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Elas disseram sim à maternidade depois dos 40

Conheça o que a ciência tem feito em favor delas e histórias de quem passou por cima de todos os desafios da maternidade tardia

| ACidadeON/Ribeirao



Se alguns anos atrás a prioridade para uma mulher era formar uma família, hoje, a realidade de apresenta bastante diferente. Com a inserção feminina cada vez maior no mercado de trabalho e a priorização da carreira e estudos, os planos da maternidade foram, em muitos casos, deixados para um segundo plano. Por isso, muitas dessas mulheres decidiram apostar na maternidade em um momento mais maduro de suas vidas e com mais estabilidade financeira. 

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2017, a quantidade de mulheres que se tornaram mães após os 40 anos subiu 49,5% em 20 anos. Em 1995 eram 51.603 maternidades tardias, enquanto em 2015, esse número subiu para 77.138 em 2015.  

Mesmo com a segurança de ter um filho tardiamente, as mulheres ainda estão atadas aos fatores naturais e biológicos que podem representar maiores riscos de má formação genética, abortos espontâneos e síndromes diversas.  

História de filme  

A história de Rosemeire Carreira Manfré, 56 anos, daria um bom roteiro de filme. Depois de 30 anos separada do seu namorado de adolescência, ela o reencontrou e a velha paixão renasceu. Saiu de Valinhos e voltou a Ribeirão Preto para continuar o que o tempo havia interrompido. 

Depois de um casamento e outros dois filhos, Meire se casou com o Wilson e engravidou de Beatriz aos 42 anos. "Foi tudo muito planejado, nós queríamos ter aquela criança que não tivemos lá atrás. Porém, as dificuldades foram muitas na última gestação. Tive fobia e tenho até hoje, chorava muito, não conseguia sair de casa. Mas hoje está tudo mais tranquilo". Hoje, Beatriz , a caçulinha, tem 13 anos. 

Para ela, a missão da maternidade foi cumprida, mesmo que em uma idade mais avançada. Ela e o marido então se separaram há alguns anos e ele veio a falecer em janeiro deste ano. "O que tinha que acontecer entre a gente era a Bia mesmo". 
 

Meire com o neto Theo e as filhas Tatiana, 35, Tainê, 28, e Beatriz, 13 anos, que nasceu quando a mãe já tinha 42 (Foto: Arquivo Pessoal)
Maternidade no Instagram
Depois de Alice e Maria, a digital influencer Marta Falleiros decidiu junto com o marido que tentariam o terceiro filho. Em outubro de 2018 houve a primeira conversa sobre o assunto e em janeiro de 2019 já descobriu a gravidez. 

Com 20 semanas, Marta diz que as diferenças sentidas entre as gestações são mais referentes ao físico do que ao psicológico. "Estou muito mais cansada, não é a mesma coisa. O corpo pesa muito, vou me arrastando para fazer exercício físico, mas sei que é importante nessa etapa, ainda mais por causa da idade". Ela diz que isso foi extremamente importante para ter ganho apenas um quilo extra até agora.  

Emocionalmente, segundo ela, a segurança na terceira filha é o que mais tem marcado a sua decisão de ser mãe aos 40. "Tenho uma certeza interior muito grande de que quero ter a Júlia. Não tinha dúvidas de que caberia um terceiro filho e já sei de tudo o que vou passar, estou muito menos consumista porque sei que o filho requer muito menos de quanto a gente quer dar", afirma Marta, que diz estar curtindo cada dia da gravidez de forma mais segura.  

Marta também gosta de mostrar o cotidiano da maternidade em seu perfil no Instagram, inspirando e criando diálogos com outras mulheres que passam pela mesma situação.  
 
Marta Faleiros e os filhos (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Doação e congelamento de óvulos são opções  

A ciência já possibilita que a mulher antes dos seus 35 anos congele seus óvulos para caso decida ter filhos mais para frente, quando, naturalmente, seus óvulos já tiverem envelhecido. Caso a mulher já passe dos 40 anos e não tenha congelado seus próprios óvulos, pode recorrer a um banco de óvulos. Campanhas de reprodução assistida estão sendo feitas no Brasil para estimular a doação entre mulheres mais jovens. 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou uma resolução em 2017 que autoriza mulheres entre 18 e 35 anos, com boa saúde, a doarem seus óvulos de forma anônima e voluntária, sem intenção de lucro.

Segundo o médico Anderson Melo, especialista em reprodução humana assistida do CEFERP Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto, o processo é bem mais complexo do que a doação de sêmen. "A doação de óvulos envolve o uso de medicamentos e o acompanhamento por 9 a 13 dias. Os receptores não devem conhecer de forma alguma a identidade da doadora dos óvulos.

Mesmo assim, ele afirma que não há diferença entre uma gestação natural e uma com óvulos doados, sendo que a idade ainda pode ser um fator de risco. "Os estudos apontam que há mais suscetibilidade à pré-eclâmpsia no caso de gestação múltipla, e a parto prematuro e baixo peso para gestação única, mas esses fatores estão mais ligados à idade da mulher no momento da recepção dos óvulos do que propriamente à recepção em si", explica.

Atualmente, o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), ligada à Anvisa, mostra que em 2017, 75.557 embriões foram congelados no Brasil, representando aumento de
13% em relação a 2016.

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