
Um grupo de estudantes da Escola Estadual Francisco Glicério, em Campinas, fez um protesto na manhã desta sexta-feira (27), na região central da cidade, contra o assédio sexual e a violência policial.
O ato ocorreu após uma confusão na escola ontem. A unidade escolar registrou uma briga generalizada entre os estudantes por causa de uma suposta denúncia de assédio feito por uma aluna.
A Polícia Militar foi chamada à unidade e, segundo os estudantes, teria agido de forma truculenta para tentar conter a confusão na unidade de ensino. A briga terminou com um aluno sendo socorrido desacordado após ação da PM (leia mais abaixo).
O ATO
Os alunos saíram da escola durante a manhã desta sexta-feira, caminharam pelas vias do Centro e foram até a Prefeitura de Campinas. Em vídeos, é possível ver o grupo caminhando pelas vias ao lado de carros.
Com cartazes, os estudantes protestavam contra assédio sexual e violência policial. “Queremos aula, e não assédio”, dizia um dos cartazes. Em outro, um estudante questionou: “Quem nos protege da polícia?”.

AÇÃO
Segundo apuração da reportagem da EPTV Campinas, afiliada Globo, um grupo de pais fará na manhã de hoje uma reunião com a direção da escola. De acordo com uma mãe entrevistada, cerca de dez pais concordaram em entrar com uma ação contra a Polícia Militar.
A BRIGA
Uma briga generalizada na Escola Estadual Francisco Glicério terminou com um aluno sendo socorrido desacordado, na manhã desta quinta-feira, na região central de Campinas. De acordo com relatos de testemunhas, a confusão teria começado após uma jovem ser assediada por outro aluno.
À reportagem, as testemunhas afirmaram que a direção da escola foi informada sobre o caso, mas nada foi feito. Com isso, colegas da vítima teriam se indignado com a situação e foram atrás do rapaz suspeito do assédio.
“Ela foi buscar retorno na direção, ninguém ajudou em nada, aí juntou todo mundo da escola. O menino ficou lá no refeitório, todo mundo juntou na porta para querer bater nele”, disse uma aluna.
Devido à briga, a Polícia Militar precisou ser acionada e realizou uma barreira para retirar o aluno do local. Entretanto, os estudantes tentaram furar o bloqueio e teve início uma nova confusão, envolvendo alunos e os policiais. Confira no vídeo abaixo.
“Chamaram a polícia para fazer a escolta, só que aí juntou todo mundo para querer ir pra cima do menino. Os policiais vieram com os cassetetes e começaram a bater em todo mundo. E aí agrediram as meninas também. Eles algemaram um menino e saíram levando-o pelas pernas e pelos braços”, relatou.
Nas imagens, é possível visualizar que um dos alunos está desacordado no chão. De acordo com os alunos, os policiais reagiram com golpes de cassetete até o rapaz perder a consciência.
O aluno foi socorrido por uma ambulância ao Hospital Municipal Dr. Mario Gatti. Durante à tarde, a unidade informou que ele recebeu alta.
O QUE DIZ A SECRETARIA
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou por meio de nota que repudia todo e qualquer tipo de violência dentro e fora das escolas.
“O desentendimento inicial entre dois estudantes foi mediado pela direção da unidade, com a presença do responsável pela aluna. Houve entendimento entre as partes e os dois estudantes voltaram normalmente para as aulas. Na hora do intervalo, porém, outros estudantes se envolveram e um conflito generalizado teve início, de forma que a gestão escolar acionou a Ronda Escolar. Dois estudantes precisaram de atendimento médico e os responsáveis foram chamados para acolhimento e esclarecimentos dos fatos”, disse a Pasta.
Segundo a secretaria, foi registrado um boletim de ocorrência e o caso será inserido na Plataforma Conviva SP – Placon, que acompanha o registro de ocorrências escolares na rede estadual de ensino.
Procurada, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso.