
As agressões e brigas em escolas da RMC (Região Metropolitana de Campinas) preocupam os pais e fazem os especialistas buscarem explicações. O retorno ao ensino presencial após um longo isolamento é citado entre os possíveis motivos.
Nesta quinta (31), mais um caso aconteceu na Escola Estadual Escritora Rachel de Queiroz, em Campinas, onde dois estudantes brigaram e foram contidos por outras pessoas. A confusão só acabou após a chegada da PM (Polícia Militar).
Os relatos são quase diários. Na quarta (30), por exemplo, vídeos feitos dentro das unidades estaduais Jeny Bonadia Rodrigues Santarrossa, em Sumaré, e Professor José Vilagelin Neto, em Campinas, também flagraram a situação.
Na unidade de Sumaré, que fica no bairro Bom Retiro, as imagens mostram duas adolescentes brigando no chão. Outra jovem puxa o cabelo de uma delas. Em outro vídeo no mesmo local, dois meninos são separados por um adulto.
Na escola Professor José Vilagelin Neto, no Jardim Proença, alunos brigaram em sala de aula. Para todas as ocorrências, a Seduc-SP (secretaria de Educação do Estado de São Paulo) divulgou respostas e posições parecidas (veja abaixo).
PAIS TEMEM
A confeiteira Jaqueline Guedes fala que a preocupação é frequente e define o panorama como “assustador”. “Por ser um ambiente escolar já assusta bastante. Dentro de casa a gente dá educação. Mas chega lá, o que vai acontecer?”, diz.
Para a jornalista Soraia Bürger, a frequência dos casos faz o medo dos pais e responsáveis aumentar cada vez mais. “A violência tem sido recorrente. É sempre preocupante, independente das idades dos nossos filhos”, opina ela.
ESPECIALISTA EXPLICA
As aulas presenciais na rede estadual começaram em 2 de fevereiro. O retorno após um longo período no sistema remoto é um dos principais fatores que podem explicar o problema, diz a especialista em Educação, Danila Di Pietro.
“O retorno à escola lembra esse aluno que ele pertence a uma comunidade. E, pra fazer parte da comunidade, é preciso entrar em acordo, conversar e ceder. A gente nota uma irritabilidade ao lidar com coisas do cotidiano”, argumenta.
Mas além de apontar as dificuldades pelas quais os jovens passam para se habituar ao período de retomada na pandemia, Di Pietro entende que a sociedade tem um grande papel de influência no aumento de violência escolar.
“A nossa sociedade atravessa um momento de celebração de algum modo de violência. No ambiente digital e nas redes sociais, há uma cultura de chocar, ou de cancelar e de propagar algum discurso de ódio”, justifica a especialista.
O QUE DIZ A SECRETARIA
Ao se posicionar sobre todos os casos, a secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirmou que “os casos foram registrados na Placon (Plataforma Conviva SP)”, sistema que acompanha as ocorrências escolares no estado.
Sobre o último caso registrado, na escola Escritora Rachel de Queiroz, a pasta afirmou que “os responsáveis pelos estudantes foram chamados para uma reunião de mediação e esclarecimentos quanto às providências restaurativas”.