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Cotidiano

O papel das empresas na transformação digital

Atualmente as empresas dispõem de um arsenal digital para atuar de forma mais rápida e com resultados mais efetivos, que incluem desde inteligência artificial até redes hiperconectadas

| Especial para ACidade ON

 

Gustavo Amud. (Foto: Divulgação)

Atualmente as empresas dispõem de um arsenal digital para atuar de forma mais rápida e com resultados mais efetivos, que incluem desde inteligência artificial até redes hiperconectadas. Segundo a Pesquisa Global Digital Trust Insights 2021, realizada pela nossa firma junto a 3.249 executivos de negócios, tecnologia e segurança (109 deles no Brasil) entre julho e agosto de 2020, as soluções digitais adicionam camadas de proteção e monitoram continuamente os sistemas de modo automático para fazer uma abordagem mais simples e integrada à segurança. Essas tecnologias são bem-vindas porque constroem pontes entre empresas, clientes e fornecedores, ainda mais agora que atuamos em ambientes remotos por conta da pandemia. 

Ao selecionar e implantar as ferramentas tecnológicas ideais para obter os objetivos almejados, as organizações precisam investir em seus colaboradores para que saibam aplicá-las no dia a dia, atrelando conhecimento a essa inovação. O desenvolvimento dessas habilidades, digital upskilling, é crucial, pois não basta ter alguém olhando os dados obtidos a partir do meio digital, é preciso que essas informações tragam insights que se traduzam em caixa às empresas. Saber aplicar esse conhecimento adquirido se traduz em uma diferenciação realmente valiosa. 

Para combater qualquer resistência interna à tecnologia investida, as organizações precisam modificar muitas vezes sua própria cultura, rever estratégias de curto, médio e longo prazos, comunicando-as efetivamente, e motivar todos nessa jornada que não tem fim, pois esse é um processo que se embarca para conquistar novas habilidades inerentes à forma vigente de fazer negócios e de interagir com clientes, fornecedores e comunidade. 

O profissional, por sua vez, deve questionar se sua atual forma de trabalhar é a melhor para obter um resultado mais eficiente, efetivo e realmente ágil. Se ainda opera de forma analógica, deve buscar aprender, aprimorar-se tecnologicamente, para se adaptar ao novo. É o famoso "desaprender para reaprender", com rotinas de estudo sem medo de começar esse processo digital. 

Ao mesmo tempo, os líderes empresariais devem incentivar esse aperfeiçoamento dos colaboradores. Aproveitar melhor os talentos internos principalmente os engajados e produtivos , oferecendo treinamentos para seu desenvolvimento profissional, às vezes pode ser uma opção mais válida do que trazer alguém de fora, com conhecimento técnico, mas sem a cultura da organização e sem vínculo com o propósito da empresa. 

Assim, a transformação e o aceleramento digital em uma empresa são feitos por pessoas, não apenas por ferramentas tecnológicas. A tecnologia, portanto, é um meio, não um fim. O fim é a estratégia de longo prazo da empresa, aquela que vai agregar valor ao cliente. Por isso, antes de implantá-las, as organizações devem questionar-se: quais são as tecnologias que devo investir para a minha força de trabalho? A resposta está na própria estratégia da empresa, tendo um olhar no futuro e nas tendências de mercado, sempre com foco nos clientes e novas oportunidades.  

Antes mesmo da covid-19, a automação e as novas tecnologias já haviam transformado o mundo do trabalho. A pandemia acelerou essas tendências, porém, ampliou as desigualdades, levando à necessidade urgente de qualificação e requalificação em grande escala para garantir que as pessoas em todo o mundo desenvolvam as competências necessárias aos empregos de hoje e do futuro. 

Um relatório da PwC desenvolvido com a colaboração do Fórum Econômico Mundial aponta a urgência de se investir ousadamente no aprimoramento de competências para criar economias e sociedades inclusivas. O estudo defende justamente o upskilling (aprimoramento) e destaca alguns desafios, como a desconexão entre os programas de educação atuais e as competências das quais os empregadores carecem hoje e precisarão no futuro. Também recomenda medidas que as empresas e os governantes podem tomar para promover economias mais inclusivas e sustentáveis. Às empresas cabem, por exemplo, adotar o upskilling, o digital upskilling e o investimento necessário na força de trabalho como princípios fundamentais de negócio e estabelecer prazos para cumprir suas promessas de ação. 

O relatório da PwC apresenta ainda o impacto econômico líquido positivo gerado pela eliminação da lacuna de competências em setores de atividade, países e regiões. O potencial é de um aumento de US$ 6,5 trilhões do PIB global em 2030 e de 5,3 milhões de novos empregos em igual período. Sem dúvida, o investimento no aprimoramento adequado da equipe profissional é um retorno garantido não somente para as organizações, como para a sociedade mundo afora.

Gustavo Amud é sócio da PwC Brasil. Graduado pela Universidade Santa Úrsula (RJ), no curso de contabilidade, com MBA em financiamento, auditoria e contabilidade, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É certificado em IFRS pela Association of Chartered Certified Accountants (ACCA).



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