'Flee - Nenhum lugar para chamar de lar' relata a história de um sobrevivente

O roteiro apresenta o jovem Amin Nawabi e sua extraordinária história de vida, nunca mencionada a ninguém até então

| ACidadeON Campinas -

Documentário Flee Nenhum lugar para chamar de lar (2022) concorreu a três prêmios Oscar (Foto: Divulgação)
Os recursos da animação vêm sendo utilizados como ferramentas para projetos cinematográficos diversos há anos, se transformando em um estilo atrelado a vários formatos e não somente às narrativas infantis. Além de dar um toque mais artístico à trama, as formas animadas podem estar relacionadas a outras razões, como manter o anonimato de seus personagens no caso de um documentário, o que parece ter sido a motivação de Jonas Poher Rasmussen em Flee - Nenhum lugar para chamar de lar.

O roteiro do documentário indicado a três categorias do Oscar 2022 apresenta o jovem Amin Nawabi e sua extraordinária história de vida. Refugiado na Dinamarca há vários anos, o acadêmico bem sucedido abre o seu coração para seu colega de longa data ao relatar todos os acontecimentos que o levaram até a Europa em meados dos anos 90. Somando três décadas de vida, o sobrevivente está prestes a se casar com seu namorado mas teme que seu passado sombrio interfira na relação.
 
Documentário Flee Nenhum lugar para chamar de lar (2022) utiliza a animação (Foto: Divulgação)
Ao contar sua misteriosa história pela primeira vez, Amin começa a sua narrativa em 1979, quando a guerra civil teve início no Afeganistão. Os conflitos do país causaram o desaparecimento de milhares de pessoas que apresentavam qualquer ameaça ao governo, incluindo seu pai. Com dois irmãos e duas irmãs, Amin foi criado por sua adorável mãe. Entretanto, quando a guerra ameaça tirar o seu irmão de casa, a família decide tentar a sorte na Rússia.

A luta contra os policiais corruptos, a miséria do novo lar e a fome só piora ainda mais a situação da família e, quando a oportunidade de imigrar para a Suíça aparece, o jeito é conseguir juntar a maior quantia em dinheiro possível para que este sonho se torne realidade. Ao mesmo tempo, o jovem Amin ainda enfrenta um conflito interno ao se descobrir homossexual, algo que não é nem considerado pelos afegãos como uma possibilidade.
 
Cena do longa-metragem Flee Nenhum lugar para chamar de lar (2022) (Foto: Divulgação)
Com destaque para a incrível história de superação, Flee - Nenhum lugar para chamar de lar mescla o relato de seu protagonista com recortes reais de telejornais e visões das perdas durante a guerra. Enquanto grande parte do documentário é apresentado em formato de animação, as reportagens aparecem em um enquadramento menor e na forma real, dando um respiro para a difícil narrativa a ser contada.

O diretor Jonas Poher Rasmussen acerta em cheio o estilo escolhido, uma vez que a animação é responsável por acrescentar ainda mais emoção ao que está sendo representado na tela. A infância de Amin possui um espaço especial no longa-metragem, ocupando dois terços da duração de uma hora e meia de extensão.
 
Infância de Amin Nawabi é apresentado em Flee Nenhum lugar para chamar de lar (2022) (Foto: Divulgação)
Apesar de a inocência de Amin não perceber o contexto de sua fuga na época, o adulto de 30 anos que passa a narrar os momentos entende pelo que passou e esse sentimento é levado até a representação da história. Embora o documentário faça uma viagem ao passado do protagonista, o filme tem o propósito de incentivar o amadurecimento para que o futuro seja possível.

Com uma temática forte e relatos comoventes de um período que parece se repetir constantemente na história da humanidade, Flee - Nenhum lugar para chamar de lar passa uma mensagem emocionante sobre a luta dos refugiados para conquistar um espaço no mundo para chamar de seu.