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Cotidiano

Unicamp: processo interno sobre assédio é prorrogado por 20 dias

Prazo para definir situação de estudante do Instituto de Matemática suspeito de se masturbar perto de alunas é ampliado

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Protesto de mulheres por mais segurança no campus da Unicamp. (Foto: Luciano Claudino/Código19) 

A Unicamp, em Campinas, divulgou nesta terça-feira (26) que prorrogou por mais 20 dias o processo disciplinar sobre estudante de 27 anos do Instituto de Matemática da Universidade suspeito de cometer assédio sexual e atos obscenos no estacionamento e em ruas do campus.

No dia 15 de maio, ele chegou a ser detido pela PM. Ele circulava com um Fiesta preto pelas ruas da Unicamp, e quando as vítimas se aproximavam, percebiam que ele estava se masturbando.

Com a detenção, um inquérito policial e o processo disciplinar foram abertos. No entanto, ambos ainda não concluídos. Na Unicamp, foi a direção do Instituto de Matemática que instaurou em 18 de maio o processo disciplinar para apurar o envolvimento do estudante no caso.

No dia 6 de junho foi formada uma comissão que teria 20 dias para concluir o procedimento. Com isso, o prazo para conclusão era nesta terça-feira (26). Em nota oficial, a Unicamp informou que "os trabalhos da Comissão continuam e foi prorrogado por mais vinte dias. O Processo ocorre em sigilo até a conclusão".

O processo disciplinar está sendo coordenado por uma comissão formada por três professores. O nome do estudante não foi revelado nem pela Polícia Civil nem pela Unicamp.

POLÍCIA

O delegado Cássio Vita Biazolli, responsável pelo 7° Distrito Policial de Campinas, em Barão Geraldo, afirmou que o caso foi praticamente finalizado no mesmo dia em que ocorreu a detenção e que falta "apenas a instrução e encaminhar para o juiz de Campinas". Um pedido à Justiça já foi feito pedindo a prorrogação do prazo para a investigação.

O delegado não informou uma data para que o inquérito seja concluído.

CENTRO DE APOIO 

A Unicamp estuda a criação de um Centro de Atenção à Violência Sexual (CAVS) com presença nos três campi, com o propósito de oferecer atendimento especializado às vítimas desse tipo de agressão. A criação do novo órgão é uma sugestão do Grupo de Trabalho constituído pelo Conselho Universitário (Consu) da Unicamp para elaborar uma proposta de política de combate à violência sexual e à discriminação baseada em gênero no âmbito da Universidade.

O próximo passo, segundo ela, é apresentar o documento para discussão nas faculdades e institutos. Depois, a versão final seguirá para o Consu.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, disse que ainda é prematuro dizer se a nova secretaria vai gerar mais custos para a universidade, que vive uma crise na arredação de recursos. "Como ainda é um estudo, não dá pra dizer. Podemos utilizar a estrutura que já temos, mas isso só o Grupo de Trabalho vai dizer", disse.

Segundo ele, o objetivo da medida é criar um ponto de referência para vítimas de assédio no campus. "É um problema que decidimos encarar de frente. Assim como o Estado, o município, têm suas estruturas próprias para esse tipo de atendimento, achamos importante que a gente também tenha", afirmou o reitor.


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