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Os benefícios e os riscos da busca do nariz perfeito

A beleza está muito mais nos olhos de quem vê do que propriamente nas estruturas da própria visão

| ACidadeON Campinas -

O cirurgião plástico Juliano Pereira (Foto: Divulgação)
O cirurgião plástico Juliano Pereira (Foto: Divulgação)


Primeiramente, não existe o nariz perfeito. Existe, sim, a busca do nariz adequado para cada tipo de paciente, respeitando as suas identidades anatômicas. Quando nos olhamos no espelho, a percepção que temos de nós mesmos surge como uma conselheira sempre a postos a mostrar o que pode ser melhorado em nossa aparência. O rosto, nosso reflexo de boa saúde e autoestima, é naturalmente um foco para os cuidados estéticos. Para ele, existem recursos cosméticos de última geração. Há também procedimentos cirúrgicos eficientes, que têm por princípio harmonizar uma identidade e um ideal de beleza.

A beleza é aquilo que nos agrada. Muitas vezes, o nariz ou qualquer estrutura facial considerada bonita ou feia por outra pessoa, pode nos agradar ou desagradar quando nos olhamos no espelho.

A beleza está muito mais nos olhos de quem vê do que propriamente nas estruturas da própria visão. Se buscarmos na história os conceitos de beleza, veremos que estes foram mudando através dos tempos. Por exemplo, o que hoje é visto como obesidade, em outra época era padrão de beleza. Também houve o tempo em que a silhueta extremamente magra era o que imperava. Atualmente, o padrão de beleza é um corpo mais atlético. Para a face também se aplicam estes padrões, que da mesma forma mudam com o passar dos anos. O nariz extremamente angulado era o padrão de quem buscava cirurgia nas décadas de 1970 e 1980. Hoje, o que se almeja é uma harmonia para a face do paciente, respeitando suas características anatômicas e étnicas.

O nariz é um ponto referencial. Por ser uma estrutura central da face, esta protuberância é a área de maior percepção tanto para a pessoa que se olha no espelho quanto para a outra pessoa que a observa.

O nariz é composto pelo dorso nasal e a parte cartilaginosa. Não é incomum que muitas pessoas se incomodem com as asas nasais, quando as mesmas se mostram em maior volume, numa angulação diferenciada, ou mais alargada, entrando para as áreas mais laterais da face. Algumas vezes, isso traz incômodo ao paciente. Uma cirurgia, popularmente descrita como alectomia, é um recurso eficiente para esta correção. Realizada por cirurgião plástico, consiste na ressecção do excesso de tecido nas asas nasais.

Diferentemente de outros recursos ancilares, tais como preenchimentos dos lábios e da região malar, ou mesmo a harmonização facial, em que os produtos utilizados têm uma validade e são consumidos ao longo do tempo, a alectomia é uma intervenção definitivamente cirúrgica em que não há possibilidade de reversão.

A alectomia é uma rinoplastia, ou seja, uma cirurgia feita dentro da anatomia do nariz. Por esta razão, é preciso que haja uma indicação muito precisa e rigorosa para a realização do procedimento, pois muitas vezes, por si só, a alectomia pode trazer prejuízos não apenas estéticos ao nariz, como comprometimentos funcionais, provocados pelo estrangulamento da abertura nasal, o que prejudica a respiração do paciente.

Para além dos comemorativos estéticos e funcionais, é fundamental que o cirurgião plástico avalie, por exemplo, o dorso nasal, que é aquele ossinho no meio do nariz, e o septo, a cartilagem central. Nesta análise deve-se incluir a ponta nasal, que se for um pouco mais espessa pode promover uma piora estética.

Importante salientar que dentro do diagnóstico pré-operatório se faz necessário avaliar também as estruturas constitucionais do nariz e a condição étnica do paciente. Tenha ele origem oriental, africana, árabe, cada peculiaridade deve ser respeitada para evidenciar o que é belo dentro de cada etnia. E Isso faz uma importante diferença no planejamento da cirurgia.

A decisão pela alectomia pressupõe exames pré-operatórios para avaliar tanto os seios da face quanto as condições gerais do paciente. Com isso, o cirurgião deve estar rigorosamente atento à detecção de algum tipo de infecção, seja no trato respiratório ou mesmo sistêmica.

A alectomia pode ser realizada com anestesia local em sala cirúrgica apropriada. No entanto, se procedimentos auxiliares ou complementares se fizerem necessários, como uma rinoplastia para correção da ponta ou do dorso nasal, é apropriado que a cirurgia se faça em centro cirúrgico com anestesia geral (ou local mais sedação). Neste caso, além do cirurgião plástico, o anestesista estará presente enquanto o procedimento for realizado.

Os custos da cirurgia podem variar bastante, dependendo do local e das condições em que é feita. Evidentemente, se for realizada em hospitais pode haver uma alteração significativa de valores.

Tão importante quanto se informar sobre os benefícios e os riscos da alectomia é ponderar sobre a escolha do profissional adequado para realizar o procedimento. Temos observado casos de complicações importantes nesta cirurgia. Primeiro por ter sido mal indicada, e segundo por ter sido feita por profissional não treinado para o procedimento ou para intervir nas complicações. O cirurgião plástico é o especialista capacitado e preparado para avaliar, solicitar e analisar os exames pré-operatórios e realizar a intervenção que, como constatamos, é extremamente delicada.

Juliano Pereira - CRM 141574
Cirurgião plástico, membro especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Coordenador do Departamento de Cirurgia Plástica da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (2018-2020 / 2021-2023).



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