
Campinas atingiu neste mês de setembro a marca de 100 mil MEIs (Microempreendedor Individual) registrados.
Segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), no dia 18 de setembro, a cidade tinha 100.180 MEIs ativos, 18,6% a mais que o mesmo período de 2020, quando o número era de 84.468 empreendedores.
Por definição, um microempreendedor individual pode faturar até R$ 81 mil por ano, com uma contribuição mensal que varia de R$ 56 a R$ 61, de acordo com a atividade.
Microempreendedora há mais de 6 anos em Campinas, Déborah Santana relata que conseguiu se adaptar mesmo com os desafios gerados pela pandemia. Para ela, a formalização ajudou com as vendas.
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“O grande ponto positivo de ser um microempreendedora nesse período foi de ter conseguido migrar pro on-line e começar a vender em marketplaces (plataformas digitais). Quando comecei a vender e despachar pro Brasil inteiro, eu consegui fazer contratos que ajudaram no custo do frete”, contou.
MAIOR QUE O ESTADO
Na RMC (Região Metropolitana de Campinas) o crescimento de MEIs atingiu 19,7%, passando de 208.513 para 249.760, ficando acima da marca do Estado de São Paulo, que registrou 18,4% de crescimento.
Diante da pandemia e a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, muitas pessoas encontraram no empreendedorismo uma fonte de renda e a micro empresa individual foi a porta de entrada para esse universo.
Para a professora de balé em Campinas, Elisa Kalau, o MEI foi uma alternativa como fonte de renda extra. Mas as dificuldades geradas pela pandemia foram um impedimento fatal para o seu negócio.
“Eu comecei vendendo roupa de balé on-line no começo de 2020, por isso abri o MEI. Mas ai veio pandemia, eu fiquei completamente sem emprego e tive que encerrar a empresa, pois os custos não compensavam mais pra mim”, contou.
NEM TUDO SÃO FLORES
Apesar do crescimento, de acordo com dados do último mês de junho da Receita Federal, disponíveis no portal do Simples Nacional, a cidade de Campinas possui 44,7% de MEIs pendentes de regularização. Já na RMC são 44%, em média, que precisam se regularizar.
Elisa conta que teve que abrir o MEI novamente neste ano para trabalhar como instrutora de uma escola de balé, mas acha os custos altos para a renda.
“Pediram que eu fosse MEI para ter uma segurança maior no trabalho, mas o valor que eu pago é bem alto pra mim e, sinceramente, não vejo benefício no momento, a não ser estar trabalhando na empresa”, desabafou.
Os microempreendedores que deixam de pagar as parcelas mensais obrigatórias correm o risco deter o cancelamento automático do MEI, e os débitos continuarem aberto. Para estar regularizado, é preciso estar em dia com a contribuição mensal do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
Como opção para quem está irregular, o Sebrae-SP organizou um evento online, focado em Campinas e região, para explicar as regras de regularização de MEIs. O evento acontece nesta terça-feira (24), das 20h às 21h.
Informações de inscrição estão no site oficial ou pelo telefone (19) 3284-2230.
*Escrito com supervisão de Bárbara Gasparelo*