Conselho Tutelar nega que sabia do caso de menino acorrentado em barril Conselho Tutelar nega que sabia do caso de menino acorrentado em barril

Conselho Tutelar nega que sabia do caso de menino acorrentado em barril

Órgão de Campinas divulgou nota à população dizendo que informação era de que 'situação da criança e família vinha evoluindo bem e positivamente'

Menino foi libertado no sábado (30) após denúncia de vizinhos (Foto: Reprodução/Polícia Civil) 

O Conselho Tutelar de Campinas negou na noite desta segunda-feira (1º) que tinha ciência do caso do menino de 11 anos encontrado nu e acorrentado a um barril no sábado (30) no Jardim Itatiaia, em Campinas. O órgão emitiu uma nota à população e à imprensa dizendo que a informação recebida em dezembro e janeiro era de que a 'situação da criança e família vinha evoluindo bem e positivamente'.

O menino foi libertado há dois dias pela Polícia Militar após denúncia de vizinhos. Ele estava sem comer há pelo menos quatro dias e com correntes nos braços e pernas. Por ficar o dia todo em pé, na mesma posição, os pés do garoto estavam inchados e havia fezes e urina ao seu redor. Ele disse que chegou a comer as próprias fezes.

Na nota, o Conselho disse que, no sábado, ao tomar conhecimento da notícia do crime, tomou as providências e as medidas necessárias 'para a garantia dos direitos da criança e para sua proteção, como já vinha fazendo'.

Além disso, o órgão solicitou à população a parar de circular fotos e vídeos do momento do resgate, que expõe o menor de idade. As imagens foram feitas pela equipe da polícia e mostram o menino dentro do barril, que era tampado com uma telha tipo brasilit e uma pia de mármore.

Na gravação, ele afirmou que estava acorrentado nos pés e mãos por causa de comida. 'É por causa (que) eu pegava as coisas pra mim comer sem pedir pra minha mãe e pro meu pai. Mas não pode pegar sem pedir. Eu não (podia)', disse. 

Leia também  
MP abre investigação para apurar condutas em relação a menino torturado
 

Resgate foi feito pela Polícia Militar (Foto: Reprodução/Polícia Civil)
POLÊMICA

A nota do Conselho foi divulgada após vizinhos afirmarem que o órgão acompanhava o caso e, no domingo (31), um membro do Conselho Tutelar admitiu que já acompanhava a denúncia de maus-tratos a criança há pelo menos um ano. O conselheiro afirmou que iria apurar se houve falha.

'Não há nenhum diagnóstico que confirme que o garoto esteja doente. Pode ser hiperatividade normal da idade. Mas, houve uma falha grande em deixar a situação chegar onde chegou', disse o conselheiro tutelar Moisés Sesion.

INVESTIGAÇÃO

O MP (Ministério Público) também investiga o caso e abriu hoje um procedimento de investigação para apurar a conduta dos setores públicos em relação à omissão.Além disso, o TJ (Tribunal de Justiça) decretou nesta segunda-feira a prisão preventiva do casal e da jovem de 22 anos pelo envolvimento no crime (leia mais aqui).

O pai, um auxiliar de serviços gerais, de 31 anos, vai responder pelo crime de tortura, enquanto as mulheres, sendo a madrasta da criança e a filha dela, pelo crime de omissão.

Mais Notícias

Mais Notícias