Uma ariranha (Pteronura brasiliensis), espécie ameaçada de extinção, resgatada em maio deste ano no município de Uarini, no interior do Amazonas, ganhou um novo lar na região de Campinas. O animal, um macho, está morando no Parque Ecológico de Americana.
Em maio, quando foi resgatado o animal foi encaminhado para receber cuidados dos profissionais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus. Por se tratar de uma espécie em extinção, os veterinários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em conjunto com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), decidiram que o seu melhor destino seria, o Parque Ecológico de Americana, por ele ter experiência e estrutura para receber, conservar e parear a espécie.
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O transporte
O animal chegou na nova casa nesta quarta-feira (23), após ser transportado gratuitamente de Manaus para São Paulo/Guarulhos pelo programa Avião Solidário da LATAM.
O animal foi embarcado pela LATAM Cargo em um voo que partiu de Manaus às 3h (hora local), realizou uma conexão em Brasília, e foi desembarcado em São Paulo/Guarulhos às 10h50 (hora local).
De lá, foi transportado via terrestre pelos profissionais do Parque Ecológico de Americana. O transporte aéreo evitou um deslocamento terrestre de mais de 3,9 mil quilômetros entre as duas instituições, reduzindo para sete horas um percurso que levaria mais de 55 horas via terrestre, gerando estresse e cansaço desnecessários ao animal. Nos próximos dias, o animal será solto em seu novo recinto.
Curiosidades
A ariranha é um mamífero carnívoro que se alimenta, principalmente, de peixes. No passado, esses animais foram extremamente caçados para retirada da pele. São animais conhecidos também como onça-d’água e lontra-gigante, e seu nome científico é Pteronura brasiliensis.
É a maior lontra do mundo. Medem em média cerca de 180 cm e pesando aproximadamente 26 kg. Possuem o corpo alongado, com cauda comprida e achatada bem como membranas interdigitais nas patas para facilitar a natação.
Sua pelagem é curta, densa e amarronzada com manchas bege claras na região do pescoço que funcionam como impressões digitais do indivíduo. As principais ameaças a espécie são a degradação e fragmentação ambiental, a caça e o impacto de empreendimentos hidrelétricos.
Elas são sociais, vivendo em grupos monogâmicos sob cooperação reprodutiva, o que restringe o tamanho populacional efetivo da espécie aos casais dominantes. Indivíduos tornam-se maduros a partir de dois anos de vida, sendo que fêmeas na natureza reproduzem até os 11 anos de idade aproximadamente e os machos podem reproduzir até os 15.
Dessa forma, estima-se que o ciclo de três gerações da espécie represente um período
aproximado de 20 anos. A espécie, que ocorria nos biomas Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e
Amazônia, sofreu uma drástica redução populacional no passado devido principalmente à caça.
Atualmente, há registros isolados no Cerrado e possivelmente na Mata Atlântica, no estado do Paraná, sendo que populações viáveis da espécie estão limitadas à Bacia Amazônica e ao Pantanal.