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Que dor de cabeça!

Incluída pela OMS como uma das doenças mais incapacitantes, a enxaqueca afeta saúde e vida social. Encontrar o tratamento adequado ainda é a via crucis dos pacientes

| ACidadeON/Ribeirao

 
Médicos demoraram 22 anos para diagnosticar que Ana Paula sofre de enxaqueca (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Vinda de uma família de 5 pessoas que sofrem com enxaqueca, a advogada Ana Paula Queiroz não conseguiu escapar do problema. Hoje, com 42 anos, conta que sofre com dores de cabeça incontroláveis desde que tinha 7. Foi apenas aos 22 anos, porém, que o diagnóstico de enxaqueca foi fechado. Até aí, foram muitas as apostas e um sofrimento incalculável. "Passei por médicos que só me dopavam e não tinha melhora nenhuma. Quando criança, diziam que era problema nos olhos ou da mordida errada".  
Segundo a advogada, em muitas crises precisou tomar morfina na veia. "Se eu tiver algum inimigo, não desejo que ele tenha nem um pouco da dor que eu sinto. É algo muito forte mesmo".  

Há 3 anos em tratamento, a advogada parece ter encontrado, finalmente, o caminho da libertação com a utilização de dois tipos de medicação: uma preventiva e contínua e outra para situações emergenciais. Além disso, apostou em terapia alternativa, a acupuntura de eletrochoque. Trata-se de uma técnica que prevê aplicação de estímulos elétricos nos pontos tradicionais já conhecidos da medicina chinesa. 

Não é frescura  

A dor de cabeça é, muitas vezes, mal compreendida e subjugada, fazendo o paciente se sentir menosprezado. No entanto, a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou a enxaqueca como a terceira doença mais incapacitante, atingindo cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. Ainda segundo a OMS, as mulheres sofrem 50% mais que os homens com a doença e, entre crianças, a ocorrência é de 7 a 10% em ambos os sexos.  

A enxaqueca é um diagnóstico clínico, baseado no histórico do paciente. As principais características da dor são dor pulsátil ou latejantes, unilateral, crises que duram de 4-72 horas sem tratamento adequado, aversão à luz e ao barulho, piora da dor com esforço físico e náuseas ou vômitos. Outros sintomas comuns também são aversão a cheiros fortes e tonturas.  

De acordo com a médica neurologista e especialista em dor, Priscila Colavite Papassidero, o mais importante é tentar identificar durante a consulta com o paciente se no meio da história clínica há algum sintoma ou sinal de alarme, ou seja, algo que não é esperado dentro de um caso típico de enxaqueca, o que pode acarretar outro diagnóstico.  

Outro ponto importante é assegurar que o exame físico neurológico do paciente esteja completamente normal. Diante deste quadro, é possível confirmar o diagnóstico de enxaqueca sem a necessidade de nenhum exame complementar.  

"Estudos mostram que o cérebro de quem sofre com enxaqueca é mais sensível. Já está comprovado que a enxaqueca é uma doença genética e sabemos que alguns fatores do dia-a-dia podem ser gatilhos para desencadear uma crise", diz a médica. Alguns desses fatores são: alimentação inadequada e alguns alimentos específicos, privação do sono, fatores hormonais e uso de medicamentos. 
 
De acordo com a neurologista Priscila, o cérebro de quem sofre de enxaqueca é mais sensível (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Novas possibilidades  

Em 2018, uma nova luz foi jogada em cima do tema no cenário científico. Uma nova classe de medicamentos que agem contra o CGRP (peptideo gene-relacionado à calcitonina) foi lançada para o tratamento da enxaqueca. Esta é a primeira vez que um tratamento profilático é desenvolvido e pensado exclusivamente para a enxaqueca.  

Segundo Priscila, três dessas novas drogas já estão sendo utilizadas nos EUA desde o ano passado e, este mês, uma delas, o Erenumabe, entra no mercado brasileiro. A medicação é injetável e uma dose subcutânea deve ser aplicada a cada 4 semanas. "Não é um tratamento curativo, mas os estudos mostraram que 15% dos pacientes que usaram a droga foram hiperresponsivos, ou seja, não apresentaram mais crises de enxaqueca já a partir da primeira dose. A expectativa é grande para iniciar o uso desta medicação", explica a neurologista.  

Casos extremos  

A enxaqueca pode ter dezenas de causas e sintomas, sendo vivenciada pelos pacientes das mais diferentes maneiras. Entre os casos mais casos intrigantes em torno da doença tratados pela neurologista Priscila, foi o de uma família inteira com um tipo raro de enxaqueca chamado migrânea hemiplégica, em que os pacientes tinham perda de força muscular de um lado do corpo junto com as crises de enxaqueca, como se estivessem tendo um AVC. Porém, no final da crise se recuperam completamente. "Me lembro de atender a avó, seus 3 filhos e dois netos, todos com os mesmos sintomas. É uma doença rara, seu diagnóstico é feito através de testes genéticos".  

Já a represente comercial Tatianne Borges da Matta, de 21 anos, relata que já perdeu dias de trabalho por conta das fortes dores, que sempre atacavam pela manhã. "É algo que às vezes as pessoas olham com desconfiança porque não é algo visível, não é um machucado, uma fratura, algo que pode ser notado pelos outros. Acham que é frescura e que você está exagerando, o que prejudica sua atuação profissional".  

Tatianne teve o diagnóstico de enxaqueca há 2 anos e, desde então, tenta evitar os gatilhos que podem desencadear uma crise. "Faço meditação duas vezes por semana para controlar a ansiedade e o estresse. Percebo que estando mais equilibrada emocionalmente, fico menos propensa à dor". 


O QUE PODE DESENCADEAR UMA CRISE DE ENXAQUECA?  

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 10 fatores são os principais desencadeadores de crises de enxaqueca. Conheça quais são e, se tiver pré-disposição, evite-os.  

- preocupações excessivas, ansiedade, tensão, estresse 

- ficar muito tempo sem comer. Isso pode gerar uma queda na taxa de açúcar do sangue e provocar a produção de substâncias que causam dor 

- dormir mal, dormir pouco, sono sem qualidade 

- a tensão pré-menstrual, ovários policísticos e reposição hormonal podem ser fatores que agravam as enxaquecas;  

- irritação e alterações do humor  

- excesso de cafeína  

- falta de exercícios físicos  

- uso excessivo de analgésicos  

- alimentos como chocolate, frutas cítricas, alimentos muito gelados (sorvetes), nozes, alimentos gordurosos, condimentados, ricos em glutamato monossódico (presente em salgadinhos, molhos, adoçantes)  

- causas genéticas

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