Aguarde...

ACidadeON Campinas

boa

Óleos essenciais: verdades e mitos dos queridinhos da vez

Público cada vez maior aposta nos extratos naturais para amenizar desequilíbrios emocionais e de saúde. Mas, eles são para todos? Tire suas dúvidas.

| ACidadeON/Ribeirao

Em dezembro do ano passado, a aposentada Maria Odete Fiod Bichuette, 59, já estava conformada com sua situação. Em um quadro de depressão profunda, havia engordado mais de 60 quilos, já não saía mais da cama e precisava de ajuda do filho para comer, tomar banho, andar. Desde 2007, foram nove internações em hospitais psiquiátricos, todas sem resultado algum. Junto a isso, desenvolveu fibromialgia que a fazia sentir dores intensas pelo corpo todo. E, segundo ela, a falta de esperança em uma possível melhora acarretou um isolamento social e familiar pelo constrangimento e falta de ânimo.   

Foi uma amiga preocupada com a situação da aposentada que fez uma visita e falou com Maria Odete sobre sua experiência positiva com os óleos essenciais. "Eu nunca tinha ouvido falar daquilo, mas escutei atenta e fiz uma última tentativa. Minha amiga tinha tanto brilho nos olhos ao falar da sua melhora da depressão que me motivou também", lembra emocionada.  

Maria Odete, então, decidiu apostar no tratamento com óleos essenciais e o que se seguiu, em suas palavras, foi a retomada da própria vida. "Em dois dias, saí do quarto. Em uma semana, já tomava banho sozinha. Eu voltei a cozinhar, a dirigir, viajei sozinha depois de oito anos".   

Maria Odete Fiod Bichuette: anos de depressão e uma vida nova com os óleos essenciais

Faz seis meses que a aposentada não tem crises depressivas, apesar de algumas dores pontuais. "Não tomo mais remédio pra dormir. Pra mim foi um milagre e não deixo de usar os óleos nunca mais", diz. "Cada um reage de uma forma, às vezes mais lento, outras vezes mais rápido. Porém, nunca deixei de fazer acompanhamento médico", garante a aposentada. 

Atualmente, Maria Odete usa 12 óleos diferentes todos os dias, de maneira tópica, em difusores, ou em inalação.   


Mas, o que são óleos essenciais?  

Chamados de OE pelos mais íntimos, estes produtos naturais são extratos ultra concentrados e voláteis originários de raízes, flores, frutos e outras partes das plantas. Entre alguns dos mais conhecidos no Brasil, estão os óleos essenciais de lavanda, melaleuca, alecrim, limão, hortelã, bergamota, entre outros. Cada vidrinho pode conter até 300 substâncias diferentes com propriedades terapêuticas.  

Geralmente, são comercializados em lojas e farmácias de produtos naturais ou através de representantes de marcas. O sucesso do produto no Brasil aumentou nos últimos anos, fenômeno que veio paralelamente à busca por uma alimentação mais natural e um estilo de vida mais centrado.  

Os óleos essenciais variam em termos de aroma, aplicação e preço, que fica, geralmente, entre R$45 e R$315 o vidrinho de até 30 ml. A utilização, no entanto, é mínima, em gotas, o que acaba fazendo o produto render muito.   

Óleos podem ser utilizados de diversas maneiras. Mas sensibilidade pode trazer efeitos colaterais.
 

Retorno aos laços com a natureza  

Para a estudante de aromaterapia e consultora de óleos essenciais Juciana Dassie, a descoberta dos óleos essenciais veio acompanhada de um susto familiar. Em janeiro de 2018, o pai estava com as plaquetas muito abaixo do normal. Estava fraco, havia perdido 5kg, quando a filha decidiu usar alguns conhecimentos na prática.  

Utilizou gotas de óleo de Olíbano (Boswellia Frereana) na água do pai e em uso tópico. Segundo ela, em um mês, durante o retorno médico, as plaquetas tinham passado de 123 mil para 204 mil por milímetro cúbico. "Como o tratamento era pelo SUS, o médico ficou espantado com a melhora e o mandou embora pra casa, disse que ele estava ótimo".  

Depois disso, Juciana passou a se aprofundar no estudo do poder dos óleos e entende que este movimento em direção à natureza não tem volta. "Vivemos em uma sociedade doente, estamos doentes pelo estilo de vida e a melhora pode estar no que é mais básico, no natural", explica, sem descartar a importância da medicina tradicional em todas as circunstâncias.  

"Minha avó morava na roça e esquentava banha de porco para adicionar ervas diversas. Ela aplicava a mistura em cortes, machucados, para melhorar dores diversas. Tudo se resolvia com a natureza e vejo que estudar sobre os óleos essenciais é resgatar a história da minha família, do ser humano", diz ela, que abandonou os cosméticos para fazer seus próprios desodorantes, hidratantes e produtos para lavar roupa, tudo com base nos óleos.  

Atualmente, Juciana realiza encontros mensais em sua casa com outras mulheres para estudar, compartilhar experiências e fazer aplicações dos óleos.    

Juciana Dassie: paixão pelos óleos essenciais a fez criar um grupo de estudos

 

Muita calma nessa hora  

Com uma visão bastante criteriosa, a farmacêutica Andréa Gentil trabalha com óleos essenciais há mais de 30 anos e explica que o boom destes produtos desperta também a necessidade de cuidado na hora de utilizá-los. "Quem se interessa pelos óleos deve se atentar, principalmente, com a dosagem. São produtos muito potentes e altamente concentrados e é necessário ficar atento à recomendação do fabricante".  

Segundo ela, muitas pessoas podem apresentar sensibilidade ao produto e, em vez de causar bem-estar, o uso pode até gerar desconforto. A farmacêutica conta que tem uma funcionária tem dores de cabeças terríveis quando trabalha com óleos no laboratório homeopático da empresa. "Uma dosagem errada em excesso pode causar desde problemas físicos até distúrbios emocionais. E não é porque é um produto natural que pode ser utilizado deliberadamente".  

Segundo Andréa, a melhor maneira de identificar um bom óleo essencial é verificar seu nível de pureza, se tem registro na Anvisa e observar os ingredientes no rótulo. Além disso, é importante destacar a diferença entre essência e óleo essencial, comumente confundidos. "O óleo essencial é altamente concentrado e tem propriedades terapêuticas das plantas, enquanto a essência traz apenas o aroma não tendo mais nada de benefício".  

Ainda de acordo com a farmacêutica, existem abordagens diferentes sobre o uso do produto, uma mais esotérica e outra científica, o que acaba, porventura, criando mitos e dúvidas. Um exemplo é a questão da ingestão dos óleos que, para a especialista, ainda é um assunto controverso. "Uma dica preciosa é ler estudos e artigos científicos sobre as propriedades, usos e benefícios do óleo antes de comprar. Muitas coisas ainda não são comprovadas cientificamente".
 

Apresentação tradicional em vidros e em roll-on para aplicação direta na pele.

 

Maneiras mais indicadas de utilizar óleos essenciais  

- Inalação com uma gota entre as mãos, esfregando-as e levando-as ao nariz
- Com difusores aromáticos elétricos
- Diluídos em óleo de coco ou outro veículo para aplicação tópica e cosmética
- Em massagens
- Aplicando uma gota no travesseiro antes de dormir
- Em difusores individuais, que podem ser usados como colares


Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Facebook

Mais do ACidade ON