
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontou que as partículas existentes na fumaça de queimadas podem prejudicar pacientes com problemas respiratórios ou aqueles que estão se recuperando da covid-19.
O professor de patologia da USP, Luiz Fernando Ferraz da Silva, explicou que as partículas ajudam a prejudicar quem tem doenças. “Quando esse material entra no pulmão, ele interage com o organismo e pode disparar algumas respostas inflamatórias locais. No contexto da covid-19, isso potencializa o quadro”, afirmou.
O estudo sugere que a poluição do ar prejudica a resposta das células do sistema imunológico, que trabalham na recuperação do organismo. “O vento e as correntes de ar levam esse material por vários quilômetros. Tem muita coisa que a gente não vê, que está no ar e que a gente respira, e que entra diretamente no organismo nos nossos pulmões”.
DIFÍCIL
A costureira Maria Odete Gois da Silva foi infectada pela covid-19 ano passado e precisou ficar 48 dias no hospital entubada. Ela conta que ainda sente as consequências da infecção nos pulmões. Para ela, respirar onde tem fumaça é um problema.
“Sinto muita fadiga. Quando tem queimada fica muito difícil. Prejudica muitas pessoas, principalmente as que estão com essa doença. A gente pede por favor para as pessoas não promoverem queimadas”.
Luiz Fernando destaca que o uso de máscara pode ajudar a filtrar as partículas expelidas da fumaça. “Algumas dessas partículas são pequenas, mas não necessariamente menores que o vírus da covid. Então, muitas vezes o uso de máscara pode ajudar”.