existem alterações hormonais, e fisiológicas, e os efeitos são um cachorro que vocaliza de mais (late muito), que arranha a porta, que erra os lugares de xixi e coco, que tem um comportamento destrutivo".  

Por isso, estando em quarentena, ou mesmo em férias, o animal deve ter sempre uma rotina básica, que o leve a desenvolver autonomia emocional.  

"Isso significa que o cão não deve, não pode ficar o tempo todo com a gente (como aquele que parece uma sombra: onde a gente vai, ele vai atrás). Isso é um problema muito grande hoje dia, porque muitas pessoas moram em apartamentos pequenos, e, normalmente, onde o tutor está, o cão está junto, gerando um superapego", declara.  

Mas é preciso - como regra básica -  que o animal tenha a sua própria vida, para além dos tutores.  
 
Tutores da cachorrinha seguem as orientações de adestrador
Mas, como fazer isso na prática?  

Criando um cantinho só do cachorro: um lugar em que ele possa ficar se divertindo sozinho. Onde possa se sentir bem, brincar, descansar, comer e dormir. Uma Disney canina, que o humano não invada.  

Quem mora em apartamento tem dificuldade de fazer isso, mas é imperativa essa rotina.  

"E é muito importante que esse lugar não seja um espaço que o cão encare como castigo. É onde ele tem que fazer atividades prazerosas. E para fazer com que um cachorro goste de determinado ambiente, a gente tem que usar o enriquecimento ambiental, onde ele tenha comportamentos naturais, como roer um osso, brincar com um brinquedo recheável, ou dispensador de comida", ensina Peçanhuk.  

Além disso, é preciso fazer com que os ambientes sociais da casa se tornem desinteressantes para o cão, inibindo-o, por exemplo de subir no sofá ou em cima da cama.  

Dessa forma, ele vai procurar automaticamente um lugar mais interessante e aconchegante, que, no caso, é a Disney dele.  

Os tutores também devem se tornar igualmente desinteressantes, não dando atenção ao cão a todo momento, para que ele procure o próprio espaço para se divertir, comer, descansar e dormir.
 
Cacau tem o próprio cantinho, mesmo no apartamento